Fertilizante. Farming Brasil. SF Agro.
DATA: 09/12/2015

Produtor americano posterga a compra de fertilizantes

Em 2016, os fertilizantes vão custar aos agricultores aproximadamente US$ 137 por acre de milho e cerca de US$ 54 por acre de soja Anna McConnell

Não é nenhum segredo que o produtor americano está postergando investimentos, com a esperança de conseguir preços mais altos para as commodities, e isso está prejudicando o consumo de fertilizantes nos Estados Unidos.

 

“O tempo está cooperando e os agricultores poderiam estar ativos no mercado, mas eles estão parados porque acreditam que seus orçamentos não vão permitir comprar o volume de fertilizante que eles precisam”, diz David Asbridge, economista sênior e presidente da empresa NPK Fertilizer Advisory Service.

 

O agricultor Doug Martin, de Illinois, estima que a maioria dos agricultores na sua região armazenaram pelo menos 80% da safra colhida neste ano, que a maioria deles tem uma visão dura sobre os seus orçamentos e estão avaliando onde podem cortar custos.

 

“Nós estamos esperando para ver até onde vão os preços”, disse Martin. “O fertilizante é um dos poucos custos que podemos ter um pouco de controle sobre o quanto gastar.”

 

Preços e previsões para 2016

A Universidade Purdue está prevendo que os fertilizantes vão custar aos agricultores aproximadamente US$ 137 por acre (aproximadamente 0,4 hectare) de milho no próximo ano. Isso significa que os preços dos fertilizantes de milho mais que dobraram desde 2005, quando o adubo custava, em média, cerca de US$ 66 por acre para o milho.

 

O custo dos fertilizantes para a cultura da soja subiu 207% desde 2005. Para 2016, o custo da adubação para a soja está previsto em cerca de US$ 54 por acre. De acordo com Chris Hurt, economista da Universidade de Purdue, o fertilizante representa o segundo maior custo com insumos para os agricultores.

 

Fornecimento de nutrientes

Os altos preços dos fertilizantes não se devem a uma escassez de nutrientes essenciais como potássio (K), nitrogênio (N) e fósforo (P). Na verdade, Asbridge acredita que há um “excesso de oferta” de todos esses nutrientes.

 

Jeff Stafford, analista sênior da Morningstar acredita que, até o final da década, o mundo verá a oferta de potássio crescer mais rápido do que a demanda, colocando pressão sobre os preços. Novas minas provavelmente serão exploradas no mundo, em países como o Canadá e a Rússia.

 

Normalmente, os agricultores negociam a compra de fertilizantes em dezembro e janeiro, mas, neste ano, os agricultores estão esperando para vender seus grãos mais tarde e, em seguida, comprar os fertilizantes. “Se todo mundo esperar até março para comprar fertilizantes, vai ser um problema”, diz Asbridge.

 

Segundo Asbridge, os varejistas não estão dispostos a especular. Eles só vão comprar fertilizantes para revenda de acordo com a demanda do mercado. “Se os agricultores não indicarem as suas necessidades, na primavera, a importação vai cair”, diz ele. Com isso, há a possibilidade de o fornecimento de fertilizantes não ser suficiente e provocarem um forte aumento de preços, movimento que já aconteceu no passado.

 

O Futuro do nitrogênio nos Estados Unidos

No próximo ano, novas plantas nitrogênio sediadas nos Estados Unidos estarão funcionando, por isso, dificilmente os Estados Unidos terão que importar o produto. Isso não é necessariamente um indicador de que os preços dos fertilizantes vão cair, mas a mudança vai afetar os custos de transporte de fertilizantes. “Vamos ter um dos menores custos de produção de fertilizantes nitrogenados do mundo”, diz Asbridge.

 

É importante lembrar que as coisas podem mudar rapidamente. Antigamente, a China era o maior importador mundial de N e P, mas, entre 10 e 15 anos, o país se tornou o maior produtor e exportador de N e um grande produtor e exportador de P.

 

“Os EUA são um mercado muito atraente para a construção de plantas de nitrogênio”, diz Kathy Mathers, vice-presidente de assuntos públicos do The Fertilizer Institute.

 

Os EUA vão cortar significativamente os custos de transporte de fertilizantes e taxas de importação. Porém, de acordo com Mathers, não está claro essa mudança vai influenciar o varejo americano, já que os preços dos fertilizantes se baseiam no mercado mundial.

 

Esta reportagem é uma adaptação do texto originalmente publicado no portal Agriculture.com.

 


Comente essa notícia.

Faça seu cadastro ou login gratuito para enviar comentários.