Lavoura de milho. Milho safrinha - taxa variável

Taxa variável: o salto da produtividade

Saiba como um produtor americano transformou terras improdutivas em lavouras de milho rentáveis

Quando uma fazenda de 160 acres (64,7 hectares) localizada na região Sul do estado americano de Minnesota foi posta à venda, muitos consideraram que a área de formato irregular não merecia uma chance. “A maioria dos fazendeiros disse que não queria lidar com ela porque haveria desperdício demais e eles só jogariam dinheiro fora”, lembra o produtor americano Cory Sumerfelt.

 

O contorno incomum da área não foi o único fator que afastou os possíveis compradores. A forma de gerenciar toda a diversidade de solos na mesma fazenda, com áreas de degelo também era uma preocupação.

 

“Nesta região, há todo tipo de solo”, conta Cory Sumerfelt. “Aquela área de 160 acres tem de tudo – de areia de praia que ninguém quer tocar a um lindo argissolo que todos queriam ter aos montes. Definitivamente, seria um desafio gerenciar.”

 

Culpe as geleiras

Os solos de Minnesota são um mosaico complexo criado por geleiras que cobriam esse estado norte-americano de 10 mil a 20 mil anos atrás. “Materiais de depósito glacial, um material básico comum no solo de Minnesota, foram depositados quando correntes de água derreteram de geleiras no final da última Era do Gelo”, conta Nic Jelinski, da Universidade de Minnesota.

 

Segundo o pesquisador, o derretimento das geleiras depositou areias grossas e pedregulhos em muitas áreas. “Subsequentemente, os solos se formaram nesses materiais ao longo dos últimos 13 mil anos através da biologia e do clima no material básico”.

 

Solos arenosos

Os solos criados no depósito glacial tendiam a ser muito arenosos. “Portanto, não seguram água ou nutrientes muito bem e tendem a ser ressecados e pobres em nutrientes. A irrigação, claro, pode aliviar o problema de umidade, mas não ajuda a construir o solo e reter nutrientes”, diz Jelinski.

 

Por isso, produzir na região Sul de Minnesota é desafiador. “A principal batalha que os fazendeiros enfrentam nesta parte do estado é como gerenciar uma ‘veia’ de areia ou um bolsão de cascalho”, afirma o consultor Paul Bruns, dono da Precision Consulting Services em Canby, Minnesota.

 

Terra desafiadora

Esse também foi o motivo para os críticos afirmarem que a fazenda à venda nunca produziria mais de 100 bushels de milho por acre (104,6 sacas por hectare). Porém, o pessimismo não deteve o produtor Cory Sumerfelt. Ele viu a propriedade como uma oportunidade e a comprou em fevereiro de 2008 por US$ 1.060 por acre.

 

“Com um investimento inicial baixo, vi uma chance de pegar um pedaço de terra com o qual era familiarizado e que ninguém mais estava muito interessado em comprar e o transformar para produzir do jeito que deveria”, conta o produtor americano.

 

Sistemas de cultivo

Ciente de que a fazenda tinha sido cultivada por mais de 30 anos com preparo de solo em camalhões (ridge-tillage, na nomenclatura em inglês), a primeira mudança que o produtor Sumerfelt implementou foi adequar a área para as práticas de manejo tradicionais de sua família.

 

“Fazemos um programa de plantio convencional, especialmente se plantamos muito milho sobre milho”, conta. “Usamos um arado de aiveca, que muita gente acha horrível, mas, na gestão de resíduos, funciona bem para nós.”

 

Sumerfelt não está revirando completamente o solo e enterrando o “lixo”. Em vez disso, está gerenciando a fazenda de uma forma que não cria problemas para a safra seguinte. “Quando passei um arado no primeiro ano, o solo era tão compactado que não conseguia respirar”, conta. “Abrir aquele solo deu um respiro muito necessário.”

 

Produtividade

O manejo de solo foi apenas uma parte da equação. Coletar dados de produtividade desde o início deu pistas que levariam a outras mudanças. “Quando atingi um ponto arenoso, o monitor de rendimento foi à zero. No solo melhor, o rendimento ia a quase 200 bushels por acre”, lembra Sumerfelt. “Foi um grande alerta, porque eu sabia que aqueles pontos arenosos podiam se sair melhor com alguns ajustes.”

 

Antes de conseguir gerenciar os insumos de forma diferente para corresponder à variabilidade do solo, ele precisava de informação consistente. O consultor Paul Bruns recomendou usar a tecnologia Veris para detectar as variações no solo. “Descobrir como mapear e documentar com o que se está lidando para tomar uma decisão de gestão é uma dificuldade para muitos, mas também é um passo importante no processo de agricultura de precisão. Caso contrário, é só adivinhação”, diz Bruns.

 

Mapeamento

O produtor Sumerfelt achava que a situação nas áreas arenosas não era tão ruim, mas mudou de ideia ao ver o mapeamento. “Sim, há montes arenosos aqui e ali. Quando vi o mapa do solo, esses montes eram muito maiores do que eu achava. Foi realmente impressionante de ver.”

