DATA: 27/01/2016

Santa Teresa será o primeiro município capixaba a produzir azeite

A expectativa é de que até o final do plantio cerca de 70 produtores rurais estejam envolvidos na atividade

O cultivo de oliveira ganha cada vez mais espaço nas propriedades rurais de Santa Teresa, no Espírito Santos. Em poucos anos, a expectativa é de que o município seja o primeiro do Estado a produzir azeite de oliva. Com as orientações do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), 18 produtores já iniciaram o plantio das primeiras seis mil mudas.

 

Carlos Alberto Sangali de Matos, extensionista do Incaper, diz que a atividade é pioneira no Estado em caráter econômico. “Santa Teresa vai produzir o primeiro azeite puro do Espírito Santo e a atividade oferece uma altíssima rentabilidade”, afirma. De acordo com o extensionista, a planta começa a produzir a partir dos cinco anos e ganha estabilidade de produção a partir dos 10 anos, podendo atingir até 10 toneladas de frutos por hectare.

 

“O cultivo de oliveiras é uma atividade que, por ser floresta, permite que o produtor trabalhe a questão da sustentabilidade”, diz Matos. “As regiões mais altas, acima de 800 metros, estão sendo ocupadas por eucalipto ou café arábica e a oliveira é uma opção de diversificação.” Ele ainda diz que o custo para a implantação é mais alto do que nas outras culturas, mas o retorno financeiro a longo prazo compensa.

 

Planejamento

O trabalho com oliveiras começou com bastante antecedência e muito planejamento. Há quatro anos o Incaper implantou uma unidade de observação no município, com 40 plantas de quatro variedades diferentes. O cultivo foi monitorado durante todo este período. Segundo Matos, o Instituto foi observando o desempenho das plantas, se ela iria produzir, ser resistente a pragas e doenças. “Notamos vários pontos positivos e resolvemos estimular os produtores a entrar na atividade”, disse Matos.

 

Além da unidade de observação, foram feitas diversas reuniões e excursões técnicas a unidades de demonstração. O objetivo foi justamente mostrar aos produtores a viabilidade desta atividade, que desponta como mais uma excelente opção de renda para o produtor. Nesta primeira etapa, 18 produtores plantam 30 hectares com seis mil plantas das quatro variedades. Em 2017, devem ser plantadas mais seis mil mudas em 30 hectares. Em 2018, mais oito mil mudas, totalizando 20 mil mudas em 100 hectares. A expectativa é de que, até o final do plantio, entre 60 e 70 produtores rurais sejam envolvidos na atividade.

 

As plantas devem começar a produzir em cinco anos. A expectativa é de que a primeira produção de azeite comece em 2020. O próximo passo já foi iniciado: esboçar uma agroindústria, a ser implantada em 2019 (antes da primeira safra), a fim de produzir o primeiro azeite puro genuinamente capixaba.

 

Parceria

Para iniciar o cultivo de oliveira no Espírito Santo, o Incaper contou com a experiência do Estado vizinho, Minas Gerais, e de outros parceiros. “Quando se fala em oliveira, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) é detentora do conhecimento técnico, e referência em toda a América Latina”, diz Matos.  A questão fitopatológica foi discutida junto com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), que realizou o monitoramento de pragas e doenças junto com o Incaper.

 


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