DATA: 11/02/2016

Preços das hortaliças disparam e pressionam o orçamento familiar

Batata, cenoura e tomate tiveram o maior aumento nos preços, principalmente por causa de chuvas que prejudicaram as lavouras

Pesquisadores da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que atuam no Instituto de Economia Agrícola (IEA), analisando o comportamento da variação dos preços coletados em janeiro de 2016 em relação aos meses de janeiro e dezembro de 2015, por grupos de produtos, chamam a atenção para a elevação de preços de alimentos no município de São Paulo ocorrida no mês de janeiro de 2016, que, segundo eles, indica uma possível e preocupante tendência para o ano que se inicia.

 

Inflação

A inflação de 2015, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), por meio do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), alcançou 10,67%. Este índice foi sentido nos preços da maioria dos produtos que compõem os grupos de cálculo do IPCA e a variação ocorrida durante o ano de 2015 foi alvo de diversas reportagens, relatórios do Banco Central Brasileiro e textos econômicos ao longo do próprio ano.

 

Hortaliças mais caras

O levantamento realizado pelo IEA indica que todos os grupos de produtos apresentaram variação positiva, totalizando um índice mensal de 3,85% de variação em relação ao último período (dezembro de 2015). “A variação do grupo Hortaliças, com 13,72%, impulsionada pela variação de batata (13,86%), cenoura (28,46%) e tomate (24,75%); pode ser creditada às chuvas dos últimos meses.

 

No grupo Produtos Básicos estão presentes produtos de grande peso na cesta de mercado da população, como feijão, arroz e pão francês, que apresentaram variação positiva de 6,88%, 3,47% e 4,30%, respectivamente. As chuvas no Sul do País vêm prejudicando as produções de arroz e feijão e o dólar continua pressionando o preço do trigo, de acordo com os pesquisadores Vagner Azarias Martins, Luís Henrique Perez e José Alberto Angelo.

 

Produtos mais baratos

Considerando os resultados por produto e não por grupos, verifica-se que, dos 88 itens pesquisados, apenas nove tiveram variação negativa de preços: costela suína (-1,85%), carne moída de 2ª (-4,35%), salame (-0,53%), queijo minas (-5,39%), limão (-8,46%), maçã nacional (-3,63%), uva fina (-1,82%), azeitona verde (-0,27%) e palmito em conserva (-0,82). Além da baixa quantidade de itens com variação negativa, constata-se que, excetuando o limão, os demais produtos não são de grande peso na cesta de mercado das famílias paulistanas.

 

“Ao comparar a variação de janeiro de 2016 com seu mês anterior e com a variação de um ano atrás (janeiro/2016 e jan/2015), observa-se o quanto são preocupantes os resultados obtidos no primeiro mês de 2016. Enquanto a variação do total da cesta de mercado de um ano atrás foi de 12,1%, a variação observada apenas em janeiro/2016 foi de 3,85%. O grupo Leite e Derivados variou durante o ano 3,49%, enquanto no último mês, a variação foi de 2,06%. Tais resultados chamam a atenção, pois o grupo Alimentação e Bebidas é o de maior peso no cálculo do IPCA com 23%”, ressaltam os pesquisadores.

 

É importante destacar que o levantamento realizado pelo IEA é independente e não compõe o IPCA. Os valores apresentados nesse artigo referem-se ao município de São Paulo que, embora tenha grande peso no cálculo do índice de inflação, é apenas uma das 11 regiões de coleta de dados utilizada pelo IBGE. Portanto, o resultado do IPCA pode sofrer pressão maior ou menor do grupo Alimentação e Bebidas em virtude do comportamento deste grupo nas demais praças de coleta de dados. Os levantamentos de preços realizados pelo IEA abrangem os três níveis de comercialização (produtor, atacado e varejo) e se constituem em importantes instrumentos para compreender o cenário atual da economia nas grandes metrópoles.

 


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