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Gesso agrícola: tudo que você precisa saber para usar corretamente

Saiba por que a aplicação desse produto é vantajosa, estimula o crescimento das raízes e pode alavancar a produtividade

Uma das principais características dos solos brasileiros é o déficit de cálcio e de enxofre, principalmente nas áreas do bioma Cerrado. Uma alternativa para esse problema é a aplicação de gesso agrícola, produto que ganhou força no campo nas duas últimas décadas. Embora a aplicação já seja bem difundida no Brasil, os produtores ainda têm dúvidas sobre o correto manejo e eficácia do produto.

 

Em comparação com outros produtos para reposição de cálcio, a principal vantagem do gesso é a sua dissolução, que permite que ele chegue às camadas mais profundas do solo. A aplicação de gesso agrícola atinge uma profundidade de até 60 centímetros no solo. Isso estimula o crescimento do sistema radicular das plantas e a absorção de nutrientes é maior.

 

Já com a aplicação de calcário, os nutrientes são distribuídos numa camada de 30 centímetros de solo. “A raiz encontra um solo pobre em cálcio e para de crescer”, explica Vinicius Benites, pesquisador da Embrapa Solos, em entrevista para a Farming Brasil. Leia também: 4 mitos sobre a calagem que ainda confundem produtores.

 

A vantagem do gesso reflete na colheita. Segundo uma pesquisa da Embrapa Solos, a produtividade em lavouras de milho, por exemplo, podem aumentar de 3,2 toneladas por hectare para 5,5 toneladas por hectare com o uso do gesso agrícola. No caso da soja, a produtividade pode subir de 2,1 para 2,4 toneladas por hectare.

 

Aliado do Plantio Direto

A aplicação de gesso agrícola está se expandindo nas lavouras de grãos. De acordo com Benites, esse avanço acompanha a adoção do Sistema Plantio Direto. “O produtor parou de revolver o solo como quando fazia no plantio convencional e isso parou a ‘descida’ do calcário”, explica Benites. “O uso do gesso vem para amenizar essa situação, principalmente no Cerrado.”

 

Gesso natural ou fosfogesso?

No Brasil, existem dois tipos de gesso agrícola, o natural e o fosfogesso. A primeira opção é encontrada em minas naturais na Paraíba. Já o segundo tipo de gesso, que é um resíduo da produção de fósforo, pode ser comprado nas indústrias de fertilizantes fosfatados. Leia mais: 3 mitos e verdades sobre aplicação de fósforo e cálcio.

 

Tanto o gesso natural quanto o fosfogesso têm a mesma ação no solo. Mesmo assim, o produtor precisa entender que há algumas diferenças entre eles. O gesso natural é menos úmido e mais fácil de ser aplicado por causa de sua característica física favorável.

 

O fosfogesso é mais úmido e mais difícil de aplicar. Porém, tem uma vantagem logística, já que as minas de fósforo estão mais próximas das regiões produtoras. Isso faz com que o custo do frete seja menor e reduz o custo do produto. “O gesso natural pode custar mais que o dobro [na comparação com o fosfogesso] porque não tem em outro lugar”, diz Benites em entrevista para a Farming Brasil. Somente no estado da Paraíba existe exploração de minas de gesso e as reservas do produto são limitadas.

 

O ideal é que o gesso agrícola não esteja com alto teor de umidade e isso pode ser avaliado pela forma física. Nos casos em que o teor de umidade está alto, o material empelota e isso dificulta a aplicação. A dica é avaliar a textura ideal para que o produto seja facilmente distribuído nos equipamentos.

 

Quando usar gesso agrícola?

A análise de solo é fundamental para diagnosticar se a terra precisa de cálcio e definir a aplicação de gesso agrícola para repor o nutriente. Para realizar a análise, de acordo com a Embrapa Solos, o ideal é fazer uma amostragem nas profundidades de 20 a 40 centímetros de solo e também amostra de 40 a 60 centímetros para culturas anuais.

 

Se o solo apresentar saturação de alumínio maior que 20% ou teor de cálcio menor que 0,5cmolc/dm3, a aplicação de gesso agrícola pode trazer vantagens para a produção. “Em alguns casos, o uso de gesso não vai ter resposta. Se o perfil do solo já está corrigido e não responde ao enxofre, não tem necessidade de aplicar”, diz Benites.

 

É importante ressaltar que o gesso agrícola não tem a função de corrigir solos ácidos. Por isso, o produtor deve saber que o gesso agrícola não deve substituir o calcário quando o objetivo é a correção de acidez do solo. Porém, pode ser feita a aplicação conjunta de calcário e gesso agrícola sem nenhuma restrição.

 

Como acertar na aplicação?

Para conseguir uma boa resposta, o gesso agrícola deve ser aplicado três meses antes do plantio. O ideal seria aplicar, em média, a cada três anos na dosagem recomendada pela Embrapa, que vai variar de acordo com o teor de argila.

 

Tendo essa informação, é possível realizar o seguinte cálculo: Dose de Gesso Agrícola = 50 x Argila (%). Por exemplo, em um solo com 40% de teor de argila, a equação seria: Dosagem de Gesso = 50 x 40 = 2 mil quilos por hectare, ou o mesmo que 2 toneladas de gesso por hectare. Geralmente, o volume de gesso a ser aplicado fica entre 1 e 3 toneladas por hectare.

 

O fosfogesso tem um teor de fósforo que pode variar entre 0,6% e 0,8% do produto. Isso corresponde a até 8 quilos de fósforo por tonelada de gesso. “O fósforo é um fertilizante e é bem-vindo também. Muitas vezes essa aplicação faz diferença nos custos finais”, diz Benites.

 

O uso de gesso agrícola é bom:

– Para as áreas onde os solos respondem melhor à aplicação de cálcio e enxofre.

– Para o produtor que faz plantio direto, porque a terra não é movimentada e, nesse caso, só o gesso permite aplicação de cálcio em camadas mais profundas de solo.

– Para o produtor que utiliza fertilizantes com maior concentração de fósforo, mas o enxofre não está presente nesses produtos e é preciso repor o nutriente.

 

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