DATA: 23/10/2015

Pindamonhangaba quer ser polo apícola contando com tecnologia de sanidade

O potencial da região para a produção de mel foi reconhecido como "fantástico" por uma bióloga que trabalha na área

Conhecida por sua tradição na pecuária leiteira, a região de Pindamonhangaba quer se tornar referência na produção do mel, e para isso conta com as tecnologias geradas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Polo Regional Vale do Paraíba da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta). Em visita ao Polo no dia 21 de outubro, o secretário da Pasta, Arnaldo Jardim, conheceu as pesquisas desenvolvidas em áreas como bovinocultura, aquicultura e apicultura – com destaque para o Laboratório de Sanidade Apícola.

 

O Polo é o responsável por cuidar da saúde das abelhas, agentes importantes na cadeia produtiva agropecuária pela polinização que fazem no campo. Referência nacional realiza exames detalhados para identificar patógenos que acometem a apicultura, como vírus, ácaros e fungos – capazes até de provocar diarreia nestes pequenos insetos.

 

“A Secretaria tem como um dos seus principais objetivos auxiliar o produtor rural a agregar valor à sua produção e gerar renda para seu sustento, principalmente para o pequeno. O governador Geraldo Alckmin sempre nos orienta a aproximar cada vez mais a pesquisa e a produção, com as tecnologias auxiliando o homem do campo e com o homem do campo pautando as pesquisas com as necessidades de seu cotidiano de trabalho”, destacou Arnaldo Jardim.

 

Responsável pelos trabalhos, a zootecnista e doutora em Entomologia Érica Weinstein Teixeira explicou ao secretário o funcionamento do Laboratório destacando a análise da síndrome de colapso das colmeias, perigosa para a agricultura porque reduz drasticamente a população do inseto. Como sem abelha não há alimento, o trabalho realizado no Polo Regional Vale do Paraíba é essencial para garantir comida à população.

 

Principalmente desde 2006, quando nos Estados Unidos ficou evidente essa quase extinção das abelhas com as operárias não retornando à colmeia. “O agrotóxico age no sistema neurológico das operárias e elas não conseguem voltar”, explicou a pesquisadora. Érica atualmente está estudando se os patógenos identificados em território norte-americano também podem acometer as abelhas brasileiras ou se a espécie encontrada no Brasil, híbrida do cruzamento entre europeias e africanas, é mais resistente.

 

O Laboratório não apenas gera e transfere tecnologias para agregar valor e garantir produtividade no campo, é um centro de conhecimento que colabora com pesquisadores da Carolina do Norte (EUA) e Inglaterra. Além de ser buscado por profissionais de outros Estados interessados na formação em sanidade apícola.

Um exemplo é Lubiane Guimarães, mestranda em Biologia pela Universidade Federal de Viçosa, que foi buscar no Polo do governo paulista esse aprendizado único em território nacional. Enquanto cuidadosamente manipula os instrumentos para realizar a reação em cadeia da polimerase, Lubiane explica que o teste amplia o DNA da abelha para identificar a possível presença de nada menos do que seis tipos diferentes de vírus. “Na universidade eu aprendo as disciplinas e aqui eu coloco em prática”, contou.

 

Essa atenção especial que o Governo do Estado de São Paulo dedica à apicultura é baseada na certeza de que abelha significa produtividade. Sem a polinização feita por ela, a produção agrícola não existiria, o mercado de commodities seria prejudicado, com reflexos financeiros para os produtores rurais. Ou seja, abelha é também dinheiro e sustento no campo.

 

A região de Pindamonhangaba “tem um potencial fantástico para a apicultura”, como notou a bióloga Lídia Maria Ruv Carelli Barreto, professora doutora diretora do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade de Taubaté (Unitau), que orienta os 92 apicultores membros da Cooperativa dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar do Vale do Paraíba (Coopvale). Lídia esclareceu que este clima favorável à apicultura na região se deve “à utilização muito baixa de agroquímicos”, garantindo vida longa às abelhas.

 

A bióloga enumerou em 376 toneladas por ano a demanda de mel na região somente para atender a merenda escolar (calculando 20 gramas diários por estudante), sem considerar o comércio varejista e produtos derivados. Para auxiliar os produtores da Coopvale, ela busca o Polo Regional Vale do Paraíba principalmente na questão da sanidade apícola e na aquisição de abelhas-rainha.

 

Isso porque o Polo de Pindamonhangaba produz para venda as abelhas-rainha, essenciais em uma colmeia. Os produtores interessados entram em contato e adquirem a rainha, que é despachada via correio em uma pequena caixa onde vão ainda seis operárias. A Apta tem o cuidado de colocar na caixa alimento suficiente para a sobrevivência delas até a nova casa.

 

É a tecnologia a serviço de um alimento cultivado com qualidade para chegar à mesa da população e garantir o equilíbrio ambiental. Para quem já assistiu ao filme de animação “Bee Movie”, isso é mais do que claro.

 

 


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