Plantio da soja. Plantabilidade. Plantadeira.

Plantio da soja cuidadoso garante uma lavoura homogênea e aumento de produtividade

Confira um dossiê completo para avaliar o solo, regular as máquinas, capacitar o operador e plantar com qualidade

Quando cada semente de soja é depositada no solo, ali está traçado o destino da lavoura. É claro que o clima e outros fatores como a adubação e o manejo de pragas são essenciais e têm grande impacto durante a safra. No entanto, é durante a semeadura que o produtor bate o martelo da eficiência e descobre se a semente vai germinar ou não. “O plantio determina o potencial produtivo da lavoura. Depois disso, você só reduz as perdas que vão acontecer durante todo o ciclo”, diz Rogério Miyasawa, especialista de produto para plantio da New Holland.

 

Quando o produtor investe em plantabilidade, o resultado é gratificante: uma lavoura bem estabelecida, com espaçamento uniforme entre as plantas, evitando falhas e duplas. A soja se desenvolve com altura e maturação uniforme e com quantidade grãos por planta no mesmo patamar. Lá adiante, essa conjuntura se traduz em boa colheita.

 

Por outro lado, descuidos durante o plantio geram problemas que são incorrigíveis ao longo da safra e, com janelas de plantio cada vez mais curtas, a qualidade da semeadura fica em evidência. De acordo com especialistas, erros banais de manutenção do maquinário comprometem a produtividade da soja. “Qualquer operação agrícola depende do equipamento, das condições do ambiente e das habilidades de quem está operando a máquina”, diz Leandro Gimenez, professor doutor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). Especialistas alertam sobre os detalhes que influenciam na plantabilidade da oleaginosa.

 

1 – SUA TERRA

A terra é o bem mais precioso da fazenda e tem de ser bem cuidada. Conhecer bem os tipos de solo presentes na fazenda e o relevo pode ajudar na orientação do plantio. “Solos que têm menos argila são os mais fáceis de chegar à consistência adequada de semeadura”, diz o professor Leandro Gimenez. Segundo ele, em alguns casos, o produtor pode planejar a semeadura respeitando o tipo de solo. “Se ele pegar um período com chuva contínua durante o plantio, pode começar a plantar nos solos arenosos, que drenam a água mais rápido.”

 

De acordo com Tiago Oliveira, especialista da John Deere, é importante observar as condições do ambiente, principalmente para fazer a regulagem de pressão de linha e fazer bom uso do maquinário. “Há mais de oito tipos de regulagens possíveis na plantadeira de acordo com os tipos de solo e umidade. O plantio é uma operação muito delicada e que requer muita atenção”, diz Oliveira. “Se chove por uma hora, depois você tem uma condição de solo totalmente diferente. Hoje, o agricultor que tem um plantio de qualidade acompanha a regulagem da plantadeira duas a três vezes por dia.”

 

Uma curiosidade neste assunto é que, nos Estados Unidos, a tecnologia já permite controle automático da chamada “downforce” nas plantadeiras, ou força descendente. “Isso significa a força do mecanismo pantográfico da plantadeira no solo. A partir do momento que o solo fica mais duro ou mole, ele vai identificar através de sensores”, explica o especialista da John Deere. Segundo ele, essa tecnologia ainda não está disponível no Brasil, mas as máquinas agrícolas estão avançando rapidamente para aprimorar as operações.

 

Além do impacto direto na regulagem das máquinas, o produtor pode observar que o solo também tem influência na vida útil de componentes. “A durabilidade do disco de corte varia de acordo com o terreno. Em solos arenosos, o disco desgasta mais rápido porque o solo arenoso é mais abrasivo”, diz Giancarlo Rocco, supervisor de marketing de produto/plantio e preparo de solo da AGCO.

 

Umidade e relevo

É muito importante plantar na hora certa e semear com o maquinário ajustado adequadamente, de acordo com a consistência e textura do solo. O produtor deve ser capaz de identificar quando a umidade do solo é “friável”. “É uma medida qualitativa de consistência do solo. O ideal é que consiga formar um agregado, uma massa contínua e uniforme, mas que não consiga moldar nem se esboroe”, explica o professor Gimenez.

