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Compost barn: a união do café com leite

Com essa tecnologia, o resíduo do cafezal é usado na produção de leite e retorna como adubo para a lavoura

Os hectares da Fazenda Santo Antônio, localizada em Caconde (SP), são divididos em três atividades, cafeicultura, pecuária de leite e de corte. Até 2018, as lavouras de café e os rebanhos bovinos não tinham nenhuma conexão. Porém, esse cenário deve mudar nos próximos meses com a implantação do compost barn feito com a palha do café.

 

O compost barn é uma técnica de manejo usada na pecuária de leite que valoriza o conforto das vacas. Para isso, são montadas uma estrutura que protegem o ambiente do sol, uma cama confortável para os animais e um sistema de ventilação para manter a temperatura agradável. O objetivo é manter a qualidade de vida e evitar o estresse das vacas.

 

A união com o café entra na montagem da cama, que geralmente são feitas de serragem e maravalha, mas que também podem ser montadas com palha de café. O resíduo, que não costuma ter uma função nas fazendas produtoras de café, é usado para garantir o bem-estar das vacas em lactação e, depois do processo de fermentação, volta para o cafezal como um adubo orgânico. O resultado dessa combinação é o aumento de produtividade e redução de custos nas duas atividades.

 

De acordo com Paulo Gabriel Reis Nader, pecuarista e estudante de medicina veterinária, existem trabalhos que usam 60% de palha do café e 40% de serragem ou maravalha. Mas, ele recomenda o uso de 40% de palha do café e 60% de outras forragens. “É o ideal para ter a fermentação adequada e não correr o risco de ter aumento de potássio e carbono”, explica Nader.

 

Futuro próximo

Nader afirma que a partir de 100 animais a instalação do sistema já é rentável. Mas, na Fazenda Santo Antônio, ele e o pai decidiram chegar a 200 vacas para colocar o projeto em prática até o fim de 2018. Atualmente, eles tem 110 vacas em lactação. “O retorno vem rápido. Se o gado tiver uma genética boa e receber a nutrição adequada, o sistema pode aumentar a produtividade de 10 a 15 litros”, conta o pecuarista.

 

Ou seja, no caso de uma vaca que produz, em média, 20 litros no semi-confinamento, a produtividade pode saltar para 35 litros, sem um investimento alto. “O que aumenta é o custo de energia por causa dos ventiladores, mas o produtor também tem a opção de usar energia solar”, diz Nader.

 

Montagem e manejo

No compost barn, as camas têm vida útil estimada entre um e dois anos. O tempo vai depender do tamanho do espaço e da fermentação da mistura. A cama deve ter no mínimo 60 centímetros de altura, mas pode chegar a 1,20 metro.

 

Segundo Nader, o manejo é simples. “Basicamente é um trator, com uma grade de arrasto, que vai virando 20 centímetros da superfície da cama”, explica o pecuarista. Geralmente, essa movimentação é feita três vezes por dia, quando a vaca vai para a ordenha. Nesse sistema, o mais importante é a temperatura e a fermentação da cama.

 

De volta para o cafezal

Quando chega o momento de renovar a cama, essa mistura da palha do café, com a serragem, as fezes e a urina dos animais volta para as lavouras de café em forma de adubo. Nader conta que o resultado é uma formulação rica em carbono e potássio. “No nosso caso a economia com pode ficar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, um terço do gasto com adubação”, diz o produtor.

 

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