Integração Lavoura-Pecuária-Floresta - ILPF

Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária transformam fazendas em todo o Brasil

Produtores de todas as regiões contam os detalhes de implantação da tecnologia e como estão transformando suas fazendas em negócios superprodutivos

Os produtores Valdemar Antoniolli e Agenor Vicente Pelissa são amigos que moram em Sinop, no Mato Grosso, e suas fazendas estão localizadas no município de Santa Carmem, distantes menos de 100 quilômetros. Agenor vem de uma tradicional família de agricultores, enquanto Antoniolli tem a pecuária no sangue.

 

Suas histórias de vida e metas são bem diferentes, mas um destino em comum os aproximou: o desafio de implementar sistemas de integração para transformar suas fazendas em negócios mais produtivos e sustentáveis. A trajetória desses produtores retratam os dois lados da moeda na adoção da tecnologia. Enquanto o agricultor Agenor encontrou no gado uma nova atividade, o pecuarista Antoniolli aprendeu a plantar. “Confesso que fiquei muito surpreso com o resultado da integração. São tantos ganhos que fica quase impossível enumerar”, diz Antoniolli.

 

Pecuarista tradicional, Antoniolli se aventurou na integração lavoura-pecuária quando esse conceito mal existia no Brasil. No início dos anos 2000, ele tinha 1.700 cabeças de gado nelore na Fazenda Platina, com 2.400 hectares. Naquela época, as contas da fazenda estavam fechando no vermelho. “As nossas terras eram muito ácidas e pobres e estava difícil continuar na pecuária. O negócio tinha que se tornar viável ou eu teria que vender a fazenda. Integrar foi uma questão de sobrevivência”, conta Antoniolli.

 

Foi aí que Antoniolli ouviu conselhos de técnicos da região e decidiu investir na agricultura com o propósito de recuperar os pastos degradados da fazenda. “Eu nunca pensei em ser agricultor, a minha vocação é a pecuária. Mas a saída econômica que encontramos foi a integração e isso deu muito certo”, conta. Segundo ele, seria muito caro recuperar as pastagens e, sozinha, a pecuária levaria muitos anos para amortizar esse investimento. Com a agricultura, a lavoura fez o investimento compensar. “Não existe nada melhor nesse mundo do que fazer reforma de pasto com lucro, com a venda da soja. Se eu não tivesse a agricultura, eu teria um custo tão alto que a reforma seria inviável”, diz ele.

 

Aprendendo a semear

Na prática, um pecuarista não se torna agricultor da noite para o dia. O novo negócio exige investimento, tempo e dedicação. “Passamos por muitas dificuldades na compra de fertilizantes, defensivos. A gente foi comprando maquinário aos poucos”, diz Antoniolli. Mas, com persistência e muito trabalho, a agricultura foi mudando a paisagem da fazenda Platina. “Começamos a plantar arroz porque ele não exigia tanta correção de solo. A gente foi fazendo a lavoura etapa por etapa, plantava o pasto degradado com arroz por dois anos e depois entrava com a soja. Fizemos tudo na cara e na coragem.”

 

Segundo Antoniolli, as duas atividades se complementaram de forma incrível. “A soja é uma leguminosa que fixa nitrogênio na terra e o capim aproveita tudo isso e cresce bonito. Em contrapartida, o gado deixa as fezes e a urina no solo. Além disso, a gente desseca o capim antes de plantar a soja e essa cobertura ajuda a lavoura”, afirma Antoniolli. “Aqui não usamos mais adubo formulado. Eu compro o fósforo, o KCl [cloreto de potássio] e jogo com taxa variável. Vamos fazendo as correções de solo todo ano.”

 

Cercas intactas

Um detalhe interessante no processo de integração da fazenda Platina foi a decisão de manter as cercas intactas. “Todo pecuarista que quer migrar para a lavoura pensa que tem que arrancar as cercas. Aqui, a gente deixou as cercas no mesmo lugar e consegue fazer a rotação com a lavoura sem problemas”, conta Antoniolli.

 

Para sustentar essa decisão, ele só tem máquinas agrícolas com piloto automático e trocou a estrutura antiga por cercas elétricas e mais modernas. Ainda assim, manter as cercas tem uma desvantagem, porque há uma faixa de 50 a 80 centímetros onde não é possível cultivar grãos. “Tenho perda de 1% do total da área por causa da movimentação do gado, que anda na beira da cerca. Mas acho essa perda irrelevante”, diz Antoniolli.

