Setor sucroenergético reduziu em cerca de 95% a captação de água

A taxa média de captação de água foi reduzida da faixa de 15 a 20 m3/tonelada de cana para a faixa de 1 a 2 m3/tonelada

O período crítico de escassez de água que a região Sudeste tem enfrentado nos últimos dois anos, devido ao agravamento do período de estiagem de 2014, chamou atenção para a luta contra o desperdício, principalmente nas indústrias. Por isso, o setor sucroenergético se esforçou para reduzir expressivamente a captação de água para a utilização industrial.

 

De acordo com levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), nas últimas quatro décadas, a taxa média de captação de água foi reduzida da faixa de 15 a 20 m3/tonelada de cana para a faixa de 1 a 2 m3/tonelada de cana, ou seja, uma queda de quase 95% na captação, proporcionada por investimentos em reuso de água através de tratamento e recirculação, otimização do balanço hídrico industrial e adoção de novas tecnologias como, por exemplo, a limpeza a seco da cana. Isto certamente coloca o setor canavieiro numa situação privilegiada em termos de uso de água nas unidades produtoras.

 

Só no Estado de São Paulo, por exemplo, o setor reduziu a demanda por água industrial de cerca de 13% para 7% na última década. Em relação à oferta mínima do recurso na região, o segmento utiliza somente 2,5% de água para seu uso industrial, derrubando o mito de que é um grande consumidor.

 

A maior parte da produção de cana não é irrigada

Ao contrário do que se imagina, a produção de cana no Brasil praticamente não é irrigada, não havendo, assim, conflito de água no setor, o que representa mais um indicador da cadeia sustentável da produção canavieira brasileira, que também permite a redução de gastos hídricos com a geração de energia a partir da queima do bagaço e da palha de cana, que contribui com a produção energética nos períodos de seca no Brasil.

 

Proteção de nascentes

Outro fator que se destaca na preservação de recursos hídricos promovida pelo setor sucroenergético é a proteção de nascentes e recuperação de matas ciliares. No estado paulista, 94% da produção canavieira são de usinas participantes do Protocolo Agroambiental, acordo voluntário entre o setor, com apoio da UNICA, da Secretaria de Meio Ambiente e da Secretaria da Agricultura, que antecipou a eliminação do fogo para colheita de cana e acabou com a lavagem de cana.

 

Este programa denominado Etanol Verde, implantado em julho de 2007, de acordo com os resultados de 2015, mostrou que as usinas e fornecedores de cana conseguiram recuperar cerca de 270 mil hectares de áreas ciliares, contando com a proteção de 8.100 nascentes. Outra conquista do protocolo foi a diminuição gradativa do consumo de água industrial chegando a valores médios em 2015 de 1,12 m3/t cana processada.

 

Para o Consultor Ambiental e de Recursos Hídricos da UNICA, André Elia Neto, os cuidados para evitar o desperdício de água devem ser constantes. “Mesmo com todas as conquistas do setor, precisamos ainda de políticas de médio e longo prazo que utilizem tecnologias inovadoras para diminuirmos mais ainda os impactos nos recursos hídricos, buscando utilizar a água da própria cana para reuso industrial”, diz o executivo.

 

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