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Sistemas produtivos diversificados elevam a produtividade da soja e do milho

Saiba as vantagens de diversificar os sistemas produtivos e aperfeiçoar o manejo para colher lavouras de grãos mais sustentáveis e rentáveis

O sistema de produção que adota o cultivo de soja no verão e de milho na segunda safra predomina em grande parte do Brasil, especialmente desde o norte do Paraná até o Centro-Oeste. O lançamento de cultivares de soja de ciclo mais curto e a adoção do Sistema Plantio Direto (SPD), que teve início na década de 1970, permitiram um grande salto para a agricultura nacional. O advento do milho segunda safra foi estratégico para os agricultores, sendo uma das principais razões que sustentaram o crescimento da produção de grãos no Brasil.

 

Porém, a receita de sucesso que combina o cultivo de soja na primeira safra e de milho safrinha começa a dar sinais de desgaste. É preciso ter cuidado com o manejo e evitar o cultivo continuado para garantir a sustentabilidade dessas duas culturas no longo prazo.

 

“O milho segunda safra é uma alternativa importante para o produtor e para o País. Mas, hoje temos uma monocultura de soja no verão e milho segunda safra. Estamos tendo diversos problemas”, alerta o pesquisador da Embrapa Soja Henrique Debiasi.

 

Segundo ele, essa conjuntura mudou profundamente a rotina no campo e gerou reflexos importantes no mercado que precisam ser reavaliados. “Antes, o produtor colhia soja no ‘seco’. Para viabilizar o milho segunda safra, as variedades de soja estão cada vez mais precoces, então o produtor colhe numa época em que chove muito”, diz Debiasi.

 

Plantio direto prejudicado

A adoção continuada do milho segunda safra já está comprometendo a qualidade do sistema plantio direto. Na maioria das regiões produtoras, o milho segunda safra geralmente é colhido entre junho e julho. Porém, como o plantio de soja da safra seguinte só se inicia após a segunda quinzena de setembro, durante esse período entre as culturas o solo fica sem cobertura viva, o que é prejudicial.

 

“O solo fica muito tempo sem cobertura viva. Quando chega o período em que as chuvas são mais intensas, o solo estará sem cobertura e há maior risco de erosão”, afirmou Debiasi durante entrevista à Farming Brasil. “A consequência da baixa cobertura do solo é a erosão. Além disso, com pouca cobertura, há uma perda maior de água e a soja fica mais suscetível às plantas daninhas.”

 

Palhada

Outra desvantagem é que o milho safrinha não é capaz de proteger a terra de forma satisfatória, em comparação com outras culturas como o trigo. “O milho produz uma quantidade considerável de palhada, mas ela não cobre totalmente o solo. O trigo produz uma quantidade menor de palhada, mas a palha cobre melhor o solo.”, explica Debiasi.

 

Plantas daninhas

Os maiores problemas gerados pelo sistema produtivo soja-milho continuado estão relacionados ao solo e às plantas daninhas. De acordo com o pesquisador da Embrapa soja, a degradação do sistema plantio direto pela baixa cobertura do solo proporcionado pelo milho promove o aumento da população de plantas daninhas, entre elas a buva e o amargoso.

 

Como consequência, o produtor aumenta a aplicação de herbicidas, o que acarreta num aumento do custo de produção da soja. “Às vezes, não resta outra opção para o produtor a não ser fazer a gradagem [no solo], e aí acaba o sistema plantio direto”, explica Debiasi.

 

Compactação do solo

Outra desvantagem do sistema soja-milho de forma continuada é a menor diversidade de raízes, o que gera a compactação do solo. “A monocultura compacta o solo. Lavouras de uso contínuo soja-milho têm infiltração de água de 20 milímetros por hora. Em áreas com rotação de culturas, [a infiltração] fica em torno de 80 a 90 milímetros por hora”, explica Debiasi.

 

Por consequência, na safra seguinte o solo compactado prejudica o crescimento das raízes da soja. Assim, planta ficará mais sensível às perdas por seca ou excesso de chuvas. Também fica mais sensível ao ataque de nematoides e de doenças como o mofo branco. O ciclo de prejuízos para o produtor continua.

