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Piscicultura: 5 dicas para reduzir a perda de água em viveiros escavados

Esse tipo de prejuízo pode ser reduzido se o produtor tomar alguns cuidados antes de iniciar a construção dos tanques

Para colaborar com o avanço da piscicultura paulista, os pesquisadores das unidades regionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, orientam piscicultores a reduzirem a infiltração em viveiros escavados destinados à criação de peixes. Segundo os especialistas, regiões como a Alta Sorocabana e a Alta Paulista têm sido vistas pelos produtores como promissoras para o cultivo de peixes em tanques escavados, porém, são necessários alguns cuidados na hora da instalação dos tanques para evitar o desperdício de água.

 

De acordo com Denilson Burkert, pesquisador do Polo Regional de Adamantina da Apta, a perda de água na piscicultura ocorre, principalmente, pela evaporação em decorrência da exposição dos tanques ao sol e pela infiltração. “A evaporação é impossível de ser controlada, pois a exposição ao sol é necessária para a produção de fitoplâncton, que colabora para a produção de oxigênio para os peixes. Porém, a perda de água por infiltração pode ser reduzida ou mesmo evitada se o produtor tomar alguns cuidados antes de iniciar a construção dos tanques”, explica o pesquisador.

 

1- Cuidados com a infiltração

A necessidade de cuidados na hora de implementar os tanques é maior ainda para aqueles piscicultores que pretendem utilizar águas subterrâneas como fonte de abastecimento. Ainda existem incertezas no Brasil sobre a viabilidade de empreendimentos que utilizam apenas águas subterrâneas. Porém, elas representam 20% do abastecimento da atividade nos Estados Unidos, por exemplo. “Os cuidados neste caso, continuam sendo a infiltração, mas também o gasto com energia elétrica necessária para o acionamento de bombas que irão manter quantidades de água suficientes para se realizar a produção”, afirma Vander Bruno dos Santos, pesquisador do Polo Regional de Presidente Prudente da Apta

 

2- Análise de solo para a piscicultura

Os pesquisadores da Apta orientam que o piscicultor analise o tipo de solo em que o tanque será instalado. Antes da construção é necessário limpar o espaço e retirar pedregulhos, raízes e matéria orgânica, deixando no local apenas material sólido homogêneo. “Geralmente, para realizar essa limpeza é feita uma gradagem dos primeiros 15 cm do solo e também são realizadas coletas de amostras e verificação da sua composição física. Na literatura, a recomendação é de que o solo deva ter entre 15% a 30% de argila em sua composição”, afirma Santos.

 

3- Solos argilosos

A argila, por ser muito pequena, possui forma e cargas elétricas que colaboram para a sua união, permitindo o fechamento dos poros e reduzindo a permeabilidade do solo. Por outro lado, solos com concentrações menores de argila e maiores concentrações de areia serão mais permeáveis, por apresentarem espaços vazios maiores, o que colabora para o processo de infiltração. “Na região oeste do estado de São Paulo são encontrados solos do tipo argissolos e latossolos, com textura média e formação arenosa, mais sujeitos a infiltração. Porém, existem técnicas que podem reduzir esse processo”, explica Burkert.

 

4- Obstrução de poros no solo

Uma solução para a obstrução de poros no solo é a aplicação de matéria orgânica no fundo no tanque. Os pesquisadores da Apta explicam que a aplicação deve ser feita em camadas de esterco fresco, principalmente o bovino, sobre o fundo do tanque. O esterco precisa ser umedecido e posteriormente coberto pela água de preenchimento.

 

5- Revestimento dos tanques

O revestimento dos tanques é outra prática que pode dar bons resultados. Um método bastante comum, de acordo com Burkert, é a aplicação de solo-cimento sobre o fundo do tanque. As misturas variam de três a 11 partes de solo para uma de cimento. Depois do procedimento, o produtor deve fazer a mistura com água e aplicar no fundo do tanque. Outra saída é o uso de sacos com mistura solo-cimento para disposição sobre o fundo do tanque. Segundo o pesquisador, o uso de lonas – bastante comum entre os piscicultores – não é uma prática muito recomendada, pois os materiais geralmente usados são muito delgados e pouco resistentes à abrasão. Com isso, não é raro a ocorrência de rasgos e perfurações logo após o enchimento dos tanques.

 

O uso de geomembranas a base de polietileno, PVC e EPDM pode ser uma alternativa, porém, para Santos, apesar de serem resistentes à abrasão, soldáveis e maleáveis, os materiais causam a impermeabilização total do fundo do tanque, o que faz com que a água e os peixes não tenham contato com o solo, sendo necessário o melhor controle da qualidade de água no cultivo.

 

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