DATA: 16/11/2015

Pesquisa revela excesso de insetos-praga no Oeste da Bahia

O trabalho tem como objetivo identificar a densidade da Helicoverpa armigera e de outras espécies de lepidópteros-pragas

Um estudo conduzido pela Embrapa Cerrados revela a incidência de três espécies de insetos-praga – Helicoverpa armigera, Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho) e Chrysodeixis includens (lagarta falsa-medideira da soja) – nas lavouras do Oeste da Bahia. O trabalho é intitulado “Subsídios para o Manejo Integrado de Pragas e manejo da resistência de lepidópteros-pragas na paisagem agrícola do Oeste da Bahia”, de autoria dos pesquisadores Silvana Paula-Moraes e Alexandre Specht.

 

Realizado em seis núcleos de produção agrícola (Anel da Soja, Angical, Ceolin, Coaceral, Roda Velha e Rosário) representativos das microrregiões do Oeste baiano, o trabalho teve por objetivo identificar a densidade da Helicoverpa armigera e de outras espécies de lepidópteros-pragas.

 

O estudo vai determinar as diferenças de densidades de noctuídeos em diferentes núcleos, sistemas produtivos e estágios fenológicos (fases de desenvolvimento) das culturas, avaliar a efetividade do refúgio estruturado na região na produção de populações de mariposas; e identificar a ocorrência de espécies de insetos noctuídeos presentes na paisagem agrícola da região – pragas ou não.

 

A equipe utilizou armadilhas luminosas e armadilhas de feromônio no período de janeiro a junho de 2015, durante três dias do período de lua nova de cada mês. As armadilhas luminosas foram instaladas nos seis núcleos, onde havia lavouras de algodão com Bt (toxinas sintetizadas por genes da bactéria Bacillus thuringiensis) e não Bt, em sistemas sequeiro e irrigado, cobrindo assim todo o Oeste da Bahia.

 

Os insetos adultos coletados foram enviados ao Laboratório de Entomologia da Embrapa Cerrados, onde foram triados e identificados. As maiores densidades de H. armigera foram observadas nos núcleos Anel da Soja, Ceolin e Rosário. “A maior densidade pode ser explicada em função da tecnologia utilizada, do sistema de cultivo e do estágio fenológico, sendo que a fase reprodutiva é preferencial para a H. armigera e é também tem maior duração que a vegetativa”, diz Silvana.

 

Também foram levantadas as populações de insetos adultos de Elaphria agrotina, S. frugiperda e de C. includens em algodão. A E. agrotina foi a espécie mais numerosa nas capturas pelas armadilhas, e apesar de não causar danos às culturas agrícolas, chamou a atenção dos pesquisadores o fato de lagartas terem sido encontradas na fase final do ciclo do milho.

 

“Existem diferenças nas densidades de H. armigera nos diferentes núcleos. Essa é uma informação que tem valor, ela ajuda a avaliar e nortear ações de manejo, que devem considerar as particularidades de cada microregião”, diz Silvana. Em termos de tecnologia utilizada na lavoura, não houve variação significativa no número médio de mariposas de H. armigera nas lavouras Bt e nas áreas de refúgio. No sistema sequeiro, as médias de insetos adultos foram superiores às do irrigado.

 

Diversidade de espécies

 

Mais de 60 mil insetos foram analisados durante os seis meses de trabalho. O estudo avaliou a densidade e a distribuição das principais espécies encontradas nos seis núcleos estudados, com o objetivo de compreender o comportamento e a ocorrência delas na paisagem agrícola.

 

Nos cinco núcleos com lavouras de soja, milho e algodão Bt, H. armigera, S. frugiperda, C. includens foram as espécies de insetos noctuídeos mais abundantes, juntamente com a E. agrotina. Houve alternância da espécie predominante em função de estágio fenológico das culturas, mas o trio de insetos-pragas apresentou sempre números notadamente superiores aos das demais espécies encontradas.

 

“O levantamento mostra que, de certa forma, têm sido dadas condições para três espécies, principalmente, no agroecossistema, pois ele está sendo simplificado devido à pressão dos inseticidas, que selecionam as espécies que conseguem sobreviver”, afirma o pesquisador Alexandre Specht.

 


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