DATA: 07/01/2016

Seca no Mato Grosso e na região Matopiba prejudicam a safra de soja

Com clima adverso em importantes regiões produtoras, estimativas encolhem e o sonho brasileiro de produzir mais de 100 milhões de toneladas fica mais distante

Após uma estiagem prolongada no final de 2015, a consultoria INTL FCStone revisou novamente a expectativa de produção brasileira de soja para baixo, dessa vez resultando em 97,8 milhões de toneladas, redução de 1 milhão de toneladas em relação à estimativa anterior. As regiões mais afetadas pelo clima seco foram o Mato Grosso e a região Matopiba, com destaque para este último, região que abrange os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

 

Matopiba

“No Matopiba, o stress hídrico é mais preocupante porque o nível normal de precipitações nesta época já é mais baixo do que em outras áreas produtoras do Brasil”, alerta a coordenadora de inteligência de mercado da consultoria, Natália Orlovicin. Nesta região, a INTL FCStone estima que os danos provocados pela falta de umidade no solo na fase de crescimento vegetativo refletirão em produtividades muito abaixo do esperado inicialmente. Com isso, a produção dos quatro estados ficaria em 10,3 milhões de toneladas.

 

Mato Grosso

Com relação ao Mato Grosso, as variedades precoces de soja, que foram plantadas no início da janela (entre setembro e outubro), devem ter sua produtividade reduzida em função do déficit hídrico, especialmente no Centro-Norte do estado. No acumulado do estado, espera-se que sejam retirados dos campos 27,3 milhões de toneladas neste ciclo. Natália explica que, apesar da melhora climática no início de 2016, com volume de chuvas abundante, algumas perdas já são irreversíveis.

 

Região Sul

O fôlego para a safra atual vem da região Sul do Brasil, cujo clima foi muito favorável ao desenvolvimento das lavouras, mesmo com o excesso de chuvas trazendo alguns problemas pontuais. A falta de luminosidade dificilmente trará problemas para a produtividade, enquanto a proliferação de doenças pode causar alguma perda marginal. Colocando todas as variações climáticas na balança, o volume brasileiro total produzido ainda deve ficar acima do registrado no ciclo anterior, alcançando recorde histórico.

 

Tudo igual para o milho

A INTL FCStone não trouxe alterações na estimativa para a primeira safra de milho 2015/16, em sua revisão de janeiro. A área plantada ficou em 5,76 milhões de hectares, o que representa uma queda de 6,4% frente ao alcançado no ciclo anterior, enquanto a produção registrou 27,86 milhões de toneladas, considerando um rendimento médio de 4,84 toneladas por hectare.

 

Apesar dos atrasos observados no cultivo da soja na região central do país, devido ao clima mais seco e irregular, que impactam na janela ideal de plantio do milho segunda safra, a área plantada estimada para o cereal ficou em 9,74 milhões de hectares, o que representa um leve aumento frente ao alcançado na safra de inverno 2014/15. A expectativa de produção também manteve inalterada em relação ao calculado no mês anterior, em 53,27 milhões de toneladas.

 


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