DATA: 17/01/2016

Sistema Agroflorestal gera renda e recupera solos degradados

O sistema está colaborando para a recuperação dos danos causados por práticas incorretas de manejo no Noroeste Fluminense

Um mês após a implantação do primeiro Sistema Agroflorestal (SAF), o município de Italva (RJ), no Noroeste Fluminense, está vivendo a mesma experiência. O SAF é uma das práticas apoiadas pelo programa da secretaria estadual de Agricultura do Rio de Janeiro e possibilita a integração de árvores nativas e exóticas em uma mesma área, com fins econômicos. “É é mais atrativo do que outros sistemas agrícolas porque, enquanto as nativas se desenvolvem, o produtor pode ganhar dinheiro com a venda de produtos, como é o caso da banana”, conta o extensionista da Emater-Rio, Carlos Marconi.

 

O produtor Luiz Rangel, da microbacia do Valão do Prata, em Italva, levou isso em consideração na hora de optar pelo SAF para criar a sua reserva legal. De acordo com o Código Florestal, os proprietários rurais fluminenses devem reservar 20% da área de sua propriedade para preservação ambiental.

 

Luiz possui um terreno de cinco hectares e destinou mais do que o limite mínimo estabelecido para compor área de recarga. Ele trabalha com pequenas plantações de milho e banana, mas a sua maior fonte de renda vem das hortaliças. O produtor recebeu recursos do Rio Rural para comprar mudas e material para cercamento da área. “Você pode ver que onde tem mata a temperatura é outra, o ar é mais puro. É bom aproveitar essa oportunidade do programa”, diz ele.

 

Recuperação e proteção dos solos

O SAF colabora para a recuperação dos danos causados por práticas incorretas de manejo. Um solo degradado, por meio de queimadas, por exemplo, o terreno se torna cada vez mais pobre. “A água da chuva desagrega e compacta a terra. As espécies exóticas plantadas no sistema agroflorestal mantêm a umidade, criando ambiente favorável para que os microrganismos reestruturem o solo novamente, gerando porosidade e consequente capacidade de infiltração”, diz o engenheiro florestal Paulo Saraiva.

 

Rentabilidade

O engenheiro florestal também cita outro fator muito importante para o sucesso do SAF: a motivação financeira. “Se fossem só plantas nativas, o agricultor não teria muitos motivos para cuidar tão bem da área. Assim, a chance de sucesso é maior, pois ele vai plantar hortaliças no futuro e vendê-las. E para que isso dê certo, ele precisa fazer a poda das árvores”, afirma.

 

Já Carlos Marconi, da Emater-Rio, conta que o SAF pode ajudar muito na recuperação de áreas degradadas no Noroeste, região que viveu muitas décadas sob o regime da monocultura. Em Italva, até o meio do século passado, prevaleciam as lavouras de café e cana-de-açúcar e isso acabou por deixar o solo fofo e solto, pobre em nutrientes. Com a implantação do sistema agroflorestal, a biomassa aduba o solo naturalmente.

 


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