DATA: 24/02/2016

Pesquisadores investigam os fatores que garantem a maciez da carne bovina

Estudo mapeou no genoma da população Nelore um tipo de variação genética recém-descoberta

Uma das principais responsáveis por atribuir valor à carne bovina, a maciez do alimento foi foco da pesquisa orientada pelo professor Luiz Lehmann Coutinho, do Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ). Realizada no Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal e Pastagens, a pesquisa teve como objetivo analisar a qualidade do produto, viabilizando possíveis melhorias para a indústria alimentícia, considerando a alta competitividade e exigência do mercado nacional e internacional.

 

No estudo, o professor e seus orientados, Tássia Mangetti Gonçalves e Vinícius Henrique da Silva, utilizaram como objeto de análise a raça Nelore, que representa cerca de 80% do gado brasileiro. “Entre outras vantagens, a raça Nelore é amplamente utilizada principalmente devido a sua adaptabilidade ao clima tropical”, afirmou Tássia.

 

O primeiro objetivo do grupo foi mapear no genoma da população Nelore um tipo de variação genética recém descoberta e que diz respeito ao número de cópias que certos segmentos do DNA possuem. “De maneira simplificada, significa que buscamos quais animais tinham certos genes deletados e quais tinham os mesmos genes com muito mais cópias do que um animal considerado comum”, disse Vinícius. O segundo objetivo foi analisar o impacto fisiológico e fenotípico advindo da ausência ou da abundância desses genes.

 

O que determina a maciez?

De acordo com Tássia, os resultados da pesquisa mostraram que a maciez da carne pode ser regulada por muitas vias metabólicas, com destaque para a via da apoptose. “Alguns genes encontrados estão de acordo com o que já foi descrito na literatura para bovinos de raças taurinas, mas há diferenças entre outros, o que mostra que outros genes podem ser responsáveis pela maciez da carne em animais de raças zebuínas”, explicou.

 

Com a integração de dados das análises de biologia de sistemas, também foi possível identificar dois microRNAs como potenciais reguladores da maciez. “Com o uso de informações genômicas no melhoramento, há o aumento de ganhos genéticos e a acurácia da seleção, gerando uma nova era na ciência animal”, destacou. Segundo o IBGE, o Brasil tem o maior rebanho comercial e é o maior exportador de carne in natura.

 

A pesquisa foi realizada em parceria com a Embrapa Pecuária Sudeste, com coordenação da pesquisadora Luciana Correia de Almeida Regitano, e também contou com apoio de universidades nacionais como a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), além de internacionais como a Iowa State University (ISU) e a Ludwig-Maximilians-Universität, em Munique, na Alemanha.

 


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