 

Se o produtor pressionar a terra entre os dedos e se moldar, significa que ela já passou do limite plástico ideal para a semeadura. Como consequência, a semente pode ter dificuldade para acessar recursos e nesse caso a planta estiola. Outra recomendação importante é prevenir a erosão do solo e planejar o plantio de acordo com o relevo da fazenda. “Se houver declividade, [o produtor] deve fazer a semeadura em nível e evitar a erosão”, diz o professor da Esalq/USP. “Existem áreas em que o terreno é irregular e as máquinas de menor tamanho conseguem fazer um trabalho de melhor qualidade.”

 

Economia de insumos

De acordo com o gerente de desenvolvimento de negócios estratégicos da Trimble, Jorge Strina, com informações detalhadas sobre solo e relevo é possível aprimorar o plantio. “Em uma área que alaga todo ano e lá as plantas morrem, o produtor não precisa colocar tantas sementes”, diz Strina.

 

Segundo Strina, com a tecnologia que permite distribuir sementes a taxa variável, por exemplo, o produtor pode fazer mapas de prescrição customizados para cada área da fazenda. Assim, a máquina agrícola fará a distribuição de sementes e de adubo conforme a necessidade e baratear as operações. “Outro exemplo é que se o solo é arenoso, o produtor sabe que vai produzir menos e pode ter uma população [de plantas] menor nessa área para reduzir os custos de semente.”

 

A influência da palhada

É essencial ter em mente que o plantio da soja começa a ser definido na safra anterior. Isso significa que a safrinha de milho da temporada que antecede a semeadura da soja, por exemplo, tem grande influência na qualidade da safra. “Existem sistemas de colhedoras que distribuem melhor [a palhada ou palhiço] do que outros”, diz Gimenez, da Esalq/USP.

 

Segundo Giancarlo Rocco, da AGCO, em teoria, a colheitadeira deve espalhar a palha de uma forma uniforme. Porém, erros durante a colheita ainda são frequentes nos campos brasileiros. “É muito comum andar em lavouras após a colheita e ver manchas de solo exposto. Você vê uma faixa de palha e uma faixa de solo”, diz. “Significa que a máquina não estava bem regulada para espalhar a palha e não existem ferramentas para corrigir isso. Conviver com esse problema é uma coisa delicada.”

 

O prejuízo na safra seguinte fica visível. “A área que tem palha vai manter a umidade do solo e a planta vai ter uma emergência mais uniforme. O desenvolvimento das plantas no estádio inicial vai ser diferente de áreas com solo exposto”, diz Rocco.

 

A orientação valiosa nesse caso é a prevenção. Segundo Rocco, o produtor deve ficar atento às perdas durante a colheita da safra anterior e corrigir a distribuição da palhada durante a operação. O plantio direto é uma prática importante, que ajuda no controle da erosão e das plantas daninhas. No caso de terrenos inclinados, o produtor pode adequar a área às práticas conservacionistas, como a preparação do terraço. “O bom plantio começa na boa colheita”, afirma Rocco.

 

Cuidado com a dessecação

Outro assunto de destaque é a dessecação. Gimenez alerta que muitas vezes o produtor quer maximizar a geração de biomassa para adubo verde e deixa para dessecar em período muito próximo à semeadura da soja, o que pode ser um problema. “Se a dessecação não for feita com a antecedência adequada, essa planta morta estará com consistência emborrachada e isso dificulta o trabalho do disco de corte da semeadora”, diz o professor da Esalq/USP. Ele também lembra que a influência do clima nesse processo deve ser levada em consideração. “A degradação inicial dessa palha acontece mais lenta no Sul, por causa do clima mais frio”, diz o professor.

 

2 – A MÁQUINA

Para evitar as falhas e duplos durante o plantio da soja, a plantadeira deve estar bem regulada e lubrificada. Há vários tipos de plantadeira disponíveis no mercado brasileiro, com diferentes sistemas e capacidades operacionais. As máquinas mais robustas chegam a semear 48 linhas de soja, com espaçamento de 45 centímetros.

 

Cabe ao produtor conhecer a fundo o seu maquinário para conseguir extrair dele o melhor resultado. “É preciso conciliar a variedade de soja que está trabalhando com a recomendação de população por hectare, sistema de fertilização adequada e a qualidade de colocação da semente no solo. Quanto melhor for a distribuição das plantas, melhor o potencial produtivo”, diz Miyasawa, da New Holland. Confira quais são as principais recomendações para a regulagem e a manutenção correta da plantadeira.

