Colheitadeira.
DATA: 30/10/2015

Tecnologia e planejamento são diferenciais no cultivo de soja

Os produtores de soja que alcançaram rendimento acima da média nacional na safra passada contam o segredo do porquê são exemplos a serem seguidos

Produtividade e rentabilidade de soja acima da média nacional é resultado que leva tempo, dedicação e principalmente o uso planejado e racional de tecnologias sustentáveis. Isso é o que tem de sobra na Fazenda Palmeira, em Ponta Grossa (PR) da família Hilgenberg. Em 2015, o produtor e engenheiro agrônomo Alisson Alceu Hilgenberg, de Ponta Grossa (PR), foi o vencedor nacional da sétima edição do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, premiação promovida pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) para reconhecer campeões de produtividade.  Hilgenberg e o pai, Vilson, produziram na safra 2014/ 2015, 141,79 sacas por hectare na área do concurso, enquanto a média nacional é de aproximadamente 50 sacas por hectare. Outro campeão de produtividade é o produtor e agrônomo, Arthur Exley Edwards, de Ponta Porã (MS)  que atingiu na safra passada 127,17 sacas por hectare.

 

Para o chefe-geral da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias, que recebeu o Prêmio em nome dos Hilgenberb, o que diferencia os campeões de produtividade é que eles são exemplos de planejamento e de adoção de práticas sustentáveis. “Esses produtores estão fazendo bem feito o que precisa ser feito. Eles adotam as tecnologias disponíveis, produzem muito bem e estão focados na rentabilidade do sistema produtivo”, ressalta.

 

A história de sucesso da família Hilgenberg começou em 1979, quando recém-formado no curso de técnico agrícola, Vilson Hilgenberg, decidiu introduzir na fazenda da família um sistema de produção diferente na propriedade: o plantio direto na palha. “Há 32 anos adotamos o plantio direto e a rotação de culturas, o que traz muitos benefícios em todo processo produtivo”, diz Alisson Hilgenberg.

 

O sistema de produção com a utilização de plantio direto na palha se sustenta com a rotação de culturas. Por isso, os Hilgenberg cultivam no verão a soja (por duas safras) intercalando com milho e feijão. No inverno, a opção tem sido o cultivo da aveia preta. “A aveia faz uma boa cobertura do solo, além de auxiliar na estruturação do solo com proteção física, aumento da matéria orgânica e consequente manutenção de umidade e proteção contra o sol”, diz. “Além disso, com a rotação de culturas conseguimos trabalhar a descompactação do solo”.

 

Além da adoção continuada do plantio direto na área, Hilgenberg entende que outro marco no histórico produtivo da fazenda começou em 2008, quando ele passou a utilizar a Agricultura de Precisão para refinar o uso de tecnologias. “Percebi que tínhamos picos de produtividade em alguns talhões da propriedade e precisava entender o que estava acontecendo” diz. “A partir do diagnóstico levantado foi possível corrigir os talhões que apresentavam deficiência de fertilidade e restringir a adubação onde não havia necessidade”, relata.

 

Para o agricultor, a utilização da Agricultura de Precisão foi importante para padronizar em níveis elevados e, de forma racional, a produtividade de toda área. “Por isso, vejo que usar tecnologia é sempre vantajoso, porque o custo de utilização se paga”, diz. “No caso dos adubos, por exemplo, que é um item caro no custo de produção, ao identificar as áreas deficientes aplicamos precisamente onde há necessidade e evitamos desperdícios em áreas já produtivas”, diz.

 

A escolha de cultivares de soja leva em conta o potencial produtivo e o ciclo de desenvolvimento para permitir escalonamento no cultivo e na colheita. “Geralmente optamos por três cultivares com maturação diferentes para que o desenvolvimento seja gradativo e a colheita não fique toda concentrada em um único período”, afirma. Outra prática adotada pelo agricultor é a utilização de tecnologia para aplicação de agrotóxicos. “Sempre buscamos fazer as pulverizações de agrotóxicos com maior eficiência e eficácia para usar os insumos de forma racional”.

 

Entre as tecnologias que compõe o sistema de produção da Fazenda Palmeira estão a utilização de tratamentos das sementes com fungicidas e aplicação de micronutrientes (Cobalto e Molibdênio) e zinco. “A inoculação é feita separadamente, no sulco, para preservar as bactérias”, explica.

 

Os Hilgenbeg também adotam o Manejo Integrado de Pragas, utilizando o monitoramento da área para identificar a presença de pragas e seguir os níveis de ação preconizados pela pesquisa antes de qualquer aplicação de inseticida. “Toda aplicação encarece o custo de produção, por isso, entendemos ser necessário fazer o uso racional dos inseticidas”, diz. “Mesmo porque se aplicamos sem necessidade podemos estar selecionando pragas resistentes”, explica.

 

Com relação a doenças, Alisson tem uma estratégia diferenciada porque adota aplicações preventivas. “A ferrugem asiática, por exemplo, é muito agressiva para esperarmos a infecção da área. Por isso, optamos pela prevenção”, diz. “Procuro estar atualizado sobre os produtos mais eficientes, por meio dos resultados gerados pela pesquisa, diz

 

A Embrapa costuma ser fonte de consulta para o produtor quando há dúvidas, necessidade de tomar decisão ou buscar informação precisa e segura. “Buscamos informação sobre inovação na Embrapa, porque sabemos que não há interesse comercial como observamos nas empresas que comercializam produtos”, enfatiza.

 

De acordo com Luiz Nery Ribas, presidente do CESB, a tradição de plantio dos Hilgenberg retrata bem o trabalho realizado por grande parte dos vencedores do Desafio. “Não é de um dia para outro que um produtor consegue alcançar 100 sacas por hectare. Esse é um trabalho que leva anos para se desenvolver”, comenta. “São necessárias dedicação e experimentação, mas também precisa haver a convergência de diversos fatores, como as boas condições climáticas, um excelente perfil do solo, o uso de cultivares que preenchem todos os requisitos para alta produtividade e os ajustes finos do sistema de produção.”

 


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