DATA: 19/02/2016

Projeto Lavoura de Precisão monitora lavoura de soja no Rio Grande do Sul

Monitoramento em 52 lavouras vai gerar mais de mil informações, para aprimorar tecnologias de aplicação

Técnicos da Emater/RS-Ascar monitoram o aparecimento de insetos e doenças em 52 lavouras de soja do Rio Grande do Sul, chamadas de Unidades de Referência Técnica (URT). Em Cruz Alta, na quinta-feira (18/02), o monitoramento ocorreu na URT do produtor Paulo Rodrigues, com a presença do próprio coordenador do projeto, o assistente técnico estadual em Soja, Alencar Rugeri.

 

A ação, desencadeada pela Instituição no final do ano passado, faz parte do projeto Lavoura de Precisão e envolve parceiros como a Embrapa, universidades e a Massey Ferguson. “A gota d’água, que nos fez buscar estratégias de controle de pragas e doenças foi a Helicoverpa”, conta Rugeri. Em 2013, a voracidade da lagarta Helicoverpa armigera causou prejuízos às lavouras gaúchas.

 

O monitoramento feito pela Emater/RS-Ascar em 52 lavouras de soja deverá gerar mais de mil informações, válidas, segundo Rugeri, para atacar o principal “gargalo” na lavoura: a tecnologia de aplicação. “A qualidade não está apenas na máquina, mas, sobretudo, na tecnologia de aplicação”, insistiu Rugeri. “O tipo da gota, o volume da calda, a ponta, as condições ambientais e o princípio ativo adequado à praga e doença são fundamentais”, diz ele. Dados preliminares do projeto devem ser divulgados na Expodireto 2016, feira que se realiza em Não-Me-Toque, entre os dias 07 e 11 de março.

 

Com o projeto Lavoura de Precisão, a Emater/RS-Ascar e os produtores de soja buscam o uso racional dos inseticidas e fungicidas, dando à terra e à planta, doses precisas de defensivos. A intensão, com isso, é obter resultados mais sustentáveis, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental.

 

Entre as principais metas do projeto, estão a redução de um terço da aplicação de inseticidas nas lavouras, 15 visitas de um técnico ao produtor de soja, melhoria na qualidade das aplicações de inseticidas e fungicidas e aprimoramento dos critérios de identificação e reconhecimento dos insetos, inclusive, daqueles que são benéficos.

 

Pano de batida 

Com o projeto Lavoura de Precisão, a Emater/RS-Ascar retoma o método de amostragem de insetos com o pano de batida. “Esse trabalho de batida de pano foi esquecido, poucos produtores fazem”, conta o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Gilberto Bortolini.

 

Com supervisão da engenheira agrônoma da Emater/RS-Ascar, Larissa dos Reis, o produtor de Cruz Alta, Paulo Rodrigues, coloca periodicamente o pano de batida, de um metro de comprimento, entre as fileiras de soja e, com movimentos vigorosos, sacode a planta. Sobre o pano caem lagartas e percevejos, entre outros insetos. Todos são contados e se o nível de infestação for muito alto, o agricultor costuma recorrer ao uso de inseticidas. “Hoje, o pulverizador é o que o produtor mais precisa na lavoura”, diz o representante da Redemaq, Lucas Teixeira.

 

Economia

Mesmo sem ter pronto o balanço financeiro da safra de soja que irá colher nas próximas semanas nos seus 35 hectares, o produtor de Cruz Alta está satisfeito com os resultados. Rodrigues projeta ter economizado, pelo menos, 50% com a compra de inseticida. “Se não tivesse o acompanhamento da Emater já teria aplicado, até agora, umas três vezes o inseticida”, diz Rodrigues, que nesta safra aplicou inseticida apenas uma única vez.

 


Comente essa notícia.

Faça seu cadastro ou login gratuito para enviar comentários.