DATA: 12/01/2016

Renda menor faz brasileiros optarem pelo consumo de proteínas mais baratas

O consumo de aves e suínos tem espaço para crescer, enquanto a demanda por carne bovina pode se manter em equilíbrio

Os impactos da forte estiagem no Centro-Sul do Brasil em 2013 e 2014 devem cessar em 2016, com os índices zootécnicos do setor pecuário voltando ao normal e favorecendo alguma recuperação da oferta de animais. Entretanto, as perspectivas macroeconômicas brasileiras não são das melhores.

 

Apesar disso, de acordo com as perspectivas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada para a pecuária, os hábitos de consumo e as exportações podem manter o segmento com contas positivas. A pecuária bovina de corte pode considerar certa sustentação do consumo de carne por parte dos brasileiros em relação ao visto no ano passado, respaldada no hábito consolidado e também no desempenho promissor no mercado externo.

 

Com a renda menor, a procura por proteínas mais baratas que a bovina pode crescer, mas situações passadas e estudos econômicos evidenciam a versatilidade da própria carne bovina para se manter presente nas refeições. De forma agregada, mesmo com vários indicadores econômicos apontando dificuldades para o consumidor, o volume demandado no País pode se manter em relativo equilíbrio com o do ano passado. Ou, ainda que a demanda seja forçada a se retrair, há de se considerar que a melhora da oferta que pode ocorrer em 2016 ainda não seria significativa.

 

Exportações 

Para as exportações, fundamentos apontam aumento de volume e de faturamento. Com o crescimento econômico dos Estados Unidos, sua demanda interna se fortalece e, em alguma medida, diminui seu excedente exportável, sem dizer da recente reabertura para a carne in natura brasileira – ainda que não sejam esperadas grandes vendas para aquele país, a medida tem repercussão positiva ao Brasil no mercado internacional. A melhora da economia europeia, no mesmo sentido, entra na lista de possíveis estímulos às exportações brasileiras de carne de maior qualidade.

 

Muito significativa é também a reabertura da China, que voltou a comprar a carne bovina do Brasil em 2015, após três anos de embargo. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, em outubro, este país já foi o segundo principal destino dos embarques de carne bovina brasileira. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne estima que os embarques àquele país somem 200 mil toneladas em 2016.

 

Por outro lado, dificuldades enfrentadas por compradores tradicionais, como Rússia e Venezuela, devido aos baixos preços do petróleo, podem restringir os volumes exportados pelo Brasil. O novo governo argentino também está retomando a participação de seu país no comércio internacional e isso pode significar a perda de alguns segmentos que vinham sendo atendidos por empresas brasileiras. Porém, caso as exportações argentinas avancem muito bem, pode também ser aberto espaço mesmo para vendas da carne brasileira naquele país.

 

Avicultura

Entre os setores da pecuária, o de aves é o que vislumbra cenário mais positivo para 2016, pautado não apenas na demanda externa, mas também na interna. Além da possibilidade de preços ainda elevados da carne bovina, projeções de baixo crescimento da economia brasileira favorecem o consumo de proteínas mais baratas, como a carne de frango.

 

De acordo com dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), os brasileiros podem demandar cerca de 9,6 milhões de toneladas de carne de frango, 260 mil toneladas a mais que o projetado para 2015, de 9,34 milhões de toneladas. A produção interna, por sua vez, deve aumentar em 500 mil toneladas, para 13,5 milhões de toneladas.

 

Líder mundial nas exportações de carne de frango, a avicultura brasileira deve manter suas apostas no mercado internacional. E a depender do câmbio, a tendência é que siga competitiva. Segundo o relatório Focus, do Banco Central, o dólar pode ter média acima de R$ 4,00 em 2016.

 

Estimativas do USDA mostram que as exportações brasileiras de carne de frango devem aumentar 3,7% neste ano ou o correspondente a 14 mil toneladas, em relação à quantidade estimada para 2015, atingindo 3,88 milhões de toneladas. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal, o incremento das vendas externas deve ser entre 3% e 5%, em linha com o aumento de produção esperado no País.

 

Suínos

A oferta de suínos inicia o ano relativamente alta, ao passo que a demanda doméstica pode não reagir na mesma intensidade. Assim, tudo indica que a “saída” estará nas exportações, e o câmbio deve continuar “aliado”. Estimativas compiladas pelo relatório Focus, do Banco Central, apontam dólar acima de R$ 4,00 em 2016.

 

Conforme projeções do USDA, os embarques brasileiros de carne suína devem crescer 2,7% em 2016, frente à quantidade estimada para 2015, chegando a 580 mil toneladas em equivalente-carcaça. Esse percentual de aumento está no intervalo estimado pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) tanto para as exportações como para a produção nacional, entre 2% e 3%.

 

A relação entre o Brasil e a Rússia, principal compradora da carne brasileira, se apresenta estável, e acordos comerciais firmados entre esses países desde 2014 favorecem boas perspectivas para as vendas nacionais da carne suína, ao menos no médio prazo.

 


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