 

Fazenda modelo

De lá para cá, a integração Lavoura-Pecuária gerou resultados invejáveis na fazenda. “O capim que foi plantado em cima de lavoura se mantém verde durante a época de seca e o gado não para de engordar”, conta Antoniolli. Não houve expansão de área, mas agora a fazenda comporta um rebanho de 4.500 cabeças, com taxa de desfrute entre 40% e 42%. “Estamos matando bois de 20 a 24 meses, com 18 a 20 arrobas. Eu gosto dos nossos resultados, mas temos metas para melhorar ainda mais”, diz Valdemar. “Vamos começar a plantar eucalipto para fazer sombreamento, pensando no bem-estar animal.”

 

A agricultura, além de recuperar as pastagens, segue como um negócio rentável na fazenda. Valdemar, que ainda se considera mais pecuarista que agricultor, mantém sempre 65% da área com capim perene. O restante é cultivado com soja na primeira safra, que após a colheita da oleaginosa abre espaço o plantio de capim. Enquanto inúmeras lavouras da região foram castigadas pela seca na safra 2015/2016, o produtor conseguiu um resultado satisfatório, com produtividade média foi de 54,5 sacas de soja por hectare. Para a safra 2016/2017, ele concluiu no início de novembro o plantio de soja em 1.100 hectares.

 

Novo negócio para engordar

Agenor Vicente Pelissa trilhou caminho inverso ao de Antoniolli. O agricultor, que cultiva grãos na Fazenda Dona Isabina, com 2.500 hectares em Santa Carmem (MT), passou a investir em gado nelore. “A dobradinha soja e milho é uma zona de conforto. Com a pecuária você tem um trabalho maior para manejar o gado, mas tem um novo negócio e mais uma mercadoria pra vender”, diz Pelissa.

 

Pelissa contou com a ajuda da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para integrar a fazenda. Na safra 2005/2016, ele cedeu uma área de 100 hectares para pesquisas, onde foi criada a primeira Unidade de Referência Tecnológica de ILP acompanhada pela Embrapa no Mato Grosso.

 

A área foi subdividida em cinco talhões de 20 hectares cada. Mantendo sempre a distribuição de área de 60% para as lavouras de soja e arroz e de 40% para pecuária, as pesquisas conduziram um sistema de rotação de culturas com soja precoce, arroz e pastagens e testou o plantio consorciado de braquiária com milheto, milho e sorgo. “Percebi que era bom trabalhar com coberturas. Com a cobertura vegetal durante o ano todo, o solo mantém a fertilidade em vez de ficar se desgastando naturalmente”, afirma. Segundo ele, outra vantagem é que investir na pecuária ajuda o agricultor a controlar pragas e doenças. “Quando você sai da monocultura de soja acaba com pragas e nematoides de solo”, diz ele.

 

Erros e acertos

Pelissa conta que, junto com os pesquisadores da Embrapa, testou inúmeras variedades até descobrir a receita de sucesso para a sua fazenda. “Testamos muitas coberturas até acertar. Uma cobertura que se destaca muito é a Brachiária ruziziensis. Cresce rápido, é palatável para o gado, o sistema radicular dela é agressivo e resiste bem ao clima da região”, conta Pelissa.

 

Porém, segundo Pelissa, o cultivo de milho consorciado com braquiária não se mostrou um bom negócio na fazenda. “Eu parei de plantar milho consorciado com braquiária para evitar perdas porque eles competem [por nutrientes] de alguma forma, então não valeu a pena”, conta Pelissa. “Hoje eu prefiro plantar milho transgênico de alta tecnologia e braquiária solteira.”

 

A expansão do sistema

Os erros e acertos na área experimental de 100 hectares na fazenda Dona Isabina não foram em vão. Pelissa replicou o modelo de sucesso em outra propriedade rural, a Fazenda Promissão, com 10 mil hectares em União do Sul (MT). Desse total, são mil hectares de integração lavoura-pecuária, com o cultivo de soja e pastos que acolhem 1.500 cabeças de gado nelore. “Faço integração nas áreas com solos mais arenosos, onde eu tinha problema de solo exposto e erosão”, conta Pelissa.

 

O gado é abatido geralmente com 24 meses e peso entre 18 e 19 arrobas. O cultivo da soja, por sua vez, alcançou produtividade média de 59 sacas por hectare na safra 2015/2016. “Nessa área colhi muito bem e não tive replantio. A palhada protegeu e manteve a umidade do solo enquanto que, fora da integração, colhi soja em alguns talhões com produtividade de 40 sacas por hectare por causa da seca”, conta o produtor. “Eu acredito que o sistema deve continuar avançando, mas vou manter a pecuária em cerca de 20% da área. É a agricultura que manda na minha fazenda”, diz Pelissa.