 

Planejamento

A percepção dos especialistas ouvidos pela reportagem é de que a maioria dos produtores não está planejando o plantio com esmero. “O produtor erra na regulagem da plantadeira de forma geral. O pessoal pega a máquina do jeito que está no galpão e coloca na lavoura, isso é terrível”, diz Rocco, da AGCO. Rogério Miyasawa, da New Holland concorda que o plantio pode melhorar. “Não adianta ter uma máquina cheia de tecnológica se você não cuida bem”, afirma.

 

De acordo com Gimenez, é preciso se preparar para a semeadura com antecedência. “A manutenção da máquina no período de entressafra tem que ser rigorosa, o produtor pode melhorar nisso”, afirma o professor da Esalq. “Às vezes o produtor precisa fazer troca de mecanismos dosadores, que são fundamentais para a máquina, além de cuidados com a transmissão.”

 

A recomendação é que, pelo menos duas semanas antes de iniciar o plantio, seja feita uma revisão geral da máquina, limpeza, lubrificação, avaliação da situação dos componentes e troca das peças desgastadas. “Muito produtor deixa para regular a máquina de última hora por falta de planejamento. Ele pode encontrar peças engripadas [duas peças que enferrujaram]”, afirma Rocco, supervisor da AGCO.

 

Limpeza

O produtor cuidadoso lava bem, lubrifica corretamente e no fim da semeadura guarda a máquina coberta com lona, para protegê-la da poeira. Mesmo assim, o processo deve se repetir novamente na safra seguinte. “Por mais que ele tenha feito uma boa manutenção, a graxa seca com o tempo, ela tem vida útil”, diz Rocco.

 

De acordo com os especialistas, uma boa limpeza é essencial porque os fertilizantes são corrosivos e podem desgastar a máquina. Há também outros componentes que exigem cuidado. “O sensor ótico do condutor da semente demanda limpeza para que ele faça a contagem eletrônica de semente de forma correta”, explica Miyasawa.

 

Lubrificação

As plantadeiras chegam a ter 14 pontos de lubrificação por linha de plantio e que podem demandar engraxamento a cada 20 horas. Além disso, um detalhe importante é a escolha do produto. “Há vários tipos de graxa. Se o produtor usar uma graxa de melhor qualidade, ele vai aumentar o intervalo de lubrificação da plantadeira”, diz o especialista da John Deere, Tiago Oliveira.

 

O produtor que lubrifica corretamente cada ponto do equipamento consegue evitar a ferrugem, aumenta a vida útil da máquina agrícola e garante que ela tenha um bom desempenho no campo. Por outro lado, a falta de graxa significa prejuízo. “Um disco de corte sem a lubrificação adequada vai exigir mais força para tração e consequentemente vai afetar o consumo de combustível. A recomendação é que os discos devem girar suave e livremente. É muito óbvio”, afirma o supervisor da AGCO, Giancarlo Rocco.

 

Como os produtores pecam muito nesse quesito, a indústria está buscando facilitar a manutenção com o lançamento de máquinas mais modernas. Isso se traduz em menos graxa e menos tempo com a máquina parada. De acordo com o especialista Rogério Miyasawa, um exemplo é a plantadeira PL6000, lançada pela New Holland no início de 2017. “Eliminamos os pontos de lubrificação. Na máquina toda, só tem dois pontos, com lubrificação a cada 50 horas”, conta Miyasawa. “Isso atua diretamente num ponto importante que é o rendimento operacional.”

 

Pneus

Os especialistas também alertam que os pneus devem ser verificados diariamente. “A calibragem dos pneus das plantadeiras é o erro mais comum que eu encontro no campo”, diz Rocco. De acordo com o supervisor da AGCO, boa parte das plantadeiras atualmente utilizam o pneu como forma de acionamento dos mecanismos do dosador de fertilizantes e de sementes. Por isso, pneu murcho ou cheio demais altera a relação de transmissão da plantadeira. “Com isso, você não vai conseguir garantir a dosagem correta de adubo e semente”, explica Rocco.

 

Dosador de sementes

Há vários tipos de dosador de sementes no mercado, sendo que os mais populares nas plantadeiras são o pneumático a vácuo e o dosador mecânico. A diferença entre eles está no mecanismo que movimenta a semente, mas o desempenho, quando bem regulado, é similar. “Os dois tipos plantam muito bem, a qualidade de distribuição é igual”, afirma Rocco.

