DATA: 26/02/2016

Sistema de agentes de controle biológico será exportado para Bolívia

A iniciativa será implantada em Santa Cruz de la Sierra, região com grande produção de soja

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo exportará para a Bolívia todo o know-how do sistema de fabricação de agentes de controle biológico, desde a implantação da fábrica até seu funcionamento de fato. Executada pelo Instituto Biológico (IB), da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) da Pasta, a iniciativa será implantada em Santa Cruz de la Sierra – região com grande produção de soja – pela associação boliviana Bionature SRL.

 

A negociação para a transferência internacional foi finalizada na capital paulista, no dia 18 de fevereiro de 2016. A equipe do Instituto Biológico não apenas ensinará sobre como fabricar os agentes, mas formulará o croqui do projeto estrutural, dará consultoria de equipamentos de acordo com a dimensão de produção, treinamento de funcionários, controle de qualidade com análises quali-quantitativa e estabilidade, além de consultoria de mercado.

 

“Na maioria das vezes, o que fazemos é vender o bioinseticida. Nesse caso não, a Bionature vai montar uma unidade de produção para atender os associados dela”, diz Orlando Melo de Castro, diretor da Apta, adicionando que “o Instituto Biológico tem se tornado referência nessa área” e lembrando que “é a primeira vez que isso é feito para outro país”.

 

Os produtores bolivianos aprenderão a produzir Beauveria bassiana para o controle de mosca-branca em soja; Metarhizium anisopliae para o controle de cigarrinhas da cana; e Trichoderma sp. para o controle do mofo branco da soja. No Brasil, o IB já transferiu a tecnologia do controle biológico para pelo menos 42 entidades, sendo que atualmente estão em vigor 15 contratos, celebrados em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag).

 

 

Controle crescente

O controle biológico utiliza a própria natureza para combater pragas como, por exemplo, o ácaro predador que se alimenta do ácaro rajado. É uma alternativa viável para quem não quer usar produtos químicos ou quer complementar os dois tipos para aplicação na lavoura.

 

Uma das iniciativas mais recentes da Secretaria é a fabricação de predadores do ácaro rajado, em Arujá, como forma de conter a praga em flores (saiba mais aqui). A iniciativa foi levada pelo IB para o município paulista e está sendo executada pela Associação dos Floricultores da Região da Via Dutra (Aflord).

 

A demanda por inovações que dispensem ou diminuam o uso de agroquímicos é crescente, como explicou Antonio Batista Filho, diretor do Instituto. “O setor está em crescimento, mais de 20% ao ano. É um aumento constante dessa demanda que existe por produtos mais sustentáveis. É uma tendência mundial a procura por métodos alternativos de controle de pragas.”

 

Outro indicador desse aumento na procura é a mudança no perfil das empresas que buscam essa tecnologia, passando de pequenas para multinacionais. “Inclusive tem uma da Holanda que trabalha somente com controle biológico. Elas estão comprando as empresas nacionais pequenas. O setor está em expansão”, conta Batista.

 

Desde 2000, o Instituto Biológico desenvolve o programa de assessoria para implantação e manutenção de biofábricas para produção de fungos entomopatogênicos, utilizados no controle biológico de pragas na agricultura. É também fiel depositário da coleção de cepas de fungos isolados, com reconhecimento do Ministério do Meio Ambiente.

 


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