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Novilhas e bezerras: saiba como monitorar o peso sem usar balança

Desenvolvimento corporal do rebanho leiteiro está diretamente ligado à rentabilidade dos pecuaristas

O monitoramento de novilhas e bezerras é fundamental para o sucesso da pecuária de leite. Porém, nem sempre os pequenos produtores têm uma balança em sua propriedade para fazer o monitoramento adequado do peso dos animais e, consequentemente, antecipar a idade do primeiro parto.

 

Para facilitar a rotina do pecuarista, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), desenvolveu um método para estimar o peso corpóreo de bezerras e novilhas mestiças da raça Holandês-Gir, por meio do perímetro torácico. A técnica tem custo zero e eficácia garantida. Confira as orientações da Apta.

 

1 – Fita bariátrica

De acordo como o pesquisador da Secretaria, Ricardo Dias Signoretti, o acompanhamento do ganho de peso das bezerras e das novilhas, principalmente, nas pequenas propriedades brasileiras, ainda é pouco eficiente. “Uma maneira que facilita o manejo e que não acrescenta custo ao produtor é a implantação é o uso da fita bariátrica”, diz.

 

A determinação do peso corporal tem aplicações práticas fundamentais na criação de novilhas leiteiras, como administração adequada de medicamentos parasiticidas, correto arraçoamento do animal e estabelecimento de metas relacionadas ao peso, à cobertura ou inseminação artificial e o parto.

 

“A realidade econômica das fazendas leiteiras no Brasil, muitas vezes, não permite a aquisição de balanças para realizar a pesagem dos animais”, afirma Signoretti. A balança tem um custo acima de R$ 3 mil, dependendo da capacidade, e se for mecânica ou digital.

 

2 – Como realizar a medição?

Segundo Signorettim, a equação de regressão ajustada entre peso corporal médio em balança eletrônica em função do peso estimado do perímetro torácico foi Y= 4,7287, multiplicada pelo perímetro torácico. Neste número resultante, subtrai 441,86. O resultado indicará o peso do animal. A curva de regressão mostrou um elevado coeficiente de determinação e pode ser utilizada para estimar o peso corporal das bezerras e novilhas mestiças por meio do perímetro torácico.

 

3 – Cálculo na ponta do lápis

Em uma propriedade, o produtor mediu o perímetro torácico de uma novilha e obteve 154 cm. Qual o peso estimado desta novilha?

Y (peso estimado) = 4,7287 X (perímetro torácico) – 441,86

Y= 4,7287 x 154 + 441,86

Y= 286,36 kg

Essa novilha tem o peso corporal estimado em 286,36 kg.

 

4 – Desenvolvimento do método

No estudo realizado pela Agência foram utilizados 447 dados de peso corporal e do perímetro torácico de 104 bezerras e novilhas mestiças, com idade e peso corporal variando de 5,9 a 33 meses e de 127,50 a 458 quilos, respectivamente. “Trabalhos como esse são fundamentais para levar tecnologias para pequenos e médios produtores rurais”, afirma Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

 

Os animais foram pesados a cada 36 dias, em uma balança eletrônica, com capacidade de 1500 kg e passaram por medição de perímetro torácico – perímetro imediatamente caudal à escápula, passando pelo esterno e pelos processos espinhais das vértebras torácicas. Foram feitas medições com fita bariátrica, em três tomadas por avaliador treinado e o valor médio foi utilizado.

 

5 – Rentabilidade

O pesquisador da Apta explica que o desenvolvimento corporal das fêmeas do rebanho leiteiro está diretamente ligado à rentabilidade dos pecuaristas. O objetivo desses produtores é que as bezerras ganhem o máximo de peso possível, em um menor tempo, para que cheguem mais cedo à puberdade, diminuindo o tempo de recria dentro da propriedade. “Os custos de criação dos animais de reposição em rebanhos leiteiros é a segunda maior fonte de despesas em um sistema de produção, chegando a 25% dos custos da atividade”, diz o pesquisador.

 

No mercado brasileiro, é possível encontrar fitas bariátricas que estimam o peso corporal com base no perímetro torácico, mas elas foram confeccionadas seguindo medidas e pesos de animais leiteiros de origem europeia, como o Bos taurus. “O rebanho nacional é constituído, em sua maioria, por animais mestiços, por isso, a pesquisa da Apta ajustou equações de predição para calibrar as fitas e estimar o peso corporal dos animais mestiços”, diz o pesquisador.

 

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