 

Se a plantadeira tem sistema pneumático, o produtor tem mais liberdade para escolher o insumo, sendo possível optar por sementes não classificadas. Isso ocorre porque o dosador gera vácuo para movimentar a semente em seu interior, independentemente do seu tamanho. Nesse caso, o produtor só deve se preocupar em utilizar um disco indicado para a cultura da soja.

 

O segundo tipo de dosador é o mecânico, que exige cuidado extra. A lógica é simples: esse sistema utiliza um disco perfurado por onde as sementes passam. Se a semente for muito pequena para o disco escolhido, duas sementes podem passar pelo mesmo alvéolo durante o plantio, gerando plantas duplas. Se a semente for grande demais, ela não passa pelo disco ou se quebra, causando falhas nas fileiras de plantio.

 

Por essa razão, todos os especialistas ouvidos pela Farming Brasil deixaram claro que é preciso escolher sementes com boa procedência, bem classificadas e certificadas para garantir que o disco escolhido para o dosador mecânico respeitará o tamanho da semente. “Se a semente não for bem classificada, o mecanismo dosador vai ter dificuldade para dosar essa semente, então vão ocorrer falhas”, diz o professor Gimenez. “E sempre que for mudar de cultivar, é importante regular a máquina e checar como a semente está sendo depositada em campo.” Independentemente do tipo de dosador da plantadeira, o produtor também não pode se esquecer de adicionar grafite no sistema para lubrificar os discos.

 

Disco de corte e sulco

Cada tipo de palhada exige regulagens específicas para que o disco de corte da plantadeira funcione com eficiência. “Tem palhas que precisam de menos pressão de corte”, diz Rocco, da AGCO. Somente a semeadora bem regulada consegue abrir o sulco de plantio, fertilizar, depositar a semente em profundidade adequada e fazer o fechamento desse sulco de forma correta.

 

De acordo com o especialista da John Deere, problemas no sulcador podem gerar bolsas de ar no solo, o que prejudica a germinação das sementes. Mas ele conta que o principal erro observado no campo é o excesso de profundidade. “Esse é um erro técnico de regulagem da plantadeira e numa situação de estresse hídrico a planta sofre mais para emergir”, diz Oliveira.

 

O trator é bom?

O seu trator é adequado para a plantadeira? Em muitos casos, a resposta pode ser “não”, alertam os especialistas. “Um erro recorrente que a gente vê é quando o trator não está dimensionado corretamente para a semeadora. Ele tem potência, mas o sistema hidráulico dele não consegue acionar adequadamente os mecanismos da semeadora”, diz Gimenez.

 

O ideal é buscar o equilíbrio entre os dois equipamentos, preparando o trator para realizar a operação de plantio de forma mais e eficiente. De acordo com Rogério Miyasawa, as concessionárias têm realizado um forte trabalho de adequação do trator para cada operação agrícola. Com isso, é possível melhorar a harmonia de tração do rodado dianteiro com o rodado traseiro, gerar economia de combustível e reduzir o desgaste do pneu. “Às vezes, tem que tirar peso do trator para deixá-lo equilibrado e para que ele consiga puxar a plantadeira gastando menos combustível”, afirma o especialista da New Holland. “Se o trator puxa a plantadeira de forma uniforme, você tem um melhor ritmo de colocação da semente no sulco de plantio.”

 

3 – O OPERADOR

Mão de obra é um dilema para muitos produtores. Não adianta comprar uma máquina agrícola com tecnologia de ponta se não houver na fazenda um profissional preparado para utilizar o equipamento. “Os operadores devem ter experiência porque o plantio é uma operação muito crítica. Se muda o tipo de máquina e há novos pontos de ajustes ou manutenção, o operador da máquina tem que receber treinamento. Ele precisa estar capacitado e atuar preventivamente para evitar falhas”, diz o professor Gimenez. Saiba quais são as principais orientações relacionadas ao operador.

 

Boas práticas

Todos os especialistas ouvidos pela reportagem da Farming Brasil frisaram a avaliação da qualidade de plantio. A recomendação é parar para analisar o plantio após os primeiros 50 metros trabalhados, espaço suficiente para estabilizar o ritmo de plantio.

