Técnica pode aumentar em 30% a produção de tilápias em tanques-redes

Segundo a Apta, é possível reduzir os impactos ambientais utilizando um manejo alimentar adequado para que os peixes tenham maior aproveitamento

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), realiza pesquisa que busca aumentar a produtividade na criação de tilápias em tanques-redes, em represas rurais. Os trabalhos apontam que com a técnica é possível aumentar a produção em 30%. O ineditismo da pesquisa da Apta está na produção de tilápias em tanques-redes em condição de clima ameno, de 20ºC, e invernos mais longos, característicos da região de Monte Alegre do Sul, interior paulista.

 

O objetivo da pesquisa é levantar indicadores técnicos e econômicos para aumentar a produtividade, sem comprometer o meio ambiente. “É possível reduzir os impactos ambientais utilizando um manejo alimentar adequado e insumos (ração), para que os peixes tenham maior aproveitamento”, afirma a pesquisadora da Secretaria, que atua na Apta Regional, Célia Maria Doria Frasca Scorvo.

 

Na região de Monte Alegre do Sul são criados, principalmente, tilápias, bagres, peixes redondos e carpas. “A tilápia sempre foi produzida na região, mas em menor escala. Hoje, devido ao mercado comprador deste peixe, talvez seja a espécie mais criada”, destaca a pesquisadora. Outro ponto importante do estudo é o aumento da produtividade pela utilização mais intensiva dos reservatórios. “O uso das represas existentes com a piscicultura pode ser uma alternativa lucrativa”, diz Célia.

 

Em estudos realizados no Vale do Paraíba pela Apta Regional, com uso de tanques-rede em viveiros de produção de tilápia, houve aumento da produtividade de até 30% da criação. “Isso é importante, principalmente pelo fato de a região ser formada por produtores familiares”, afirma João Scorvo, pesquisador da Secretaria, que também atua na Apta.

 

As represas rurais são águas existentes nas propriedades rurais que podem ser usadas para irrigação, dessedentação de animais e para piscicultura, como mais uma alternativa para o proprietário. Levantamento realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) aponta que existem em São Paulo 147.357 represas ou açudes. A região de Monte Alegre do Sul detém mais de 15% deste total, com 12.751 represas ou açudes. “O Estado tem os grandes reservatórios de geração de energia que também estão sendo utilizados para criação de tilápias em tanques-rede”, afirma Célia.

 

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, afirma que mesmo com a criação dos peixes nas represas, é possível continuar utilizando-as para a irrigação e dessedentação de animais. “A criação dos peixes nesses espaços aumenta o lucro das propriedades. Uma das recomendações do governador Geraldo Alckmin é que nossas unidades de pesquisa sempre proponham alternativas para melhorar a renda dos produtores, com respeito ao ambiente”, afirma.

 

A pesquisa da Apta Regional, finalizada em 2014, teve apoio da empresa Guabi Nutrição Animal e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Meio Ambiente). A Agência realiza eventos para transferência de conhecimento sobre esse tipo de produção.

 

Perfil da região

A área de atuação do Polo Regional Leste Paulista, da Apta, abrange uma região de 28 municípios, sendo oito deles pertencentes ao Circuito das Águas, considerados estâncias turísticas e hidrominerais. A região de Monte Alegre do Sul é formada por importantes bacias hidrográficas interestaduais, como o Rio Piracicaba e Mogi Guaçu. Essas características levam as comunidades rurais a utilizar em processos de produção que minimizem os impactos ambientais, com aumento de produtividade, mas com a preservação das nascentes, rios e matas ciliares.

 

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