DATA: 09/10/2015

Seagri e Abaf agem para controlar Lagarta Parda

Parceria visa impedir a proliferação da praga que já atacou cultivos de eucaliptos e café no Sul da Bahia

“Estamos atentos e agindo preventivamente para controlar e evitar a proliferação da praga da Lagarta Parda no sul e extremo sul do Estado, onde já atacou os cultivos de eucaliptos e café, ameaçando também a cacauicultura”, afirmou o secretário da Agricultura da Bahia (Seagri), Paulo Câmera, destacando a importância do  Programa Fitossanitário de Controle da Lagarta Parda no Estado da Bahia, lançado em Teixeira de Freitas. “A informação e a conscientização dos produtores são armas importantes que estamos utilizando, ao tempo em que estimulamos o combate biológico, sem uso de agrotóxicos, para proteger o homem e outras culturas”, destacou Câmera. De acordo com o secretário, “a defesa agropecuária é uma das prioridades do governo”.

O Programa Fitossanitário de Controle da Lagarta Parda no Estado da Bahia foi lançado pela Seagri, através de sua Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), em parceria com a Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (Abaf) e entidades parceiras, durante seminário que reuniu quase 200 produtores. Durante o evento foi instalada a Comissão Técnica Regional (CTR), liderada pela Adab, responsável pela aplicação do plano de manejo para o controle da Lagarta Parda, com a participação das prefeituras, das empresas e das entidades ambientais.

O controle da Lagarta Parda está sendo realizado com o inseticida biológico à base de Bacillus thuringiensis, produto biológico, de ocorrência natural, que controla de maneira eficaz as lagartas desfolhadoras. O produto é específico para lagartas, ou seja, não oferece risco à saúde do homem e animais. O mecanismo de ação do B. thuringiensisse libera toxina no sistema digestivo alcalino das lagartas e, por isso, é inofensivo a todos os demais organismos, inclusive aos pássaros que se alimentam das lagartas mortas.

Além disso, conforme explicou Guilherme Bonfim, superintendente de Políticas do Agronegócio da Seagri, 10 milhões de vespas, predadoras naturais da Lagarta Parda, estão sendo soltas na região, reforço importante para combater a praga. De acordo com Bonfim, “O programa lançado visa estabelecer um método de controle preventivo, para que não aconteça, por exemplo, o que aconteceu no Oeste do estado com a Helicoverpa Armigera que causou prejuízos superiores a R$ 2 bilhões na Bahia e mais de R$ 10 bilhões no Brasil”.

O diretor de Defesa Vegetal da Adab, Armando Sá, enfatizou que a Lagarta Parda é uma praga que está impactando muito a região, podendo causar impactos negativos significativos na pauta de exportação que tem grande participação de celulose e papel. “Como primeira ferramenta desse controle, estamos empossando a Comissão Técnica Regional (CTR), de suma importância por agregar todos os elos da cadeia envolvidos na questão do reflorestamento e de outras culturas que possam ser impactadas”, explicou.

Nesse sentido, o presidente da Abaf, Sérgio Borenstain, ressaltou a importância de todos os produtores rurais e das grandes empresas participarem do programa. “É fundamental o envolvimento de todos para que haja o monitoramento da Lagarta Parda e o controle, de preferência, biológico”, disse ele. Representando os produtores de eucalipto, o presidente executivo da Associação de Produtores e Eucaliptos do Sul da Bahia (Aspex), Gleyson Araújo, destacou a participação da entidade no programa e a “importância de fazermos estudos e trabalhos científicos para entender melhor essa praga que nos assola”.

“As empresas de base florestal estão unindo esforços a outras instituições de pesquisa, extensão e de produtores rurais para buscar soluções coletivas que possam fazer frente ao risco de aumento desta ameaça à produtividade da agricultura na região”, informa Wilson Andrade, diretor executivo da ABAF.

A Lagarta Parda ataca o eucalipto, café e cacau, dentre outras culturas, desfolhando as plantas. Este inseto é nativo, com presença já registrada ao longo dos anos em 14 estados brasileiros. Especialistas acreditam que mudanças no clima e desaparecimento de inimigos naturais podem estar favorecendo o aumento momentâneo da população deste inseto.

 

 


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