Renato Costa, presidente da divisão de carnes da JBS

Atendendo a expectativa do consumidor com um produto melhor, a tendência é não só de abrir mais mercado como de melhorar o consumo.

Naiara Araújo - DATA: 12/10/2015 Em entrevista, Costa fala sobre a indústria e as exigências dos consumidores

Diante das gôndolas dos supermercados, o consumidor se depara com uma oferta cada vez maior de marcas de carne e tipos de produto. Então, nesse movimento natural de sofisticação do mercado, o comprador está aprendendo a ser mais seletivo. Ele não procura apenas uma carne com um bom preço. Já faz parte da lista de requisitos um produto de maior qualidade, que ofereça informações sobre a produção e o processamento. O consumidor quer saber se o pecuarista investe em técnicas sustentáveis e se preocupa com o bem-estar animal, por exemplo.

Diante dessa expectativa, a indústria e os pecuaristas estão se unindo para oferecer ao cliente informações de ponta a ponta da cadeia. Prova disso foi o lançamento do Pacto Sinal Verde, em agosto deste ano. A iniciativa do governo do Mato Grosso do Sul, em parceria com a JBS e outras entidades do setor, tem como meta atingir 100% do abate tipificado e melhorar a cadeia produtiva do Estado nos próximos anos.

O consumo de proteínas, seja ela bovina, suína, de frango ou de peixe, deve continuar em constante crescimento no País. Em 2014, o consumo per capita de carnes do brasileiro foi de 110,18 quilos, enquanto a estimativa para este ano é de 111,58 quilos, de acordo com o Cenário das Carnes 2014/2015, uma pesquisa desenvolvida pela Associação Brasileira da Proteína Animal (ABPA). Segundo Renato Costa, presidente da divisão de carnes da JBS, a indústria vai trabalhar para atender as novas exigências e conquistar a confiança do consumidor.

 

Successful Farming Brasil – O consumidor está mais exigente?

 Renato Costa 

– Sim, o consumidor está mais exigente. Pela própria valorização da carne bovina nos últimos anos e pelo perfil que tem o consumidor brasileiro hoje, com informação e tudo mais.

 

SF – Essa exigência aumentou a demanda?

Costa 

– Lógico que atendendo a expectativa do consumidor com um produto melhor, a tendência é não só de abrir mais mercado como de melhorar o consumo. A gente fala muito num tom de brincadeira que se a carne está boa, as pessoas comem dois bifes, se não está boa não comem nenhum. O produto tem que ter qualidade para conquistar o mercado.

 

SF – O que o consumidor está procurando?

Costa

– O foco do consumidor é maciez, suculência, sabor e aroma.

 

SF – Aumentou a procura por cortes gourmet?

Costa 

– Sim, o mercado tem procurado mais. São valorizados aqueles cortes da parte traseira, que é a famosa picanha. O ancho, que é a ponta do contra filé, fraldinha, enfim, os principais cortes do traseiro.

 

SF – Quais mercados procuram esses cortes mais nobres?

Costa 

– Nós da JBS temos uma plataforma de distribuição na qual atendemos todos os canais. Tem a linha do food-service, que é a linha que atende os restaurantes, e é o [mercado] mais exigente nessa linha gourmet. Também fazemos o pequeno varejo, médio varejo, atacadista, além de mercado interno e mercado externo.

 

SF – Houve algum caso de devolução por falta de qualidade do produto?

Costa 

– Devolução não, porque temos determinado padrão pra atender determinados mercados. Mas, sem dúvida, hoje nós temos uma parcela maior do consumidor procurando por esses cortes [com mais qualidade] do que temos de produção. Hoje, nós temos demanda para esse tipo de carne de melhor qualidade.

 

SF – O que a JBS tem feito em termos de tecnologia de rastreabilidade?

Costa

– Temos um programa de rastreabilidade que aborda toda a questão da sustentabilidade. Todos os nossos produtores, nossos fornecedores, que estão no bioma amazônico, são monitorados diariamente. Nós temos um sistema via satélite para verificar se a produção não está em área embargada, área de conflito, terras indígenas, área de preservação ambiental ou se o produtor não está inscrito em nenhuma das listas de trabalho escravo.

 

SF – E sobre tecnologias para mostrar a origem dos produtos?

Costa

– Nas nossas embalagens é possível acessar o QR Code. Atualmente, o consumidor pode identificar de onde saiu, de qual lote e em qual fazenda foi produzida aquela carne.

 

 

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Atualmente, o consumidor pode identificar em qual fazenda foi produzida aquela carne. Renato Costa, presidente da divisão de carnes da JBS