DATA: 22/02/2016

Programa do Rio Rural já protegeu 96 nascentes na região serrana do Rio

Em todo o município, já foram protegidas 96 nascentes, com investimentos de mais de R$ 190 mil do Rio Rural

A campanha Água Limpa para o Rio Olímpico, do Programa Rio Rural, da secretaria estadual de Agricultura, vem mobilizando agricultores em microbacias hidrográficas de todo o Estado para a proteção de nascentes em suas propriedades. Santa Maria Madalena, na Região Serrana, é um exemplo do engajamento e conscientização ambiental dos produtores rurais.

 

Em todo o município, já foram protegidas 96 nascentes, com investimentos de mais de R$ 190 mil do Rio Rural. Entre as fontes d’água preservadas, 39 estão na microbacia Manoel de Moraes; 22 no Alto Imbé; 17 na Sede/Terras Frias; 12 no Médio Imbé e seis em Triunfo. Também foram realizados 31 isolamentos de área de recarga hídrica, totalizando 127 subprojetos ambientais no município.

 

De acordo com o técnico executor do Rio Rural, Danilo Santarém Botelho, o engajamento dos produtores foi fundamental para o expressivo número de nascentes protegidas em Santa Maria Madalena. “Eles viram a necessidade de proteger suas nascentes e apostaram neste trabalho da campanha. Os resultados são altamente positivos”, conta Botelho.

 

Luciano Marinho Correa, que tem uma agroindústria de doces em compotas em sua propriedade, na microbacia Terras Frias, lembra que o inverno de 2015 (período de estiagem) foi extremamente rigoroso e que somente os produtores que fizeram a proteção de nascentes não sofreram tanto as consequências da falta d’água.

 

“Sofremos uma grande seca entre 2014 e 2015. Muita gente ficou sem água por aqui. Apenas os produtores que protegeram suas nascentes puderam ficar mais aliviados, como no nosso caso. Sempre tivemos a preocupação de proteger as nascentes, deixando a mata no entorno se recompor naturalmente. O trabalho incentivado pelo Rio Rural nos ajudou a cercar nossa principal nascente. Sentimos de imediato uma melhora na quantidade de água que abastece nossa propriedade”, comenta, ressaltando que os produtores precisam dar continuidade ao trabalho de preservação.

 

“Madalena foi grande produtora de café, passou para a pecuária e agora investe no turismo. Essas terras foram muito degradadas e continuam sofrendo com queimadas e desmatamentos. O trabalho de recomposição ambiental é importantíssimo aqui e o apoio técnico do Rio Rural têm sido fundamental nesse processo”, diz.

 

O produtor Roberto Veiga Feijó, proprietário do Sítio do Rosário e da Fazenda São Pedro, também elogiou o trabalho de proteção de nascentes realizado pelos técnicos da Emater-Rio no município.

 

“Sempre tive a preocupação de proteger o meio ambiente em minhas propriedades. Plantei muitas mudas de árvores, pensando nessa questão da água, que é muito séria. Essas terras vêm desde o tempo do meu avô e nós sentimos a diminuição da água a cada ano. A estiagem no ano passado foi rigorosa, mas conseguimos amenizar o problema. Agora, com o período das chuvas, percebemos que a quantidade de água aumentou consideravelmente em relação aos anos anteriores “, conta o produtor.

 

Giovani Faria Buzzi, proprietário da Fazenda Minas Gerais, é outro que se orgulha do trabalho de preservação de nascentes.”Sabemos que produção rural não existe sem água. Aqui plantamos eucaliptos, flores e temos produção artesanal de cerveja e cachaça. Não sobreviveríamos sem água. Nossas áreas de nascentes já eram informalmente protegidas, mas com o cercamento e orientação técnica, esse trabalho ficou melhor. Os resultados de proteção de nascentes são de longo prazo, mas já observamos melhoras na quantidade de água aqui”, diz o produtor, que também conseguiu reconhecimento de uma “Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)” em suas terras.

 

Campanha pela conservação da água

Lançada em 2010 com a meta de proteger 2.016 nascentes até os Jogos Olímpicos do Rio, a campanha Água Limpa para o Rio Olímpico já alcançou o número de 3.120 nascentes protegidas em todo o estado e continua a pleno vapor. Envolvendo agricultores, técnicos da Emater-Rio, educadores, estudantes e instituições parceiras, por meio de atividades de conscientização e troca de experiências, a campanha envolve também a implantação de projetos de preservação com incentivos financeiros diretos, não reembolsáveis, do Rio Rural.

 

Essas ações complementam outros projetos como a recuperação e isolamento de áreas de recarga hídrica, que permitem a infiltração e retenção da água por mais tempo no solo; e a recuperação de matas ciliares (à beira dos rios).

 

 


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