DATA: 08/01/2016

Produtores relatam perdas nas lavouras de soja em Mato Grosso

Segundo a Aprosoja, as lavouras localizadas nos municípios de Gaúcha do Norte e Sorriso são as mais afetadas pela estiagem Darlene Santiago

O plantio de soja atrasou em Mato Grosso, por causa da estiagem que prejudicou as lavouras. Em consequência disso, a colheita da oleaginosa também deve atrasar. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), na primeira semana de janeiro, a colheita de soja poderia representar até 5% da área total cultivada. Porém, na primeira semana de 2016, a associação estima que a colheita não atingiu nem 1% da área total. Os municípios que mais registram perdas são Gaúcha do Norte, no Leste do Estado, e Sorriso, no Norte do Estado.

 

Perdas totais
O produtor gaúcho Ildo Damiani, que cultiva 700 hectares com soja na Fazenda Vista Alegre, em Sorriso (MT), teve perdas totais em 60% da área plantada. “A minha lavoura ficou 40 dias sem chuva e foi bastante afetada pela seca”, diz ele.

 

Damiani plantou a soja no início do mês de outubro, quando houve chuvas na fazenda. Segundo o produtor, a planta germinou bem e não foi necessário replantar a lavoura. Porém, o mês de novembro foi tão seco que reverteu completamente situação. As plantas não se desenvolveram e estão medindo em torno de 25 centímetros de altura. “Novembro foi o pior mês. Só começou a chover após o dia 15 de dezembro e aí não teve jeito.”

 

Damiani, que colheu soja a uma produtividade de 64 sacas por hectare na safra 2014/2015, foi pego de surpresa pelo clima desfavorável. “Estou em Sorriso há 31 anos e nunca tive problema com seca assim”, conta. “Às vezes, a chuva atrasava, mas depois normalizava.”

 

O produtor calcula um prejuízo de R$ 2,4 milhões nesta safra em sua fazenda. Outro problema é que ele já tinha negociado contratos futuros de venda de 50% da colheita. “Estou comunicando as tradings, porque eu não vou ter grão para entregar.”

 

Safra atrasada

O produtor Alessandro Dalmaso cultiva soja em um total de 3,5 mil hectares, distribuídos em três fazendas, nos municípios de Sorriso, Nova Mutum e Paranatinga. “O sentimento geral entre os produtores é de desânimo”, conta o produtor, que pretende iniciar a colheita no dia 22 de janeiro. “Nunca vi um ano que não chovesse de entre 1900 a 2200 milímetros na safra. Agora, o acumulado de chuvas na minha fazenda é de 800 milímetros”, diz. “As chuvas foram muito mal distribuídas e, onde choveu, a água evaporou por causa do calor.”

 

Dalmaso costuma encerrar a colheita da soja no dia 13 de março, mas nesta safra o período deve ser estendido até abril. Dessa forma, ele acredita que, por causa do vazio sanitário, não será possível plantar milho safrinha em todas as fazendas. “Mais de 50% da minha área vai ficar sem milho safrinha”, diz Dalmaso. “Devo plantar algo em torno de 1.700 hectares com milho. O resto vai ficar com milheto, sorgo.”

 

Endividamento

Dalmasio, que colheu, em média, 62 sacas por hectare na safra 2014/2015, já calcula uma redução de cerca de 20% da produtividade nesta safra. “A margem de lucro sumiu, eu vou fechar a conta no vermelho”, diz.

 

Segundo o sojicultor, somado à seca inesperada, o custo de produção é recorde por causa da valorização do dólar e o preço da soja em dólar da soja está menor patamar. Por isso, Dalmaso prevê um sério problema de endividamento entre os produtores da região. “Quem colher bem não vai conseguir pagar a conta. Então imagine como vai ficar para quem teve perdas na lavoura”, diz. “O produtor não quer dar calote, mas vai ter de renegociar contratos e prazos.”

 


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