Açaí: projeto vai promover o aumento da produção no Pará

A meta é expandir em 50 mil hectares a área cultivada até 2020, fazendo com que a produção aumente em 360 mil toneladas por ano

O açaí, um dos alimentos mais tradicionais dos paraenses, transformou-se em produto de exportação. Só em 2015, as vendas externas do fruto injetaram mais de R$ 225 milhões na economia estadual. E isso é só o começo. Ainda há muito espaço para crescer no mercado. Pensando nisso, a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) está implantando o Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Açaí no Estado do Pará (Pró-Açaí).

 

A meta do programa é expandir em 50 mil hectares a área cultivada com açaí no período de 2016 a 2020, fazendo com que a produção aumente em 360 mil toneladas anuais de frutos até 2024. O programa foi lançado oficialmente na última segunda-feira (25/01).

 

As propriedades funcionais, assim como o sabor exótico, fizeram o produto cair nas graças dos consumidores de todo o mundo. E a produção atual, estimada em um milhão de toneladas de frutos por ano, já é insuficiente para atender todo o mercado consumidor existente além do potencial. De olho neste mercado crescente, outros Estados, como Minas, Bahia, Espírito Santo e São Paulo já começam a implantar áreas de cultivo. Com o Pró-Açaí a ideia é manter o Pará liderando a produção nacional.

 

O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Hildegardo Nunes, conta que o sucesso do programa prevê a superação de alguns desafios. Um deles é aplicar no Pará a legislação que concede tarifa diferenciada de energia elétrica para sistemas de irrigação em plantios destinados à produção de alimentos. Do total de 50 mil hectares previstos pelo Pró-Açaí, 10 mil deverão ser implantados em áreas de terra firme com irrigação, ajudando a recompor com cobertura vegetal áreas já desmatadas.

 

Liderança do Pará

O Pará é o maior produtor nacional de açaí, com 154 mil hectares de área plantada e manejada em 12,8 mil propriedades rurais distribuídas em todo o Estado e produção anual de um milhão de toneladas de frutos. A meta do Pró-Açaí é implantar 10 mil hectares de açaizeiros nas regiões de terra firme do Estado, na forma de cultivo solteiro ou em Sistemas Agro-Florestais (SAFs). A ideia, na terra firme, é aproveitar apenas as áreas já abertas pela ação humana – como pastagens abandonadas – e envolver mil pequenos, médios e grandes produtores rurais utilizando, entre outras tecnologias, a irrigação.

 

Já nas áreas de várzea, onde se concentra atualmente a maior parte da produção paraense, a meta para o período entre 2016 e 2020 é ampliar em 40 mil hectares as áreas de açaizais, utilizando técnicas de manejo e de enriquecimento e envolvendo 10 mil produtores familiares das regiões do Marajó e Baixo Tocantins.

 

A expansão da cadeia produtiva também trará ganhos sociais, com a criação de mais três mil empregos diretos e 12 mil indiretos na terra firme e de cinco mil ocupações produtivas diretas e de outras 20 mil ao longo da cadeia, nas áreas de várzea. “Resolver a questão fundiária também é importante porque os produtores vão precisar de crédito e para ter acesso a ele é preciso estar em propriedades regulares. Nesse aspecto, vamos precisar continuar articulados com o governo federal, especialmente o programa Terra Legal”, diz Hildegardo.

 

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