 

“A soja fica com uma raiz mais superficial e concentrada nos primeiros 10 centímetros de solo. Isso prejudica a absorção de água e nutrientes. É o que a gente chama de ‘efeito vaso’. A planta sofre mais com o impacto de doenças de solo”, afirma o pesquisador da Embrapa Soja.

 

Diversificar é a solução

Especialistas alertam que o sistema produtivo soja-milho safrinha continuado não é sustentável no longo prazo. Para reverter esse ciclo de problemas, a resposta é uma só: diversificação. Sistemas produtivos diversificados promovem a melhoria das condições fisiológicas e biológicas do solo, auxiliam no manejo de pragas e doenças e garantem melhores resultados econômicos no longo prazo.

 

Mudanças na safrinha

De acordo com Debiasi, uma alternativa é continuar cultivando a soja no verão, mas promover mudanças na safrinha. A sugestão para a safra de outuno/inverno é dividir a área em três: o indicado é plantar culturas de cobertura em 1/3 da área e rotacionar a cobertura a cada temporada. Outra sugestão seria o cultivo consorciado com milho.

 

“Ele pode usar braquiária, que é o nosso carro chefe. Com ou sem gado, o produtor pode plantar braquiária. Também pode plantar aveia com nabo forrageiro, crotalária, crotalária com braquiária, milheto com crotalária. O importante é diversificar mesmo”, explica Debiasi.

 

Culturas de cobertura

Pesquisas da Embrapa comprovaram que, ao plantar 2/3 da área da segunda safra com milho e 1/3 da área com culturas de cobertura, em média, há um aumento de renda de R$ 250 por hectare ao ano.

 

Segundo Debiasi, isso ocorre como resultado da redução de custo de controle de plantas daninhas e aumento de produtividade das lavouras soja primeira safra e de milho. “Esse experimento deu resultado em três anos. Com esse sistema, tivemos aumento de matéria orgânica e o solo descompactou”, conta Debiasi.

 

Milho safrinha com braquiária

Outra alternativa seria plantar milho safrinha consorciado com braquiária em 50% da área. “Nos primeiros anos, o produtor vai perder um pouco de produtividade no milho. Mas, ao longo do tempo, a soja vai produzir mais e o milho também [vai produzir mais] porque o solo vai melhorar”, explica Debiasi. Em áreas de solo com média degradação, a recomendação de consócio deveria ser seguida durante pelo menos três safras para gerar resultados positivos na fazenda.

 

A diversificação recomendada

O sistema ideal para a segunda safra seria cultivar 50% da área com milho safrinha, preferencialmente consorciado com braquiária ou crotalária; 25% da área com outra cultura (trigo ou aveia na região Sul do Brasil e sorgo no Centro-Oeste); e 25% da área da safra de outono/inverno cultivada com outra espécie de planta cobertura, que poderia ser aveia ou braquiária, por exemplo. “O importante é ter uma grande diversidade de espécies de plantas. Quando se impõe diversidade de plantas, isso aumenta a diversidade biológica do solo”, explica Debiasi.

 

O sistema produtivo diversificado ideal

Saiba quais são as recomendações e espécies indicadas para rotacionar culturas na segunda safra. Confira os resultados de pesquisas da Embrapa aqui.

 

50% – cultura comercial principal

– trigo (região subtropical)

– trigo e cevada ou triticale ou centeio

(subtropical), em proporções de variáveis de  área (Ex: 25% cada cultura)

– milho (região transição/tropical)

 

25% – cultura comercial secundária ou principal em consórcio

– aveia branca para grãos (região subtropical)

– trigo (transição/tropical de altitude)

– milho + C. spectabilis (região transição/tropical)

– milho + forrageiras tropicais

– sorgo + forrageiras tropicais

 

25% cobertura

– braquiárias

– milheto

– ruziziensis

– aveias

– crotalárias

– nabo forrageiro

 

Quer diversificar?

Confira informações detalhadas sobre as culturas indicadas para segunda safra e as dicas do pesquisador da Embrapa Soja Henrique Debiasi.

 

Algodão

É indicado para rotação com soja no verão ou com milho na 2a safra no Centro-Oeste, dependendo das condições climáticas da região.

 

Arroz

Opção para rotação com a soja no verão em praticamente todas as regiões brasileiras, principalmente no Mato Grosso, onde as condições de alta temperatura noturna não são favoráveis ao milho na 1a safra. O arroz também pode ser utilizado em rotação com o milho 2a safra, especialmente no Mato Grosso.