 

Adaptações na fazenda

Para garantir pastos de qualidade, Pelissa fez algumas adaptações na estrutura da Fazenda Promissão. “Eu precisava de uma plantadeira de alto rendimento para plantar braquiária, por exemplo, então precisei fazer adaptações no maquinário. Fiz modificações nas engrenagens da plantadeira de soja para plantar as sementes do capim e hoje consigo fazer um plantio bem feito”, conta Pelissa.

 

O produtor conta que também inovou no plantio a lanço aéreo. “Adaptamos a caixa de defensivos do avião pulverizador da fazenda, então conseguimos colocar sementes também. Semeamos o capim com o avião quando a soja está lourando. Então, quando eu colho a soja, o capim já está estabelecido”, diz ele. Outra estratégia para o gado foi a decisão de não construir cercas definitivas na fazenda. “Instalei apenas cercas móveis. São barras de ferro e fios elétricos em bobinas instalamos rapidamente. É uma coisa prática, movimentamos as cercas todo ano.”

 

Enquanto Pelissa colhe bons resultados com a integração na Fazenda Promissão, a parceria de pesquisas com a Embrapa segue firme e forte na fazenda Dona Isabina. Atualmente, Pelissa está testando o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, com plantação de grãos, pastagem e o cultivo de eucalipto em 10 hectares da fazenda. “As fileiras de eucaliptos são distantes uma da outra, algo em torno de 30 metros. Isso é o suficiente para entrar com as máquinas e pulverizar. A vantagem do eucalipto é o sombreamento que beneficia o gado. E depois, a madeira que eu colher vai servir para produzir cavaco e gerar energia”, conta o produtor.

 

Integração no brasil inteiro

A área total brasileira com a adoção de sistemas ILP e ILPF é de 11,5 milhões de hectares. No Mato Grosso, há cerca de 1,5 milhão de hectares integrados, de acordo com uma pesquisa da Rede de Fomento de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, realizada pela consultoria Kleffmann Group e divulgada em novembro. O sistema é tão flexível que coleciona histórias de sucesso em todas as regiões do Brasil. A pesquisa entrevistou 7.909 entrevistas que, assim como Antoniolli e Pelissa, já se lançaram na empreitada de diversificar os negócios.

 

Leite e grãos

No Rio Grande do Sul, o produtor João Kurtz Amantino cria vacas holandesas e búfalos, cultiva soja, milho e árvores frutíferas na Fazenda São João, com 200 hectares no município de Passo Fundo. Tudo começou em 2000, com o intuito de garantir conforto térmico aos animais. “A vaca holandesa sofria com o calor, então eu comecei a plantar várias árvores em volta dos açudes. Com o sombreamento, a temperatura muda muito e além do conforto animal eu colho frutas como pitanga, laranja e guavirova”, diz.

 

Depois, ele firmou parceria com amigos agricultores para implantar lavouras. São 60 hectares com o cultivo de soja em parceria com outros três sócios, sendo que Amantino fica com 35% dos resultados da lavoura. Sozinho, Amantino cultiva outros 60 hectares com o milho primeira safra que é destinada à alimentação dos animais. O rebanho leiteiro e os búfalos ocupam 60 hectares da fazenda e o restante da área é ocupada com áreas de reserva ambiental.

 

Sempre que as lavouras de soja e milho são colhidas, a segunda safra abre espaço para o capim. O rebanho de Amantino é composto por 70 búfalos, que vão para o abate com idade entre 18 e 20 meses e cerca de 450 quilos, e 390 cabeças de gado holandês. Há 213 vacas holandesas em lactação, com média de produtividade em torno de 25 litros de leite por animal por dia. “Faço uma exploração a pasto, com uma suplementação, em média, de 10 quilos de silagem e 4,5 quilos de ração por animal ao dia”, conta.

 

Amantino calcula que a integração de lavoura-pecuária gerou um aumento de produtividade de 20% nas lavouras e beneficiou bastante os animais. “Foi um ganho fantástico, o capim produz mais massa verde. Aumentou bastante a lotação dos animais, hoje eu tenho mais de seis cabeças por hectare”, diz. “A vantagem é o aumento da fertilidade do solo e aumento da produção. Há uma boa sinergia entre os diferentes negócios.”

