DATA: 28/12/2015

Projeto capacita apicultoras na Bahia

A atividade é uma forma de valorizar as mulheres e de incentivá-las a ter uma boa fonte de renda

A criação de abelhas pode ser uma nova alternativa produtiva para mulheres que vivem no entorno do Lago de Sobradinho (BA). Um grupo de 30 moradoras dos municípios de Casa Nova, Remanso, Sobradinho, Pilão Arcado e Sento Sé participaram de cursos de meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) oferecidos ao longo do ano pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Semiárido) e Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).

 

Para que possam iniciar ou aprimorar a criação das abelhas, cada uma das mulheres beneficiadas pelo projeto receberá 20 colmeias – 10 para abelhas sem ferrão e 10 para abelhas com ferrão –, além dos acessórios necessários, como macacões, luvas, botas, fumegador, cera alveolada, suporte para colmeias, entre outros. Em 2016, elas participarão ainda de uma nova capacitação, dessa vez em criação de abelhas com ferrão (apicultura).

 

 

De acordo com a instrutora Eva Mônica Sarmento, professora da Univasf, esta é uma forma de dar valor às mulheres e de incentivá-las a ter uma fonte de renda. Segundo ela, a criação de abelhas, seja com ou sem ferrão, não exige tanta força física, e as mulheres têm condições de trabalhar nesta atividade.

 

Prova disso é a experiência de Lucidalva Lacerda, do município de Sobradinho, que há dois anos trabalha com a criação. “É tão gratificante que não é cansativo”, afirma, contando que capturou as abelhas “na mata, de machado e sozinha”. Segundo ela, somente no ano passado, com 17 caixas de abelha, produziu 800 litros de mel, o que gerou um incremento de cerca de R$ 4 mil na sua renda.

 

“Com foco na meliponicultura, essas mulheres também vão contribuir com a sustentabilidade do ecossistema”, diz o instrutor José Fernandes Neto, engenheiro agrônomo da extinta Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). Segundo ele, são as abelhas nativas que fazem a polinização e a perpetuação das plantas da Caatinga.

 

Esse viés da atividade também conquistou a produtora rural e professora de geografia Maria Aparecida Silva, de Sobradinho, que se declara “amante da Caatinga e da natureza”. Ela conta que aprimorou no curso todo o conhecimento adquirido com os avós, e pretende começar a criação: “A mulher é mais cuidadosa, atenciosa, acredita mais, e eu tenho esperança de que no futuro vai dar resultado”.

 


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