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Qualidade do leite: cuidados pré-ordenha podem melhorar a produção

Algumas orientações práticas podem garantir a qualidade e manter as características do produto até que ele chegue ao destino final

A produção de leite é uma atividade que exige diversos cuidados para garantir a qualidade higiênico-sanitária do produto. Como o setor produtivo é formado por produtores de pequeno, médio e grande porte, com diferentes métodos e tecnologias de produção, é difícil manter o padrão e também a qualidade do leite em todas as propriedades.

 

Sucesso da atividade leiteira

Porém, existem alguma orientações gerais que devem ser adotadas e podem garantir o sucesso da atividade leiteira. Além de cuidados com a Contagem de Bactérias Totais (CBT) e a Contagem de Células Somáticas (CCS), que fazem a diferença no resultado do produto final, algumas práticas adotadas na pré-ordenha podem gerar resultados positivos. Leia também: por que controlar as bactérias e as células somáticas?

 

A Embrapa Gado de Leite produziu um manual com orientações para ajudar os produtores a manter alguns padrões e a qualidade do leite, confira aqui. “A produção de leite de qualidade abre as portas para um mercado consumidor mais exigente no Brasil e no mundo. Cresce a valorização do leite que atenda às exigências de qualidade pelos laticínios que podem, inclusive, pagar um preço diferenciado por ele”, informou a Embrapa.

 

Qualidade do leite na pré-ordenha

1 – Local da ordenha

Construir as benfeitorias sobre terreno firme, próximo de fonte de energia elétrica, de água potável ou tratável, que permita ampliação, de fácil fluxo de veículos com insumos e produtos, próximo ao local de pastejo visando reduzir desgaste físico das vacas e assim, não prejudicar sua produção. O local escolhido deve ser próximo da residência do ordenhador e confortável tanto para o ordenhador quanto para as vacas. Além disso, deve ser bem ventilado para proporcionar conforto e proteção contra ventos frios, ser ensolarado, e permitir fácil limpeza do ambiente e dos equipamentos. Ao mesmo tempo, a drenagem de efluentes de limpeza e o acúmulo do esterco para uso como adubo deve facilitar o trabalho do dia a dia sem prejudicar a qualidade do leite.

 

2 – Cuidados com a água

A água é consumida em grandes quantidades na pecuária leiteira. É usada em todas as etapas do processo de produção, portanto, sua qualidade impacta diretamente na qualidade do leite. A disponibilidade e a qualidade da água são extremamente importantes para a saúde animal e a produção de leite. A exigência de água para o consumo de animais pode variar dependendo das espécies e raças, do escore corporal, do sistema de produção (mais ou menos intensivo), e do meio ambiente ou clima em que os animais são criados. Por outro lado, a higiene dos ambientes e equipamentos como tanques de resfriamento também é afetada pela qualidade da água.

 

O risco de contaminação é maior em águas superficiais (açudes, lagos, rios etc.) que são diretamente acessíveis, ou, que recebem o escoamento ou drenagem das operações de pecuária intensiva e dejetos humanos. A contaminação das águas subterrâneas historicamente era considerada baixa. No entanto, nos últimos anos, com a intensificação das atividades em diversos setores de produção, tornou-se grande preocupação a possibilidade de contaminação biológica das águas

subterrâneas. O tratamento com clorador (Figura 2) para a água usada na sala de ordenha tanto para consumo dos animais quanto para higienização de equipamento se tornou fundamental. É necessário analisar a água usada na atividade leiteira e oriunda das fontes próximas.

 

3 – O papel do ordenhador

O papel do ordenhador é fundamental para se obter leite com qualidade. Seu comportamento, suas atitudes e valores morais são importantes para sua profissão e para que se torne uma pessoa feliz e realizada no trabalho. O ordenhador deve estar ciente que o leite produzido por ele irá ser misturado com o de parceiros que compartilham o tanque. A inadequada higiene da ordenha ou adulteração do leite poderá comprometer a qualidade de produto de todos os envolvidos. Algumas características desejáveis são:

– Gostar do trabalho e das atividades que exerce;

– Saber o significado e a importância de cada tarefa que executa;

– Ser comprometido com as metas da propriedade;

– Encarar o trabalho como se fosse “dono do negócio”;

– Respeitar os animais e tratá-los com gentileza;

– Ter bons hábitos de higiene pessoal: manter as mãos sempre limpas, unhas, cabelos e barbas aparadas; usar roupas limpas e adequadas para a função; não fumar nem se alimentar durante a ordenha;

– Manter o ambiente de trabalho limpo e organizado;

– Participar da solução dos problemas da propriedade;

– Ter iniciativa e facilitar o trabalho dos colegas;

– Ter bom relacionamento com todos;

– Demonstrar interesse em aprender e reciclar os conhecimentos.

 

4 – A ordenha perfeita

É necessário seguir procedimentos para garantir o máximo de higiene possível durante a ordenha.

Preparando para ordenha

Verifique se todos os equipamentos necessários estão prontos e limpos. Realize a limpeza destes equipamentos antes de iniciar a ordenha, caso estejam sujos.

Condução das vacas

Conduza as vacas para o local da ordenha calmamente. Vacas gostam de ambiente tranquilo para liberar todo o leite disponível;

Contenção da vaca

Amarre as pernas com a peia, se necessário, prendendo a cauda junto;

Teste da caneca de fundo preto

Retire os três primeiros jatos de leite de cada teto na caneca de fundo preto, observando se há alguma alteração no seu aspecto. Faça este teste antes do bezerro mamar, caso a ordenha seja com o bezerro ao pé da vaca;

Ordenha

Verifique o nível de vácuo. Deixe o bezerro mamar para estimular a descida do leite. Amarre o bezerro ao pé da vaca ou no canzil (ordenha manual). Caso os tetos cheguem sujos no local da ordenha, ficando evidente que vai prejudicar a qualidade do leite, lave-os com água corrente. Molhe somente os tetos e não o úbere. Lave sempre as mãos. Desinfete os tetos e aguarde 30 segundos. No caso de ordenha sem bezerro, seque os tetos com papel-toalha descartável depois de desinfetá-los. Não utilize o mesmo papel em mais de uma vaca. Inicie a ordenha e afaste rapidamente o balde da vaca quando ela defecar ou urinar durante a ordenha.

 

Use um balde do tipo semiaberto para ordenha manual  Não interrompa a ordenha já que a vaca libera o leite por um curto espaço de tempo. Evite a sobreordenha, ou seja, não deixe o conjunto de teteiras ordenhando mais tempo do que o necessário. Depois da ordenha, mergulhe todo o teto em solução desinfetante própria para o uso após a ordenha, utilizando o frasco do tipo sem retorno. Não desinfete os tetos após a ordenha no caso de as vacas serem soltas junto com seus bezerros após a ordenha;

Transferência do leite

Transfira o leite do balde para um latão de leite (ordenha manual) ou diretamente para o tanque de refrigeração, o mais rápido possível. Use o coador próprio para esta finalidade na transferência do leite;

Cuidados com a vaca após ordenha

Mantenha a vaca em pé até duas horas após a ordenha, possibilitando o fechamento do esfíncter do teto (ponta do teto), e, assim, evitar ocorrência de mastite. Recomenda-se dar o volumoso nesta hora para manter a vaca de pé.

 

5 – Dicas para diminuir a contaminação do leite

– Não utilizar a cauda da vaca para secar os tetos da vaca ou as mãos do ordenhador;
– Não utilizar panos para secar os tetos da vaca;
– Não usar a baba do bezerro para amaciar os tetos.

 

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