 

Aveia preta e branca

São excelentes opções para rotação no período de outono-inverno, principalmente na região Sul. Podem ser cultivadas também em algumas regiões do Sudeste, como Sul e Sudeste de São Paulo e o Triângulo Mineiro.

 

“Além de produzir alta quantidade de palha e de raízes, as aveias são de fácil semeadura e manejo, crescimento rápido, alta rusticidade, as sementes são baratas e de fácil obtenção, e ambas as espécies podem ser utilizadas para pastejo em sistemas de integração lavoura-pecuária, em cultivo solteiro ou consorciado a outras espécies”, afirma o pesquisador Henrique Debiasi.

 

Centeio

Segundo Debiasi, apresenta o mesmo posicionamento regional do que as aveias. “Fácil manejo e implantação, crescimento inicial mais rápido do que a aveia, grande produção de palha e raízes. Algumas pesquisas indicam que esta espécie apresenta capacidade diferenciada de reciclagem de nutrientes, notadamente fósforo”, diz ele.

 

É uma excelente opção para produção de palha e raízes no outono-inverno, porém o centeio é suscetível às mesmas doenças do trigo. Adicionalmente, seu cultivo pode gerar renda direta ao produtor, pela produção de grãos ou pastejo.

 

“No caso da integração lavoura-pecuária, ou no caso de cultivo para cobertura do solo, o melhor posicionamento seria a consorciação com outras espécies de ciclo/famílias/velocidade inicial de crescimento diferentes, como a aveia, o nabo forrageiro e o azevém”, diz Debiasi.

 

Cevada

Essa é uma boa opção para compor o sistema de produção no inverno, para gerar renda direta ao produtor, mas a cevada não exerce função de planta de cobertura do solo. Apresenta reações às doenças, produção de palha e raízes similar ao trigo.

 

Crambe

Alternativa para aumentar a diversidade de espécies no sistema de produção, já que é de uma família botânica diferente das tradicionalmente cultivadas (é uma brassicácea, da mesma família da canola e do nabo forrageiro). “No sistema 50% milho 2a safra, 25% plantas de cobertura e 25% outra espécie para grãos, podem entrar nos 25% destinados a outra espécie de grãos”, explica Debiasi.

 

Crotalária

Essa espécie é uma ótima opção como planta de cobertura, tanto no verão quanto na 2a safra, especialmente por seu efeito no controle dos nematoides de importância para as culturas comerciais que compõem o sistema de produção. “Existem diversas espécies de crotalárias, sendo atualmente a Crotalaria spectabilis e a Crotalaria ochroleuca as mais utilizadas em sistemas de produção de soja. A Crotalária spectabilis é, no geral, a mais eficiente no controle dos nematoides, porém a Crotalaria ochroleuca apresenta crescimento mais rápido e maior produção de massa. Assim, dependendo das condições, a ochroleuca, mesmo sendo menos eficiente para os nematoides, pode ser a espécie mais interessante”, explica Debiasi.

 

De acordo com o pesquisador da Embrapa, além do controle de nematoides, as crotalárias estabelecem simbiose com bactérias fixadores de N atmosférico e, portanto, são ótimas espécies para aumentar a disponibilidade deste nutriente no solo.

 

Entretanto, por serem leguminosas, a decomposição da palhada é muito rápida, especialmente em regiões quentes como o centro-oeste. Assim, na maioria dos casos, o melhor posicionamento da crotalária, seja ochroleuca ou spectabilis, é em consórcio com outras espécies, como o milheto e a braquiária ruziziensis.

 

É possível também consorciar as crotalárias com o milho 2a safra, similarmente ao que ocorre com as braquiárias. Outro aspecto importante é que a Crotalária ochroleuca pode ser cultivada na “janela” entre a colheita da soja e a semeadura do trigo, aumentando a diversificação do sistema, a disponibilidade de N, palha e raízes e, além disso, ajudando no controle de nematoides.