 

Adeus, planta daninha

No Norte do Brasil, o pecuarista Luciano Vilela iniciou a integração com um objetivo claro: conseguir se livrar do capim duro, também conhecido como capivarão, uma planta daninha que prejudica o rendimento das pastagens. “Essa gramínea fica no meio do capim, compete com o mombaça, e o gado não come”, diz Vilela. “O grande problema da região é que quando uma pessoa pega um pasto tomado por esse capim, não adianta gradear a terra e plantar outro capim. O banco de sementes vem junto e o capim duro volta com tudo.”

 

Assim, em 2014 ele iniciou a integração ILP e gradativamente está aperfeiçoando o cultivo de milho e arroz na Fazenda Araguaiana, com 2.100 hectares e 2.700 cabeças de gado Nelore em Araguatins (TO). “Entrei com a lavoura em áreas com solo de má drenagem e muito infestadas por capim duro. Estou ampliando a área plantada aos poucos”, conta o produtor.

 

O clima da região da Fazenda Araguaiana não permite colher duas safras ao ano, como o que ocorre no Mato Grosso. Lá, Vilela vive outra realidade. No período de fevereiro e março, que seria hora da colheita precoce da soja para o plantio da segunda safra, chove muito e é impossível praticar a colheita. “Com o milho temos uma janela de colheita grande. Por esse motivo, a gente planta uma safra de milho e retarda a colheita para junho”, diz o produtor.

 

Na última temporada, ele plantou milho em 33 hectares em dezembro de 2015 e colheu uma média de 105 sacas por hectare em junho de 2016. No caso do arroz, Vilela plantou 45 hectares em fevereiro de 2016 e colheu 3.400 quilos por hectare em maio deste ano. “O arroz conseguiu pagar as contas, mas eu tive uma produtividade ruim. Por isso não vou plantar arroz nesta safra, eu preciso aprender mais”, diz Vilela. Na safra 2016/2017, ele vai cultivar milho em 87 hectares. “O objetivo da integração no nosso caso é liquidar o banco de sementes do capim duro.”

 

Economia com maquinário

Quando iniciou a integração, Vilela comprou uma plantadeira usada, por R$ 5 mil. Depois, investiu novamente em maquinário, comprando outra plantadeira usada, por R$ 73 mil. “Hoje em dia todo pecuarista aduba e aplica herbicida, então ele já tem algum maquinário. A única coisa diferente é a plantadeira”, diz.

 

Porém, para a colheita, ele afirma que não tem condições de investir mais de R$ 1 milhão para comprar uma colheitadeira, então a melhor estratégia é terceirizar o serviço. “Não vale a pena gastar uma fortuna em máquinas para plantar 100 hectares por ano”, diz. “O meu objetivo é a pecuária, a lavoura vem como uma ferramenta. Então acho melhor terceirizar a colheita, o custo fica em torno de R$ 350 por hectare.”

 

Outro fator que desafia a agricultura é a logística. “Não temos silo para guardar a produção, então temos que colher e vender logo”, conta Vilela. “A lavoura aqui é limitada por causa do clima e eu não vou acabar com pastos de 30 anos para fazer a agricultura, vou avaliar cada necessidade.”

 

Tem até coco

Na região Nordeste do Brasil, um modelo que chama a atenção é a Fazenda das Palmáceas, com 1.030 hectares em Estância (SE), do sergipano Joseval Pina Moura. O produtor conquistou bons resultados com a integração Lavoura-Floresta, consorciando coqueiro e leguminosa gliricídia, que serve para alimentar o seu rebanho de ovelhas e carneiros, com 1.200 animais santa Inês puros e mestiços. “O solo era arenoso e muito pobre. Sofri bastante porque eu tinha que aplicar muito adubo químico e orgânico”, diz.

 

Com a integração, que teve início em 2010, a realidade da fazenda agora é outra. Segundo Pina Moura, a produtividade de coco seco, que girava em torno de 5 cocos por pé, chegou a 30 cocos por pé. “Fiquei impressionado com a quantidade de proteína da gliricídea, que chega a 26%. Ela se desenvolve bem e melhora a qualidade do solo e eu ainda reduzi pela metade a compra de ração animal.”

 

Integração para todos

A história do Sítio Nelson Guerreiro, com 106 hectares em Brotas (SP), é um exemplo de que a integração também é possível no Sudeste brasileiro. “Implantamos a integração em 2011, em 45 hectares da fazenda. Tenho cinco pastos divididos em piquetes que são rotacionados com milho, braquiária marandu, piatã e gado. Todas as áreas estão com eucalipto”, conta a produtora Maria Fernanda, que herdou a fazenda do pai Nelson.