 

Nessa pausa, o produtor ou operador deve cavar entre 6 e 12 covas. É necessário contar as sementes para avaliar a distribuição e medir os espaçamentos com uma trena. “Apesar de ser um trabalho manual, isso é fundamental para avaliar o plantio. Normalmente, os produtores não fazem esse acompanhamento”, afirma Oliveira, da John Deere. “Esse é um detalhe que evita a emergência desuniforme da soja e gera maior produtividade.”

 

De acordo com o professor da Esalq/USP, com uma amostra razoável de sulcos abertos para avaliação, o produtor ou operador é capaz de observar se semeadura está de acordo com a regulagem da plantadeira. “Os fornecedores de sementes fazem uma sugestão de ajuste dos mecanismos dosadores, que é uma boa aproximação do ideal, mas que pode ser melhorada. O operador deve fazer o ajuste fino durante o plantio”, diz Gimenez.

 

Velocidade

De acordo com os entrevistados, muita gente perde a linha no quesito velocidade. Isso ocorre por descuido do operador ou porque a previsão do tempo não colabora, a janela de plantio é curta e o produtor precisa acelerar. “O maior problema é ter um operador que não está comprometido com a qualidade do plantio e começa a exceder o limite de velocidade”, afirma Miyasawa.

 

Independentemente do motivo para pisar no acelerador, a velocidade tem que respeitar as limitações do maquinário e regulagens. “A velocidade vai depender da população de plantas e do espaçamento entre linhas definido pelo produtor. Se a população for mais alta, a velocidade tem que ser menor”, diz o professor Leandro Gimenez.

 

A velocidade tem de respeitar o limite determinado pelo fabricante da plantadeira para não prejudicar a distribuição das sementes. “Adequar a velocidade ao equipamento que ele tem minimiza as bolsas de ar [no sulco de plantio]”, diz o especialista da John Deere, Tiago Oliveira.

 

Operador atento

De acordo o especialista da New Holland, o plantio precisa de operadores mais especializados. Além disso, também falta atenção durante o processo. “Quando a máquina tem um sensor eletrônico de sementes, a função dele é indicar quando há falhas. Sempre que ocorre alguma taxa fora do ideal, ele emite alertas e mostra qual linha está com problema”, diz Rogério Miyasawa. “O operador tem que parar a máquina e ver qual é o erro. Ele tem que entender como funciona a máquina e a falha no processo. Muitas vezes, ele acha que o sensor não está funcionando direito.”

 

Piloto automático

A adoção de piloto automático nas plantadeiras trouxe conforto e praticidade para a rotina do operador. De acordo com o gerente da Trimble, Jorge Strina, embora a tecnologia exista no Brasil desde os anos 2000, o piloto automático começou a se popularizar nos últimos cinco anos. “Sem a agricultura de precisão, o operador fica muito preocupado em manter o paralelismo das linhas de plantio. Quando ele coloca o piloto automático, o operador deixa a responsabilidade do alinhamento para o trator e tem tempo para visualizar melhor a operação como um todo.”

 

Há diferentes tipos de piloto automático e esses equipamentos estão evoluindo rapidamente. “A novidade é a possibilidade de fazer manobra automática de cabeceira. Até então, quando chegava ao fim do talhão, o operador tinha que fazer o retorno para o alinhamento. Agora, com o piloto automático ele diminui o tempo de manobra e ganha agilidade no plantio”, diz Strina.

 

Além disso, os fabricantes buscam oferecem interfaces mais amigáveis para o operador. Strina cita como exemplo o monitor TMX-2050 da Trimble, que funciona com sistema android, com aparência e funcionamento muito parecidos aos modelos de celular. “Muitas vezes, o operador tem dificuldade de entender o monitor. O sistema android é um ambiente familiar e ele se sente mais confortável”, diz Strina. “A gente também pode ter um monitor de plantio dentro da mesma tela do piloto automático. Assim, o operador consegue ter uma única tela que oferece tudo para visualizar as informações.”

 

Customização

Novos equipamentos permitem incorporar funcionalidades nas plantadeiras. Há tecnologias para controlar a adubação a taxa variável, realizar comando de desligamento linha a linha para evitar sobreposição de fileiras, por exemplo. Além disso, para que toda tecnologia seja viável, a coleta, transmissão e análise de dados no campo são constantemente aprimoradas. “Sem dúvida, houve um grande avanço na precisão dos dados”, diz Strina. Ele conta que a tecnologia da Trimble oferece precisão de até 3,8 centímetros nas linhas de plantio.

