DATA: 06/09/2015

Pesquisadores desenvolvem sistema agroflorestal

É possível produzir madeira de lei nativa com cultivos associados, como a mandioca, a araruta e o inhame

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), está realizando pesquisas para desenvolver sistemas agroflorestais. O objetivo do trabalho é contribuir para reduzir a pressão do desmatamento e aumentar a conservação de solo e da água na bacia hidrográfica do Paraíba do Sul. Além disso, a iniciativa, que está sendo desenvolvida desde 2011, tem por objetivo restaurar as terras baixas do Vale do Paraíba. O trabalho está sendo conduzido pelo Polo Regional Vale do Paraíba, em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo.

Os experimentos da APTA foram instalados numa área de 2,6 hectares na Fazenda Coruputuba. As espécies arbustivas e arbóreas selecionadas foram as leguminosas guandu, sesbânia, flemíngia, ingá, anjico, pau-viola, mamica-de-porca, urucum, boleira, talauma, imbirussú, ipê-rosa, ipê-amarelo-do-brejo. Muitas dessas árvores são aproveitáveis como recurso madeireiro, tendo apresentado taxas de crescimento de 20% ao ano, muito superiores às do guanandi, árvore promissora para madeira de lei.

O sistema desenvolvido pela APTA seguiu a metodologia participativa com o objetivo de incentivar os agricultores na recuperação de áreas ciliares e terras baixas, com o cultivo de espécies agrícolas, forrageiras, florestais nativas com o guanandi. O projeto da APTA visa à geração de renda com produtos a partir da diversificação de cultivos em plantios de guanandi, restauração ambiental em várzea e terraço fluvial.

A pesquisa permite a produção de madeira de lei nativa com cultivos associados, como, por exemplo, com mandioca, araruta e inhame, a palmeira juçara, a bananeira Conquista e diversidade de leguminosas e arbóreas nativas. “Os sistemas agroflorestais trazem benefícios diretos e indiretos, com retorno financeiro garantido, já que ainda que um dos componentes tenha sua produtividade comprometida em função de uma possível competição, ou por problemas inerentes às variações climáticas, a produtividade global é superior, compensada pelos demais componentes do sistema”, afirma o pesquisador da APTA, Antonio Devide.

 


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