DATA: 19/09/2015

Pesquisadores pedem agilidade do Mapa no combate a novas pragas

As espécies detectadas representam ameaça para as plantações de soja, milho e algodão

Três novas pragas agrícolas, detectadas recentemente por pesquisadores, estão danificando plantações de soja, milho e algodão no Brasil, causando perdas expressivas. A descoberta aumenta ainda mais a necessidade de se reforçar a defesa fitossanitária no País, além de uma tomada de decisões mais rápidas e eficazes, por parte dos órgãos competentes, para o controle e erradicação das invasoras.

As novas pragas foram identificadas como a Melanagromyza sp., mas conhecida como a mosca-da-haste da soja, a Helicoverpa punctigera, parente próxima da Helicoverpa armigera, e a Amaranthus plameri, erva daninha bastante resistente aos herbicidas. Juntas, elas podem causar perdas de até 91% nas safras, de acordo com a bióloga da Agropec, Regina Sugayama.

Segundo a bióloga, para que essas novas pragas não causem prejuízos similares aos da Helicoverpa armigera, é necessário uma agilidade maior por parte do governo, através do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), na liberação de informações.

“O Mapa obriga a todos os pesquisadores que descobrirem uma nova espécie de praga no Brasil a comunicar o ocorrido. Só depois da concordância da Pasta é que eles podem tornar pública a informação, e isso pode demorar um, dois anos, ou até mais, só que a praga não vai ficar esperando. Daí há a necessidade em agilizar esse processo”, observa Regina.

De acordo com a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), essas novas pragas, inclusive à Helicoverpa armigera, se somam a outras de difícil controle, como a mosca branca, a broca-do-café e a ferrugem asiática. Esta, nos últimos 10 anos, causou prejuízo superior a US$ 25 bilhões.

Outro ponto levantando pela bióloga é que as novas pragas ainda não se enquadram na lista das pragas quarentenárias, ou seja, não estão entre aquelas que o Mapa já fez uma avaliação de risco e concluiu que, se elas entrarem no Brasil, tem um potencial de devastação muito grande.

“Essas três espécies não fazem parte da lista de pragas quarentenárias do Ministério. São espécies desconhecidas, tanto pela nossa pesquisa quanto pelos órgãos regulatórios, portanto, estamos dois passos atrás da praga, pois elas já entraram e só agora estamos tomando conhecimento de que existem”, argumenta.

Entre as novas pragas, a que mais preocupa, até o momento, é a mosca-da-haste da soja, identificada no Rio Grande do Sul, em julho deste ano. Já causou perdas estimadas em 30% na produção de grãos na Austrália e também está presente no Paraguai e Argentina, que podem ter sido a porta de entrada dessa nova praga que se instalou no Brasil.

“Paraguai e Argentina poderão fazer o controle da Melanagromyza mais facilmente, pois estão testando produtos que poderão ser disponibilizados para o combate mais rapidamente. No Brasil, a burocracia deve retardar a chegada desses produtos. É preciso mais agilidade”, defende Jérson Guedes, pesquisador da Universidade Federal de Santa Maria.

Sobre a erradicação dessas pragas, Regina Sugayama aponta uma necessidade imediata. “Um aspecto muito importante é que essas três pragas foram detectadas enquanto elas estão localizadas, ou seja, ainda estão em um momento inicial de colonização no Brasil. Por isso, solicitamos mais rapidez, por parte do Mapa, para que possamos evitar que a mosca-da-soja chegue ao Matopiba (região que abrange os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Vamos erradicá-la enquanto ela ainda está no Sul”, alerta a bióloga.

Ela lembra que “no caso da Helicoverpa armigera, por exemplo, o grande problema foi a demora para detectar e identificar a espécie e, quando isso aconteceu, ela já estava no Brasil inteiro, aí já não tinha mais o que fazer, não dava para erradicar, já estava espalhada”.

Os grandes eventos esportivos também são uma preocupação quando o assunto é a proliferação de novas pragas. Segundo a Andef, existem riscos de contaminação e disseminação de pragas através da entrada de estrangeiros no País, para as Olimpíadas, por exemplo.

*Com informações da SNA

 


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