 

De acordo com Miyasawa, o agricultor deve avaliar a sua operação de plantio nos mínimos detalhes. “O produtor tem que investir em tecnologia para o melhor aproveitamento do plantio, menos erro e menos fadiga do operador. Tem bastante espaço para melhorar”, afirma o especialista da New Holland. O professor da Esalq, no entanto, vê o investimento em maquinário com ceticismo. “A semeadora é uma ferramenta de trabalho que tem que ser adequada ao que o produtor consegue extrair dela. Se durante a operação você não usa tudo que a máquina oferece, não tem motivo para ter tanta tecnologia incorporada”, diz Leandro Gimenez.

 

5 dicas para melhorar a plantabilidade

1 – Safra anterior

Cuidado com a colheita da safrinha de milho ou safras de inverno. Reduza as perdas e garanta que a palhada ou palhiço sejam distribuídos de forma o mais uniforme possível. Além disso, realize a dessecação das culturas com antecedência e de forma criteriosa.

 

2 – Plantadeira bem cuidada

Faça uma manutenção completa da máquina agrícola durante a entressafra, com uma boa limpeza, lubrificação e troca dos componentes desgastados.

 

3 – Solo e umidade

Avalie as condições do terreno para planejar o plantio. A regulagem da plantadeira deve ser adequada sempre que as condições do ambiente mudarem.

 

4 – Dosador de sementes

Compre sementes de qualidade e escolha o disco correto. Atenção para a limpeza dos componentes e regulagem. Adicione grafite para lubrificar as sementes.

 

5 – Análise de plantio

No início da operação, abra sulcos para a contagem das sementes e avalie se a distribuição está adequada. Faça um ajuste fino de regulagem da plantadeira. Capacite o operador para observar todos os alertas emitidos pela máquina e ser capaz de solucionar problemas em campo.

 

A semente ideal

Cuidados na compra do insumo e durante o tratamento melhoram a plantabilidade

 

O produtor sabe que a semente vale muito. Além de ser um dos principais investimentos na lavoura, conhecer a semente é fundamental para realizar as regulagens na plantadeira. De acordo com Márcia Terzian, gerente da Bayer SeedGrowth, os produtores devem ficar bem atentos à qualidade do insumo. “Quando a semente está padronizada, você consegue utilizar o correto disco na plantadeira e ter um plantio mais uniforme. Contar com um sementeiro de confiança e que entrega uma semente bem classificada faz toda a diferença”, afirma a gerente.

 

Teste de germinação

Para aprimorar o plantio, ela recomenda que produtor realize testes de germinação, assim que receber as sementes, pelo menos 20 dias antes de iniciar a safra. De acordo com Márcia, plantar cerca de 200 sementes é o suficiente. O produtor pode plantar sem maquinário, com a mão mesmo, em uma pequena área de testes. “Essa área é só para avaliar a germinação”, afirma Márcia.

 

De acordo com a gerente da Bayer, as empresas comercializam as sementes com garantia de 80% de germinação, então o produtor costuma colocar volume de sementes superior ao recomendado na plantadeira. “Mas, hoje em dia entregamos com 90% a 92% de germinação”, diz Márcia. Por isso, ela diz que a amostragem para teste de germinação é importante porque ajuda o produtor a definir a distribuição de sementes de acordo com o potencial de cada cultivar, sem desperdícios.

 

Tratamento de sementes

Outro detalhe importante é o tratamento de sementes. Segundo a gerente da Bayer, quando o produtor realiza o processo na fazenda os problemas ainda são frequentes. “A gente observa muito a falta de uniformidade, com sementes superprotegidas e outras sem tratamento adequado”, diz ela. De acordo com a gerente, sementes não tratadas podem quebrar durante o plantio e, com isso, não germinam, causando falhas nas fileiras. “O ideal é que o produtor tenha bons equipamentos para o tratamento de sementes ou que contrate alguém para fazer.”

 

Já a semente com tratamento industrial, além de receber um banho uniforme de defensivos químicos, é revestida por polímeros que ajudam na plantabilidade. Para o produtor que opta pelo tratamento caseiro na fazenda, o indicado é reforçar a lubrificação das sementes com grafite na plantadeira.

 

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Revista Farming Brasil

Farming Brasil. Ano 1, edição 3.
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