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Vendas de agroquímicos recuaram 21,56% no ano passado

O contrabando está prejudicando o setor, podendo atingir até 20% das vendas de defensivos agrícolas no Brasil

De acordo com o balando anual de vendas de agroquímicos divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), houve uma redução de 21,56% nas vendas no ano passado em relação a 2014, totalizando US$ 9,6 bilhões.

 

Segundo dados da consultoria Kleffmann, o enfraquecimento do setor no Brasil contribuiu muito para a redução das vendas no mercado global, que caíram 9,8%, totalizando US$ 54,6 bilhões. É o primeiro ano em que o mercado global registra queda nesta década e põe fim a um período de crescimento durante cinco anos consecutivos.

 

Os fatores que causaram a queda nas vendas no Brasil foram a desvalorização do Real, o contrabando, que já atinge níveis expressivos, e a dificuldade de obtenção de linhas de crédito rural por parte dos agricultores, que afeta o fluxo de compra dos insumos e leva ao aumento dos estoques da indústria e canais de distribuição.

 

“A questão do crédito e a inadimplência no campo preocupa o setor significativamente. Por conta dessa condição, a indústria acaba financiando quase 70% das vendas aos agricultores”, comenta Silvia Fagnani, vice-presidente executiva do Sindiveg.

 

O peso das importações

A indústria, que trabalha com 80% de insumos importados, teve dificuldades em repassar o aumento de custos aos preços e perdeu em receita. “A desvalorização cambial ocorrida no ano, em torno de 50%, trouxe um forte impacto na rentabilidade das empresas, as quais não conseguiram repassar esta desvalorização para o campo”, comenta a vice-presidente executiva. O volume total das importações de defensivos agrícolas* em 2015 apresentou queda de 6,10% em relação ao ano anterior, atingindo 392.526 toneladas.

 

Classes de produto

Os inseticidas continuam sendo a classe mais comercializada, porém, houve uma redução de 35,2% nas vendas. Apesar da demanda crescente do uso desses produtos em tratamento de sementes e no campo – devido ao número crescente de pragas – o mercado de agroquímicos como um todo está perdendo para a comercialização ilegal de produtos. Estudos atuais apontam que o contrabando pode atingir até 20% das vendas de defensivos agrícolas no Brasil.

 

Como exemplo deste grande descontrole do comércio ilegal na região, em 2014, o Paraguai importou US$ 110 milhões excedentes à necessidade interna de Benzoato de Emamectina, inseticida registrado em caráter emergencial para combate à praga Helicoverpa armígera. Este excedente foi provavelmente todo destinado ao mercado brasileiro informalmente, sem registros de agrotóxico nem regularização das importações.

 

“A ilegalidade no mercado é um grande problema do setor, não somente pelas questões econômicas impactadas pela atividade irregular, mas, sobretudo, pela questão de segurança alimentar da população e risco de contaminação do meio ambiente”, diz Fagnani. “Desconhecemos a segurança desses produtos no campo, e por consequência, na mesa da população, uma vez que não passam pelo crivo das autoridades regulatórias.”

 

As vendas por Estado continuam sendo lideradas pelo Mato Grosso, seguido por São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. São Paulo teve sua participação aumentada devido à recuperação das lavouras de cana-de-açúcar, café e citrus.

 

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