Soja
DATA: 01/12/2015

Soja sofre redução no teor de proteína ao longo do tempo

Pesquisadores da Embrapa coletaram 867 amostras da oleaginosa em diferentes municípios brasileiros para comprovar variações

O recebimento de lotes de soja com teores de proteína cada vez menores tem sido uma reclamação frequente dos fabricantes de ração animal, que usam o farelo da leguminosa como matéria-prima. O pesquisador Antonio Eduardo Pípolo, da Embrapa Soja (PR), conta que até o final da década de 1990, o Brasil produzia facilmente o farelo de soja com 46% de proteína, e em algumas regiões o farelo com 48%.

 

Devido à queda da qualidade da matéria-prima, esses teores de proteína no farelo não são mais facilmente conseguidos. “Se os teores de proteína no farelo não atingem os valores contratuais a carga pode ser devolvida ou sofre deságio”, diz o cientista.

 

Para avaliar as alterações observadas empiricamente nos teores de proteína, na safra 2014/2015, a Embrapa Soja coletou 867 amostras de soja em diferentes municípios de nove Estados brasileiros (RS, SC, PR, MS, MT, MG, GO, SP, BA). “Agrupamos os municípios e fizemos as médias das mesorregiões e dos estados”, diz o pesquisador José Marcos Gontijo Mandarino, da Embrapa Soja.

 

O levantamento revelou que a média de proteína (em base seca) é de 36,22% no Rio Grande do Sul; de 37,23%, em Santa Catarina; de 36,29%, no Paraná; de 36,46%, em Mato Grosso do Sul; de 35,47%, em São Paulo; de 35,83%, em Minas Gerais, de 35,56%, em Goiás, de 35,63%, em Mato Grosso e de 36,13%, na Bahia.

 

“O desejável é que o grão de soja tenha, ao menos, 36% de proteína e 14% de umidade para garantir a produção de farelo com teores de proteína adequados”, diz Mandarino. “No entanto, observamos por esse levantamento que, nessa safra, de fato, os índices brasileiros estão no limite e em alguns Estados abaixo do ideal”, afirma.

 

Carlos Arrabal Arias, pesquisador do mesmo centro de pesquisa da Embrapa, afirma que um dos fatores mais importantes para essa queda nos teores de proteína seria o fato de as empresas de melhoramento genético, nos últimos 40 anos, terem priorizado a produtividade, característica que tem uma relação inversa com o teor de proteínas. “Por isso, quanto mais soja se produz por hectare, menor o teor de proteínas que estará presente no grão”, diz.

 

Na avaliação de Pípolo, a variação nos teores de proteína e óleo é determinada principalmente por fatores genéticos, mas também tem forte influência ambiental. Só para se ter uma ideia, a média de rendimento nacional da soja subiu de 1.250 quilos por hectare, no início da década de 1970, para 2.800 quilos por hectare, nos anos 2000 e, atualmente a média nacional está em torno de 3.000 quilos por hectare.

 

Além da questão genética, os fatores ambientais também merecem atenção, como a disponibilidade de nitrogênio (N). “Esse elemento acumulado durante o ciclo da soja é utilizado durante o período de enchimento de grãos”, diz Pípolo.

 

A soja é valorizada principalmente por seu alto teor de proteína, média de 36% de proteína na safra 2014/2015, valor superior ao de outras oleaginosas. Por isso, a leguminosa tornou-se matéria-prima indispensável para produção de farelo proteico, utilizado principalmente na fabricação de rações para aves, suínos e bovinos e animais de pequeno porte.

 

 


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