 

Agora que sabiam exatamente com que estavam lidando, Sumerfelt e Bruns começaram a elaborar um plano para transformar o terreno.

 

A tecnologia de taxa variável estaria no centro da transformação. “Eu estava jogando dinheiro pelo ralo porque alguns pontos não estavam produzindo de acordo com a mistura de fertilizante que eu aplicava a taxa constante”, diz Sumerfelt. De acordo com o produtor, algumas áreas precisavam de mais nutrientes.

 

Taxa variável

Com a coleta de dados da fazenda americana, o consultor Bruns criou um mapa de potencial de rendimento variável. “Essa se tornou a base para construir recomendações de fertilizante de taxa variável”, conta.

 

De acordo com o produtor, ficou claro que ele aplicava P e K em uma área que não precisava disso. “A única coisa de que realmente precisava era nitrogênio”, afirma Sumerfelt. Com isso, o produtor reduziu o custo de adubação na área arenosa de US$ 200 para US$ 100 por acre (0,4 hectare).

 

Esse dinheiro foi empregado em áreas que produziam melhor. “No primeiro ano, cortamos cerca de US$ 3.000 da conta de fertilizantes dele e vimos uma reação imediata no rendimento”, lembra Bruns.

 

Com a agricultura de precisão, áreas que registravam rendimento zero passaram a produzir 140 bushels por acre (146,4 sacas de milho por hectare). “Ainda que tenha havido uma economia inicial, era mais uma questão de colocar esses insumos onde poderiam gerar mais benefício.”

 

Economia em sementes

Bruns sentia que ajustar a forma como Sumerfelt aplicava as sementes também tinha de fazer parte do plano. “Se acertamos as recomendações de fertilizante de 100 para 250 bushels, por que a taxa de sementes ao longo daquela parte do terreno seria estável? Para mim, fertilizante e sementes andam de mãos dadas”, diz.

 

Sabendo que um dia desejariam usar semeadura de taxa variável, os Sumerfelt compraram uma plantadeira mais moderna, equipada com a tecnologia necessária. Em média, o produtor Sumerfelt plantava milho a uma taxa constante de 32.000 sementes por acre. Ao variar as sementes, as taxas podem ir de 18.000 a 36.000 na mesma área.

 

Quando um mapa de prescrição foi criado, Bruns usou o número máximo de taxas permitido pelo controlador com base em 10×10 pés para que o salto nas taxas não seja drástico e não cause dificuldade para o controlador atingir a taxa. “Isso também nos permite aplicar precisamente nas áreas de transição que só precisam de um leve ajuste”, ele afirma. “No final, provavelmente estamos economizando de 10% a 15% em sementes.”

 

Todo ano, áreas experimentais testam continuamente o potencial do solo. “Podemos colocar um bloco de 2 a 4 acres no campo e elevamos a população para 38.000. Se houver uma resposta no rendimento, aumentamos um pouco mais. Se não vemos uma resposta, sabemos que não precisamos ir tão alto”, diz Bruns. “Independentemente de obtermos 220 ou 180 bushels, queremos saber o motivo e descobrir para onde devemos ir.”

 

A vantagem da tecnologia

Essa fazenda de 160 acres é um modelo de sucesso para provar que a taxa variável valer a pena, segundo Bruns. “Se você consegue dizer que aumentou sua média em 70 bushels em sete anos, isso é incrível. Continuaremos a extrair dados para garantir que este terreno atinja o seu potencial”, diz.

 

De acordo com o produtor americano, enquanto a fazenda estiver produzindo e surpreendendo, ele vai sempre olhar para o próximo passo e o que pode fazer melhor. “Superamos aqueles 100 bushels de longe. Em 2015, a média foi de 200 bushels por acre. No ano passado, ultrapassou esse rendimento em 10 a 15 bushels por acre”, afirma Sumerfelt. “A tecnologia nos ensinou a gerenciar adequadamente esse terreno”

 

Investimento em plantadeira

Para semear com taxa variável, o fazendeiro de Minnesota Cory Sumerfelt sabia que precisava de uma plantadeira com a tecnologia necessária para a mudança no manejo.

 

“Pagamos cerca de US$ 150.000 pela plantadeira Kinze 3600 e a usamos por duas temporadas”, lembra. “Para usar a semeadura de taxa variável, teríamos de investir outros US$ 30.000.”

 

Enquanto considerava as opções para modernizar a sua plantadeira da Kinze (fabricante americano de máquinas agrícolas), o produtor comparou esse custo com o de uma máquina já equipada com o que precisava.

 

Ele optou por comprar a Kinze 3660, que já vinha equipada de fábrica. Como tem um sistema de condução hidráulica de motor único, esta plantadeira permitiria ajustar as taxas de semeadura ou ver os mapas de prescrição em movimento.

 

O sistema de enchimento a granel, com capacidade para 110 bushels, também facilitaria a vida do produtor. “A cerca de US$ 175.000 por uma Kinze 3660 com a mais recente tecnologia que queremos, além da capacidade de se adaptar aos planos futuros, ficou óbvio qual era o melhor investimento”, diz Sumerfelt.

 

* Essa foi a reportagem de capa publicada na terceira edição da revista Farming Brasil.

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