DATA: 24/11/2015

Pesquisa revela menor emissão de metano pela pecuária no bioma Pampa

A Embrapa avaliou novilhos da raça Hereford em pastagens naturais do Pampa e provou que as emissões foram até 43% menores do que indicava a estimativa oficial

Os primeiros resultados da pesquisa que está avaliando as emissões de metano por bovinos de corte no bioma Pampa demonstram que os níveis são bem inferiores do que aqueles geralmente divulgados por organismos internacionais. Durante um ano, a Embrapa Pecuária Sul mediu as emissões do gás em novilhos da raça Hereford submetidos a diferentes níveis de intensificação em pastagens naturais do Pampa.

 

Segundo os resultados preliminares, as emissões de metano foram até 43% menores do que estimativas feitas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para a pecuária brasileira. As avaliações fazem parte de um projeto de pesquisa que está monitorando o balanço do carbono na pecuária brasileira.

 

A Rede de Pesquisa Pecus, liderada pela Embrapa, está avaliando a dinâmica de emissão dos gases de efeito estufa (GEE) e a retenção do carbono pela pecuária nos seis biomas brasileiros, entre eles o Pampa. Os resultados estão baseados em análises de dados coletados no ano de 2013 em animais entre dez meses e dois anos de idade, criados nos campos experimentais da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS).

 

Para a pesquisa, os animais permaneceram em campo nativo com ajuste de carga para 12% PV (12 quilos de pasto seco para cada 100 quilos de peso vivo animal), com três níveis de intensidade de utilização: campo natural, campo natural fertilizado e campo natural fertilizado e sobressemeado com azevém e trevo-vermelho. Nesse último nível é que foram registradas as menores emissões de metano por animal, 31,6 quilos por ano.

 

“É importante ressaltar que as estimativas do IPCC são de uma emissão de 56 quilos por ano de metano por animal dessa mesma categoria no Brasil. Ou seja, os resultados mostram que a emissão de metano no bioma Pampa é bem inferior por animal”, afirma a pesquisadora Cristina Genro, coordenadora do Projeto Pecus no bioma Pampa.

 

No levantamento, foram avaliados 27 animais da raça Hereford que, no início da pesquisa, tinham peso médio de 180 quilos. Alimentados somente a pasto, os animais apresentaram um ganho médio diário por cabeça de 0,38 quilo naqueles que permaneceram no campo nativo sem tratamento; 0,62 quilo no campo natural fertilizado e 0,72 quilo no campo natural fertilizado e sobressemeado.

 

“Considerando que os animais só se alimentaram de pasto, sem nenhum tipo de suplementação, o ganho médio diário está dentro dos padrões para este tipo sistema. Isso quer dizer que reproduzimos o sistema de produção preponderante na região, com um manejo de pasto adequado, o que faz com que a emissão de metano também deva refletir a realidade da pecuária na região”, diz Cristina Genro.

 


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