 

Ervilhaca

Opção para cultivo nas regiões mais frias, do centro-sul do Paraná ao Rio Grande do Sul. Como planta de cobertura, pode ser cultivada solteira ou consorciada com a aveia e/ou centeio. É de crescimento inicial lento, por isso o consórcio com espécies gramíneas como as duas anteriores é interessante, principalmente quando o objetivo for o uso em pastejo. “Neste sentido, a ervilhaca é excelente opção para pastejo, principalmente quando o objetivo é a produção de leite, pois apresenta maior teor de proteína”, diz Debiasi.

 

Idealmente, deveria ser cultivada antes do milho verão; neste caso, parte do N necessário ao milho é fornecido pela ervilhaca (que é uma leguminosa capaz de estabelecer simbiose com bactérias fixadoras de N). Existe também a ervilhaca peluda, que apresenta os mesmos benefícios da ervilhaca comum, porém com maior tolerância a baixa fertilidade do solo (solos mais arenosos, por exemplo).

 

Girassol

É uma opção para aumentar a diversidade de espécies vegetais do sistema de produção na 2a safra, com geração de renda direta, pois pertence à família das brassicáceas, ou seja, diferente da soja (leguminosa) e do milho (gramínea).

 

Opção em regiões onde o clima permite o cultivo do milho 2a safra. “A palhada produzida pelo girassol é decomposta rapidamente, assim o girassol é opção para compor os 25% destinados a culturas de grãos diferentes do milho 2a safra, mas não substitui as culturas de cobertura do solo”, explica Debiasi.

 

De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, o girassol pode ser consorciado às crotalárias e braquiárias, melhorando seus efeitos sobre o sistema. “Outra vantagem do girassol é que o mesmo pode ser semeado mais tarde que o milho 2a safra, e isto é importante sob o ponto de vista operacional, especialmente em grandes áreas. Sua viabilidade econômica depende da existência de mercado na região, como ocorre na região Oeste do Mato Grosso”, diz o pesquisador.

 

Milheto

Trata-se de uma excelente opção para cobertura do solo, pastejo e, dependendo da variedade, para produção de grãos. Pode ser cultivada em todo o país, mesmo sendo uma forrageira de clima tropical.

 

“A grande vantagem do milheto é o crescimento inicial rápido, resultando na produção de grandes quantidades de palha e raiz em intervalos curtos de tempo”, diz Debiasi. O milheto é uma excelente opção para melhorar a estrutura de solos compactados, apresentando também grande capacidade de reciclar nutrientes, principalmente potássio.

 

Como ciclo do milheto é muito rápido, essa espécie não é a melhor opção para cultivo durante uma estação inteira (por exemplo, se cultivada na 2a safra, irá completar o ciclo muito rápido; na semeadura da soja, a cobertura será baixa).

 

Dessa forma, o melhor posicionamento para o milheto (em cultivo solteiro) é para fechar “janelas” entre culturas comerciais ou em situações ou regiões onde a quantidade de chuva após a soja é pequena e, assim, o cultivo de uma espécie de crescimento rápido é a única opção viáveis.

 

Para “fechar janelas”, o milheto pode ser cultivado, nas regiões mais frias, entre a colheita da soja e a semeadura do trigo, diversificando o sistema e, ao mesmo tempo, permitindo o cultivo em sequência, na mesma estação, de uma cultura com potencial de gerar renda direta, como o trigo.

 

“Dependendo do clima, pode também ser cultivado após o milho, desde que haja condições adequadas de umidade e temperatura. Outra opção de uso do milheto é em consórcio com outras espécies, preferencialmente com ciclo mais longo, como as braquiárias e as crotalárias”, explica Debiasi.

 

Nabo-forrageiro

Apresenta crescimento rápido, grande produção de fitomassa da parte aérea e raízes e, também ,pertence a família botânica diferente da soja, milho, trigo e aveia (brassicáceas). O seu sistema radicular é pivotante e apresenta grande capacidade de crescer em camadas de solo compactado, sendo portanto excelente opção para melhorar a estrutura do solo.

 

Tem grande capacidade de reciclar potássio e nitrogênio, sendo portanto muito indicada para anteceder cultivo de gramíneas (sorgo, milho, arroz). O nabo forrageiro foi cultivado tradicionalmente na região sul do Brasil, mas hoje tem sido utilizado também no centro-oeste, com bastante sucesso.

