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Máquinas agrícolas: motor sustentável

Saiba o que muda para o produtor rural com a nova regulamentação para reduzir as emissões de poluentes das máquinas agrícolas

O setor de máquinas agrícolas caminha para uma direção mais sustentável desde o janeiro de 2017, quando entraram em vigor as novas regras definidas pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) para Máquinas Agrícolas e Rodoviárias – Fase 1 (MAR – 1).

 

A sigla pode causar estranheza ao produtor rural, mas se traduz numa explicação bem simples: a regulamentação criou limites para as emissões dos poluentes monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC), óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado (MP).

 

Na prática, isso significa que a fase Proconve Mar1 exige novas tecnologias para os motores das máquinas agrícolas e a utilização de diesel com teor reduzido de enxofre. A Resolução CONAMA 433/2011, do Conselho Nacional do Meio Ambiente, define que as regras são aplicáveis para as máquinas agrícolas e rodoviárias novas, tanto nacionais quanto as importadas.

 

O que muda para o produtor?

As novas normas tornam a atividade agrícola mais sustentável, mas nada vai mudar de imediato na rotina do produtor ou operador de máquinas agrícolas. “A mudança fica mais na responsabilidade dos fabricantes. O produtor só tem que escolher máquinas que já atendam as novas exigências”, diz Gustavo Teixeira, especialista em homologação do produto da fabricante de motores FPT Industrial.

 

No entanto, como os motores estão se modernizando, é possível que o produtor se depare com novos parâmetros de manutenção, exigindo maior cuidado com os sistemas de injeção de combustíveis, por exemplo.

 

De acordo com informações da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a legislação não prevê data limite para comercialização das máquinas produzidas ou importadas antes vigência da regulamentação da fase Proconve MAR-1.

Por isso, o produtor não precisa se desfazer das máquinas agrícolas que já possui. As máquinas com motores mais antigos podem continuar operando sem restrições, por tempo indeterminado. O produtor também fica livre para comprar máquinas novas e usadas não certificadas.

 

Diesel com menos enxofre

Segundo a Anfavea, as máquinas que passam a atender as exigências do Proconve precisam usar um novo diesel com menor teor de enxofre porque esse combustível colabora com o desempenho das novas tecnologias usadas nos motores. Desde janeiro de 2014, todo o território nacional passou a ter o óleo diesel S10, que é o óleo diesel com baixo teor de enxofre e substitui o S50.

 

Por isso, em relação ao diesel, o produtor não precisa se preocupar. Se na propriedade ele usa o S10 nos seus caminhões e quer usar o mesmo combustível nas máquinas agrícolas não há problema. De acordo com o especialista da FPT, se o produtor tiver só o S500, que é um diesel usual e até mais barato, ele também pode usar. “Pelo tipo de sistema que foi desenvolvido, o produtor tem essa flexibilidade de usar qualquer um dos dois”, explica Teixeira. O produtor deve apenas comprar combustível original em fornecedores seguros.

 

Redução das emissões

De acordo Teixeira, a grande vantagem das mudanças é a redução de 60% na emissão de poluentes. “Cada dia se fala mais de aquecimento global, problemas climáticos e muitas vezes a gente se pergunta o que estamos fazendo para reduzir isso. A partir do momento que eu compro para a minha fazenda um motor mais ecológico, eu estou contribuindo para que isso aconteça”, afirma Teixeira. “Nós precisávamos desenvolver novos dispositivos no motor para diminuir o nível de emissões”, diz Teixeira.

 

Motor mais eficiente

Além da redução das emissões, os novos motores podem apresentar outras vantagens. Teixeira diz que alguns dos motores lançados pela FTP Industrial apresentaram, em média, 7% a mais de potência e 24% a mais de torque.

 

Outro benefício é a economia de combustível. “Os motores ficaram iguais ou conseguiram até 3% a mais de economia”, afirma Teixeira. As máquinas equipadas com os novos motores também devem ser mais silenciosas. De acordo com o especialista, a redução pode chegar a três decibéis.

 

Novas regras

As regras entraram em vigor para a fabricação de todos os modelos de máquinas agrícolas com potência igual ou superior a 75 kW (101 cavalos de potência) até 560 kW (761 cv). A partir de 2019, os modelos com potência igual ou superior a 19 kW (25 cv) até 75 kW (101 cv) também deverão respeitar os limites de emissões de poluentes definidos pela nova legislação.

 

Segundo a Anfavea, se comparada com motores não certificados ou não regulamentados, a redução da poluição de material particulado da fase MAR-1 pode chegar a 85% e a de NOx até 75%.

 

Tecnologias nos motores

Existem dois novos sistemas para máquinas agrícolas que fazem o motor reduz a emissão de gases poluentes. O EGR (Recirculação de Gases de Exaustão) e o SCR (Redução Catalítica Seletiva). De acordo Teixeira, o sistema EGR possui um eixo especial que faz a recirculação dos gases no interior do motor. “Os gases que seriam emitidos para a atmosfera voltam para dentro da câmara, reduzindo a concentração de oxigênio. A temperatura no interior da câmara reduz os poluentes”, explica Teixeira.

 

Já no caso do sistema SCR, é necessário injetar Arla-32 no sistema. O Arla-32 é um fluido a base de ureia que realiza reações químicas responsáveis por reduzir a emissão de gases poluentes. Esse produto é usado no Brasil desde 2012, quando a legislação ambiental determinou o seu uso em automóveis, ônibus e caminhões. A partir de agora, as máquinas agrícolas com o sistema SCR também passam a utilizar o produto.

 

Vale ressaltar que o Arla-32 é totalmente diferente da ureia usada na agropecuária. “O produtor compra o produto, abastece, um ponto especifico da máquina e o próprio sistema faz a injeção de maneira voluntária e vai reduzindo as emissões”, diz o especialista.

 

Geralmente, o sistema SCR está presente em máquinas com potência igual ou superior a 335 kW. O reagente Arla-32 pode ser encontrado dos mesmos postos de venda do diesel e é comercializado em embalagens de 20, 200, 1000 litros ou a granel.

 

 

A limpeza e a qualidade do combustível

Os componentes do motor sofrem desgaste prematuro por causa de diesel contaminado. A utilização de diesel com a presença de água, sujeira, micropartículas, sedimentos e até mesmo misturados inadequadamente com outros combustíveis pode se tornar um problema sério para o produtor rural.

 

Para evitar prejuízos no maquinário, a Anfavea recomenda adotar boas práticas de limpeza. Entre as orientações, o produtor pode esvaziar os filtros de água sempre que o depósito estiver cheio e substituir os filtros de combustível conforme as recomendações do fabricante. Além disso, armazenar e transportar corretamente o produto evita a contaminação. Seguindo essas dicas básicas, é possível prolongar a vida útil do motor.

 

 

* Essa foi a reportagem de capa publicada na terceira edição da revista Farming Brasil.

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