Daniel Amaral, gerente de economia da Abiove

Precisaremos resolver questões tributárias e logísticas que encarecem a produção.

Naiara Araújo - DATA: 19/10/2015 Amaral conversa com a SF Brasil sobre a cadeia da soja e o programa Soja Plus

A soja é o carro-chefe da agricultura brasileira. Os produtores colheram 96,2 milhões de toneladas da oleaginosa na safra 2014/2015, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Desse total, 45,85 milhões de toneladas foram exportadas entre janeiro e agosto de 2015, o equivalente a uma receita de US$ 17,73 bilhões. Um segmento promissor e rentável como esse conta com o apoio de muitas entidades para continuar crescendo.

Entre as iniciativas que fomentam a sojicultura, destaca-se o Soja Plus, programa criado em 2011 para promover a sustentabilidade e melhorar a qualidade do grão brasileiro. O projeto, que é uma parceria entre a Aprosoja/MT, Abiove, Famasul, Famato, Faemg, Aiba, Banco do Brasil e Universidade Federal de Viçosa, já capacitou cinco mil produtores no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Bahia. Foram investidos R$ 12 milhões na promoção de cursos, dias de campo e em assistência técnica. Daniel Furlan Amaral, gerente de economia da Associação Brasileira Indústrias Óleos Vegetais (Abiove) fala sobre a cadeia da oleaginosa e o programa Soja Plus.

 

Successful Farming Brasil – Qual é o cenário da indústria em 2015?

Daniel Furlan Amaral

– A indústria da soja é o ambiente de maior credibilidade na agricultura e que contribui muito para a balança comercial brasileira. Neste ano, a expectativa é de gerar US$ 25 bilhões em exportação. A produção de óleos vegetais é um sucesso. Também geramos muito farelo que, junto com o milho, permite ao Brasil ser um grande exportador de carnes e rações. O fato de o País ser exportador aumenta o investimento em tecnologia. Aqui se produz mais com menos.

 

SF – A tendência é produzir mais óleo na próxima década?

Amaral

Sim. Acredito que vamos ter um aumento da demanda doméstica por óleo para o preparo de alimentos e um aumento da produção de biodiesel. Também existe a necessidade de investir no aumento de produtividade de outras oleaginosas, como a canola e o girassol.

 

SF – O que será preciso para produzir mais?

Amaral

– Precisaremos de muito investimento e resolver uma série de questões tributárias e logísticas que encarecem e diminuem a produção. Em algumas regiões do Brasil, a capacidade de armazenagem é bastante inferior do que requer a agricultura. Isso acaba sobrecarregando o sistema de transporte em alguns meses do ano. A gente precisa acreditar que o Brasil vai se recuperar da crise e voltar a ter uma trajetória de crescimento.

 

SF Brasil – Qual será o papel da chamada região “Matopiba” (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) para a produção da oleaginosa?

Amaral

Essa região tem um enorme potencial produtivo, um estoque de terras aráveis, mas é uma região que carece de investimos em logística para reduzir custo de escoamento. Carece de um planejamento mais integrado do ponto de vista tributário e logístico. Seria prudente e produtivo se os governos estaduais e prefeituras trabalhassem em parceria em prol do interesse da região. Juntos, esses Estados têm uma quantidade de terra interessante. Se as lideranças trabalharem juntas para resolver os problemas e para que o custo [de produção] seja menor, a região pode crescer ainda mais.

 

SF Brasil – Qual é a importância do Soja Plus?

Amaral

O objetivo é levar conhecimento ao produtor rural, explicando a importância de cumprir a legislação. Isso é bom para ele e para a cadeia produtiva. O programa tem uma adesão muito grande nos principais Estados produtores. Com a legislação sendo cumprida, isso garante a sustentabilidade. Isso interessa para o consumidor e para o produtor, que está buscando se regularizar e prevenir qualquer tipo de problema. O importante é a conscientização do produtor.

 

 

SF Brasil – O programa atende produtores do MT, MS, MG e BA. Vocês pretendem expandir a iniciativa para outros Estados?

Amaral

Sim, estamos sempre abertos para levar o Soja Plus para outros Estados. Mas, a expansão depende muito mais do interesse do produtor local, sindicatos e associações. São eles que entram em contato com a Abiove e, a partir daí, nós enviamos materiais e técnicos para oferecer treinamento e dias de campo. O Soja Plus é um projeto do setor privado, que depende da indústria e do produtor para acontecer, e pouco depende do governo.

 

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Vamos ter um aumento da demanda doméstica por óleo para o preparo de alimentos. Daniel Amaral, gerente de economia da Abiove