 

Em regiões com outono-inverno mais quente (a partir do norte do paraná), o ciclo do nabo forrageiro é muito curto o que, associado a baixo persistência de sua palhada (é facilmente decomposta pela biota do solo), faz com que esta espécie  não seja a mais indicada para cultivo solteiro durante toda o outono-inverno.

 

Neste caso, deve ser consorciado com outras espécies, principalmente gramíneas, como aveia, braquiária e milheto. Outra opção de uso do nabo forrageiro, inclusive em cultivo solteiro, é entre a colheita da soja ou do milho 1a safra e o plantio do trigo, ou entre a colheita do milho 2a safra e o plantio da soja, no intuito de produzir palha e raízes nas “janelas” entre as culturas principais, pois como já relatado, apresenta ciclo curto e crescimento inicial muito rápido.

 

Tremoço

Leguminosa de outono-inverno, caracterizada por raízes pivotantes (favorável à descompactação do solo) e grande capacidade de aportar N ao solo via fixação biológica pela simbiose com bactéria do gênero Rhizobium. Existem basicamente duas espécies, o tremoço branco e o tremoço azul; o primeiro é recomendado para regiões com inverno mais quente, como as regiões Oeste, Norte e Centro do Paraná. Já o tremoço azul é mais indicado para regiões com invernos mais frios.

 

Como essa espécie é hospedeira de diferentes doenças e nematoides que atacam soja, e por aportar grande quantidade de N, deve ser cultivada no outono-inverno antecedendo espécies gramíneas, como o milho. Ambas as espécies pode ser utilziadas para produção de grãos.

 

Trigo

Boa opção para compor a área destinada a produção de grãos de outono-inverno. Produz boa cobertura de solo, com palhada que persiste, em geral, até o final do ciclo da soja. Em regiões mais quentes, podem ocupar os 25% da área destinada à produção de grãos alternativos ao milho 2a safra.

 

Trigo mourisco

Também conhecido como trigo de verão ou trigo sarraceno, excelente opção para compor consórcios com outras espécies de cobertura, como braquiária e milheto. Pode ser cultivado em todo o país.

 

Por apresentar ciclo curto (70 a 85 dias do plantio a colheita), é indicado para o fechamento de janelas (por exemplo, entre a colheita da soja e a semeadura do trigo) ou para compor consórcios com braquiária, milheto, aveia, nabo forrageira, crotalarias, entre outras espécies.

 

Braquiárias

Atualmente, as braquiárias sãos as espécies mais eficientes na recuperação de solos degradados, principalmente daqueles altamente compactados. Produz grande quantidade de palha e, principalmente raízes. A palhada é bastante persistente, fornecendo assim adequada cobertura do solo para o controle da erosão, redução da infestação de plantas daninhas e conservação da umidade do solo, diminuindo os riscos de perdas de safra por seca.

 

“Pode ser cultivada solteira ou consorciada com culturas de grãos, como milho, girassol e até mesmo a soja, e com outras espécies de cobertura (nabo, crotalárias, milheto, trigo mourisco). Podem ser utilizadas em integração lavoura-pecuária, perenizadas (mais de um ano) ou numa estação só (outono-inverno, por exemplo”, explica Debiasi. “É opção principalmente para regiões mais quentes, mas pode ser cultivada no verão em regiões mais frias, principalmente em consórcio com o milho.”

 

Capim pé-de-galinha gigante (Eleusine coronata)

Gramínea tropical, opção para o cultivo como planta de cobertura em rotação com o milho na 2a safra na região centro-oeste. Grande produção de palha e, principalmente raízes, sendo uma espécie que contribui na descompactação e melhoria da qualidade estrutural do solo. O ciclo é relativamente longo, portanto apresenta vantagens em relação a espécies de ciclo rápido, quando o objetivo é cobrir o solo durante uma estação inteira.

 

Sorgo

Existem diferentes espécies (granífero, forrageiro, sacarino, etc). Pode ser utilizado como planta de cobertura, para produção de grãos, pastejo e biomassa para energia. Algumas variedades apresentam crescimento rápido, podendo ser utilizadas para “fechamento” de janelas de cultivo.

 

No caso do sorgo granífero, é uma alternativa para ocupar os 25% da área destinada a culturas de grãos diferentes do milho. A grande vantagem do sorgo é seu sistema radicular profundo e abundante, contribuindo muito para reduzir a compactação do solo.