 

Engenheira Agrônoma, ela gostou tanto da proposta que se especializou e hoje atua como consultora nessa área. “O tamanho da propriedade não é problema. Eu já mandei atendi produtores com 1 hectare. Só precisa de tecnologia e assistência técnica, o sistema tem muito para explorar e crescer.” Além da produção de milho e da pecuária, com 32 matrizes nelore para a produção de bezerros, fora da área integrada a produtora cultiva laranja e cana-de-açúcar.

 

Quem integra não tem férias

Exageros à parte, integrar significa dedicação em dobro, de acordo com o depoimento de todos os produtores entrevistados pela Successful Farming Brasil. “Integração é para quem tem paciência e vontade de trabalhar. Você não vai ter sossego”, diz o produtor Agenor Pelissa. O produtor Valdemar Antoniolli concorda: “Quem tem integração, não para. Não vai para a praia no verão. A dica de ouro para conseguir integrar é ter persistência”, diz.

 

Além disso, todos frisaram que é importante se identificar com as atividades e receber assistência técnica. “Claro que eu recomendo que todo mundo faça a integração, o meio ambiente agradece. Mas se o agricultor não gosta de gado, não vai conseguir fazer a integração. Precisa ter vocação e cuidado para não se atrapalhar nas contas”, diz Antoniolli.

 

INTEGRAÇÃO EM NÚMEROS

No Brasil, as fazendas com sistemas ILP e ILPF ocupam 11,5 milhões de hectares

Mato Grosso do Sul – 2 milhões

Mato Grosso – 1,5 milhão

Rio Grande do Sul –  1,4 milhão

Minas Gerais – 1 milhão

Santa Catarina – 680 mil hectares

* Fonte: Rede de Fomento de ILPF

 

5 DICAS PARA NÃO ERRAR

A integração é como um quebra-cabeças a ser montado pelo agricultor. Cada fazenda tem um retrato único, o que permite uma customização da integração, levando em consideração informações técnicas relacionadas ao clima da região, relevo e solo da fazenda. “Não existe uma receita pronta. O produtor tem de ter objetivos claros e saber qual vai ser a principal fonte de renda. A integração vai depender da expertise dele e das condições da região”, diz o pesquisador João Meneguci, da Embrapa Agrossilvipastoril.

 

Sistemas de integração são capazes de revolucionar a agropecuária em clima tropical. De acordo com dados da Embrapa, o Brasil tem mais de 180 milhões de hectares de pastagens, sendo que mais da metade dessa área apresenta algum estágio de degradação e pode ser revertida em áreas de alta produtividade de grãos e carne. Isso muita gente já sabe. Porém, para tirar essa teoria promissora do papel e explorar o potencial da integração, há muito trabalho a ser feito. O desafio é ajudar o produtor a chegar lá. Confira 5 dicas da Embrapa para ter sucesso na adoção da tecnologia.

 

1 – Múltiplas possibilidades

Integração engloba lavopura-pecuária, pecuária-floresta, lavoura-floresta, tudo junto e misturado. Há infinitas possibilidades, mas o produtor tem de acabar com preconceitos e se dispor a aprender novas culturas. “Ainda há uma resistência para integrar, existe um choque cultural”, diz Meneguci. “Mas a resistência dos produtores não é por birra. É que quando não se conhece uma atividade, a ignorância assusta.”

 

2 – Qual é o objetivo?

É fundamental definir os objetivos do negócio, avaliar a estrutura física da fazenda e dimensionar o investimento. “Se a fazenda estiver numa região de solo arenoso onde seja difícil produzir grãos, a principal atividade pode ser a produção de gado”, afirma Meneguci.

 

3 – Parcerias

Para os mais conservadores que temem a integração, é possível começar aos poucos e em parceria com outros produtores. O pecuarista pode firmar parceria com um agricultor para implantar as lavouras. Um agricultor, por sua vez, pode manter parceria com um pecuarista para aprender a manejar o gado.

 

4 – Cuidado com as finanças

O produtor deve estudar o novo negócio e entender como o mercado funciona, como períodos de alta e baixa da atividade, valor dos insumos, logística e cotação final do produto. “Tem que ter organização, planejamento e acompanhamento agronômico”, diz Meneguci.

 

5 – Vale a pena

Entre as vantagens dos sistemas, Meneguci enumera a diversificação da fonte de renda, melhoria do solo, aumento de produtividade e a adoção de práticas mais sustentáveis. “Se considerarmos um pasto degradado, a partir do momento que adota o sistema, a lotação dos animais pode quadruplicar”, diz o pesquisador.

 

* Essa foi a reportagem de capa publicada na primeira edição da revista Farming Brasil.

 

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