DATA: 25/11/2015

Valorização do dólar não compensa a queda nos preços das commodities

O volume total exportado pelo agronegócio brasileiro será recorde, mas o faturamento em dólares deve diminuir em 2015

O volume exportado pelo agronegócio brasileiro avança para bater o recorde de 2013. Porém, cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, sinalizam que, pelo segundo ano consecutivo, o faturamento em dólar vai diminuir.

 

Até setembro, a diferença negativa estava em 12%, comparativamente ao período de janeiro a setembro de 2014 – o acumulado era de aproximadamente US$ 67 bilhões. Com a ajuda do câmbio, a receita agregada do setor, em reais, vai para o positivo, mas o ganho está em apenas 2,5%.

 

No mesmo comparativo (jan-set/15 frente a jan-set/14), o Real se desvaloriza 15%, de acordo com o Índice de Câmbio Efetivo do Agronegócio brasileiro – IC/Cepea, mas a queda dos preços em dólares é de 18,7%. Com isso, em reais, os preços de venda ao exterior (Atratividade das exportações – IAT/Cepea) estiveram 6% menores.

 

Os pesquisadores também analisaram o desempenho nos últimos 12 meses e, especificamente, em setembro. A partir desse conjunto de períodos, concluem que estão se acentuando as tendências de queda dos preços internacionais e também de aumento do volume.

 

O resultado positivo para o agronegócio, mais uma vez, vem do câmbio, que em setembro esteve 42% mais favorável aos exportadores do que há um ano. Entre os produtos tradicionalmente exportados, apenas café, açúcar e carne bovina não tiveram aumento de volume no comparativo dos primeiros nove meses de 2015 com o mesmo período de 2014, conforme cálculos do Cepea. Já entre os que avançam, o destaque tem sido o óleo de soja, com expansão de 20,4%. Seus principais compradores foram Índia, responsável por 41,9% das vendas brasileiras na parcial deste ano, e China, com 15,8%.

 

Outros produtos que também tiveram aumento do volume embarcado foram: frutas (16,5%), suco de laranja (15,2%), milho (11,3%), soja em grão (11%), madeira (9,6%), celulose (7,9%), carne suína (6,8%), carne de aves (6,2%), farelo de soja (5,4%) e etanol (3,5%). Os embarques de café tiveram ligeiro recuo (0,36%), enquanto as vendas externas das carnes bovinas (16,25%) e de açúcar (5%) tiveram quedas mais expressivas.

 

Por outro lado, quase todos os produtos tiveram queda dos preços de exportação (IPE-Agro/Cepea). No comparativo dos nove primeiros meses de 2015 com o mesmo período de 2014, somente o café teve aumento, de 3,02%. O etanol apresentou a baixa mais acentuada, de 25,1%, seguido pela soja em grão (24,4%), farelo de soja (23,12%), carne suína (21,9%), óleo de soja (19,2%), açúcar (16,2%), carne de aves (13,1%), milho (12,1%), frutas (8,33%), suco de laranja (8,21%), carne bovina (6,69%), celulose (6,22%) e madeira (5,77%).

 

Mas, sob o efeito do câmbio, madeira, celulose, carne bovina, suco de laranja, frutas, milho e das carnes de aves conseguiram ter seus preços internalizados em reais (IAT-Agro/Cepea) maiores que os do mesmo período do ano passado. Já o complexo da soja, carne suína, açúcar e o etanol continuam no negativo – o câmbio não foi suficiente para compensar toda a queda do preço externo.

 


Comente essa notícia.

Faça seu cadastro ou login gratuito para enviar comentários.