DATA: 20/10/2015

Pesquisas identificam feromônio da broca-do-cupuaçu

A próxima etapa do trabalho será a realização de testes em laboratório para avaliar a importância desses compostos no comportamento dos insetos

Pesquisas da Embrapa conseguiram identificar o feromônio do inseto Conotrachelus sp., praga conhecida como broca-do-cupuaçu, bem como várias substâncias voláteis produzidas pelas plantas de cupuaçu que podem ter influência no comportamento dos insetos. A próxima etapa do trabalho será a realização de testes em laboratório para avaliar a importância desses compostos no comportamento dos insetos e, posteriormente, testá-los no campo.

A utilização de feromônios sexuais, principalmente, é alternativa promissora para o controle de pragas de difícil detecção, como a broca-do-fruto do cupuaçuzeiro. Após ser sintetizada em laboratório, a substância pode ser empregada para atrair a broca-do-fruto para armadilhas ou para fora das plantações de cupuaçuzeiro. “Uma vez conhecidos esses compostos químicos, poderemos determinar ou monitorar o aparecimento da praga e assim será também possível fazer o manejo”, explica o entomologista Miguel Borges, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

O inseto-praga, conhecido popularmente como broca-do-fruto do cupuaçuzeiro, ataca os frutos dessa cultura no início do desenvolvimento, fazendo uma pequena fissura na casca, na qual deposita seus ovos. As larvas, ao eclodirem, conseguem perfurar a casca e entrar no fruto. Alimentam-se da polpa e das sementes, tornando os frutos inviáveis comercialmente. Não há método de controle e manejo desse inseto. “Por isso, estamos buscando métodos eficientes e sustentáveis para o manejo de Conotrachelus sp.,” informa a engenheira-agrônoma Aparecida Claret, pesquisadora da Embrapa que coordena o projeto.

O estudo faz parte das atividades do Projeto Pesquisas e Inovações Tecnológicas para o Desenvolvimento da Cultura do Cupuaçuzeiro no Estado do Amazonas, coordenado pela Embrapa Amazônia Ocidental (AM), e conta com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

A crescente demanda pela proteção ambiental tem incentivado a adoção de métodos alternativos de controle de insetos-praga na agricultura. Por isso, o feromônio é um dos sinais químicos estudados pelo grupo de pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), Unidade parceira no projeto. Semioquímicos são substâncias naturais usadas para a comunicação entre indivíduos da mesma espécie, e os feromônios são um exemplo. Eles podem ser utilizados na agricultura para detectar e monitorar pragas agrícolas. Os semioquímicos estudados são voláteis, ou seja, quando liberados, são carregados pelo vento.

Segundo Borges, semioquímicos possuem a vantagem de já estarem presentes na natureza, pois são naturalmente produzidos por insetos e plantas. São voláteis, não deixam resíduo no meio ambiente e não são tóxicas nos níveis em que são aplicadas. Tanto os feromônios dos insetos como os de plantas podem ser usados para o monitoramento dos insetos que, com outros métodos de controle, conduzirão  a um processo eficiente e com menos riscos à saúde humana. O uso de semioquímicos proporciona a redução da utilização de agrotóxicos, principalmente em culturas como a do cupuaçu, nas quais os produtores, em sua maioria, são familiares.

 

 


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