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Integração Lavoura-Pecuária: a força da mandioca

Em Ivinhema (MS), importante município produtor de mandioca, pecuaristas arrendam área e economizam com o manejo do solo

A Integração Lavoura-Pecuária (ILP) com mandioca é uma das alternativas encontradas pelas propriedades rurais de Ivinhema (MS). O município é o maior produtor de mandioca do estado. A cultura já faz parte da tradição agrícola dos produtores mato-grossenses e a presença de agroindústrias para a produção de farinha e fécula também estimulam os produtores da região.

 

Do ponto de vista agronômico, a disponibilidade de área e a necessidade de rotação nas áreas cultivadas com mandioca são os dois principais fatores que garantem o sucesso da reforma de pastagem com a cultura na região.

 

De acordo com Valdeci Sebastião da Silva, técnico da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Agraer), em outras regiões, principalmente as mais fortes em soja, a disponibilidade de áreas não é tão grande como no município, onde a principal atividade é a pecuária. “A maior parte de cultivo de mandioca é em área arrendada e o pecuarista que arrenda pensa sempre na reforma de pastagem a custo baixo”, diz Silva.

 

Na prática

Na Fazenda Nara Edy, aproximadamente 500 hectares são dedicados a criação de gado nelore. A propriedade rural localizada em Ivinhema (MS) arrenda áreas para o cultivo de mandioca desde 2001. A produtora rural Edy Elaine Tarrafel, que também é presidente do Sindicato Rural de Ivinhema, conta que a prática surgiu como uma opção para reduzir os custos de reformar as pastagens degradadas.

 

Por que arrendar?

A cada contrato são arrendados, em média, 10 alqueires. Nessa área, o produtor de mandioca vai gradear, fazer análise do solo, aplicar calcário e corrigir o solo. Por ano, a pecuarista consegue entre 35 e 40 hectares de pastagens reformadas e prontas para o plantio de forrageiras.

 

Ela conta que a duração média do contrato é de um ano e meio. “No final do contrato eu recebo, além de uma renda, o pasto pronto e corrigido. É mais vantajoso arrendar do que fazer o cultivo. A rentabilidade é alta”, diz a produtora rural.

 

Qual seria a diferença se fosse reformar o pasto?

Caso ela mesma fosse reformar o pasto, o custo seria mais alto. “Eu teria que ter maquinário a disposição, mão de obra, gasto com calcário e com adubo para a correção de solo”, diz Edy. “Nesse sistema, a gente vai corrigindo devagar, todo ano com pasto novo e sem ter todo esse custo.”

 

Negócio vantajoso

Depois que a área volta para a mão do pecuarista, os resultados são vantajosos. A pecuarista conta que a produtividade do capim aumenta, assim como a lotação e os custos caem. “A Integração Lavoura-Pecuária é fundamental para a nossa sobrevivência no campo e para a sustentabilidade, é uma questão de consciência”

 

Outras regiões

Se a rotação com mandioca é tão favorável para o manejo de pastagens, por que a prática não é tão comum em outras regiões? A resposta está na conjuntura de Ivinhema (MS), onde o clima é favorável para o cultivo da raiz e tem compradores para a matéria-prima espalhados pelo município.

 

Segundo Silva, técnico da Agraer, as agroindústrias que processam mandioca precisam estar perto para que a produção de mandioca seja viável para o agricultor que arrenda a área.

 

Além da logística, a falta de tradição dos produtores com o cultivo da mandioca também reduz a produção em outras áreas. O técnico explica que além do plantio, um parte da colheita dessa cultura é feita manualmente, o que exige mão de obra capacitada para a atividade.

 

“O nosso trabalhador já está acostumado com a mandioca. Já existe uma tradição”, afirma Silva. “Existem os produtores que gostam da cultura e os trabalhadores que já estão acostumados com o manejo.”

 

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