DATA: 01/03/2016

Sistemas inteligentes de rastreamento valorizam o mercado de orgânicos

Para atestar a origem, a qualidade e a confiabilidade dos produtos, os sistemas de controle são aprimorados

Os chamados superalimentos – produtos nutritivos, bons para a saúde e com ingredientes especiais – estão em alta no mercado global de orgânicos, assim como a utilização de sistemas inteligentes de rastreamento da cadeia produtiva. A observação foi feita por Sylvia Wachsner, coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos), durante visita à última edição da BioFach – a maior feira de produtos orgânicos do mundo, realizada no início de fevereiro, em Nuremberg, na Alemanha.

 

Alimentos como a quinoa e a chia ganham destaque no setor. “A quinoa boliviana, utilizada como ingrediente de inúmeros alimentos, continua com presença forte. No entanto, como todo mercado potencial abre caminho para novas empresas, a entrada da quinoa branca, vermelha ou preta peruana, tem tirado uma fatia do mercado boliviano”, afirma Sylvia, que também considera a chia (semente originária do México e Guatemala) um ingrediente cada vez mais constante em produtos de diversos países.

 

Controle

Para atestar a origem, a qualidade e a confiabilidade desses produtos, os sistemas de controle de rastreabilidade no exterior estão cada vez mais aprimorados – e não só no mercado de orgânicos. “As exigências que recaem sobre os produtores, por parte dos grandes varejistas, ao adquirir alimentos, demanda uma rastreabilidade cada vez maior de toda a cadeia de fornecimento, do produtor ao distribuidor”, diz a coordenadora do CI Orgânicos, que cita o Global Gap como uma das ferramentas utilizadas.

 

Na cadeia de orgânicos, estes sistemas permitem localizar os ingredientes e insumos que foram utilizados em todas as fases de produção, processamento e distribuição. “No caso de um produto, ao ser certificado, as informações divulgadas pelo produtor são comparadas com as das certificadoras. Os supermercados europeus exigem que, nas embalagens, os alimentos incluam um código de barra ou um número que permita rastrear toda a informação até o produtor. Existem outros sistemas de rastreabilidade onde é possível conhecer a procedência de cada um dos ingredientes utilizados nos alimentos”, conta Sylvia.

 

Transparência

Segundo ela, a rastreabilidade “é um dos pilares da segurança alimentar para os consumidores, um sistema de transparência de informações do que esta sendo adquirido e indicado na rotulagem”. A especialista acrescenta que, “para os produtores, a informação obtida pela rastreabilidade serve de ferramenta de gestão para suas propriedades e empresas”.

 

A coordenadora do CI Orgânicos acredita ainda que “chegou o momento da agricultura orgânica brasileira construir sistemas inteligentes de rastreabilidade, nos quais participem produtores, agroindústrias, beneficiadores, certificadoras, varejistas, entre outros”.

 

Estimativas

Sylvia estima que o mercado brasileiro de orgânicos vai continuar a evoluir em torno de 20% a 30% ao ano. “Infelizmente, como carecemos de dados ou pesquisas confiáveis, a estimativa é baseada em conversas com alguns produtores”, diz, acrescentando que os hortigranjeiros comercializados em feiras locais e as entregas de cestas em domicílio são os segmentos que mais crescem no momento.

 

“Já o cadastro de produtores orgânicos do Ministério da Agricultura indica que a categoria que está em franca expansão é a dos agricultores familiares classificados como OCS (Organização de Controle Social), que dão seus primeiros passos no mundo orgânico produzindo hortigranjeiros.”

 


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