Pesquisadores criam embalagem capaz de preservar qualidade do café

A pesquisa pode desenvolver uma embalagem “híbrida”, que tem papel por fora e um material plástico por dentro

Com o objetivo de encontrar novas formas para que os atributos sensoriais e de composição física e química dos cafés sejam mantidos, a Associação Brasileira de Cafés Especiais firmou parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla) para desenvolver uma pesquisa. A iniciativa promete criar uma embalagem inovadora que conserve a qualidade do produto, o que tem sido um desafio para entidades, pesquisadores e produtores.

 

Segundo o professor do Departamento de Engenharia da Ufla (DEG), Flávio Meira Borém, coordenador da pesquisa, as embalagens mais utilizadas atualmente ainda não atendem às necessidades do mercado. “Ou elas não são eficazes, ou apresentam alto custo”, afirma.

 

O material mais utilizado para a embalagem dos cafés especiais são os sacos de juta que, segundo o pesquisador, comprometem a qualidade do café em curto período, devido à variação do teor de água nos grãos e à sua interação com o ar ambiente. “O armazenamento inadequado causa degradação de compostos químicos e gera substâncias que conferem características indesejáveis ao paladar, afetando alguns atributos sensoriais da bebida, como acidez, sabor, doçura e corpo, além de alterar a cor”, diz o pesquisador.

 

Segundo a diretora-executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Vanusia Nogueira, o estudo contempla diversos tipos de embalagem envolvendo papel e polipropileno com e sem alta barreira. “A opção mais interessante é um ‘hibrido’ que tem papel por fora e ‘plástico1’ por dentro. Esta combinação tem se mostrado muito interessante na manutenção das características dos cafés”, conta.

 

Mais viáveis

Vanusia afirma que a busca é por embalagens que preservem os atributos e, consequentemente, a qualidade dos cafés crus por mais tempo, e que sejam economicamente viáveis para os cafeicultores e para os compradores. “Acreditamos que estamos chegando a algumas alternativas bem interessantes, que podem vir a revolucionar o mercado de embalagens e armazenamento de cafés crus. Estamos dependendo apenas da coleta e da divulgação dos últimos resultados pela equipe da UFLA”, conta.

 

A nova embalagem é fabricada com papel extensível de alta resistência, com capacidade para 30 quilos; é hermética, possui filme de alta barreira e proteção contra luminosidade, além de contar com um sistema denominado Easy Open, que facilita a abertura e armazenagem pelo cliente final.

 

Mercado

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) estima que foram produzidas, em 2015, cerca de 5 milhões de sacas de cafés especiais, das quais 4 milhões foram destinadas à exportação. Os principais destinos foram os EUA, Europa e Japão, enquanto cerca de um milhão de sacas foram absorvidas pelo mercado interno.

 

O consumo de cafés especiais registra os maiores índices de crescimento nos mercados brasileiro e mundial, avançando entre 10% e 15% ao ano, respectivamente. Por outro lado, a evolução do consumo dos cafés tradicionais gira em torno de 3% no Brasil e de 1,5% a 2% em todo o mundo.

 

De acordo com a Associação Brasileira de Indústria de Café (Abic), considerando a demanda interna de aproximadamente 20 milhões de sacas do produto, o consumo de cafés especiais no Brasil corresponde a 5% do total. Boa parte desse consumo ocorre em cafeterias e em estabelecimentos especializados.

 

Outro dado interessante relacionado aos cafés especiais é o preço de venda, que supera 30% a 40% o valor dos cafés tradicionais, podendo chegar a 100% em algumas ocasiões. Nos leilões do Concurso de Qualidade Cafés do Brasil – Cup of Excellence, por exemplo, compradores já pagaram até 3.000% a mais do que o preço do tradicional pelo café campeão.

 

Exportações

Em 2015, as exportações de cafés diferenciados (especiais, gourmet, certificados, orgânicos, etc.) totalizaram US$ 1,840 bilhões, respondendo por 32,7% da receita total de US$ 5,626 bilhões. No acumulado do ano, os embarques brasileiros de cafés diferenciados totalizaram 8.311.573 sacas de 60 quilos, o equivalente a 24,8% das exportações totais de café do País.

 

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