DATA: 11/08/2015

Pesquisa pretende desenvolver morango 100% brasileiro

Atualmente, os moranguicultores compram as mudas da fruta do Chile e da Argentina

Por meio de melhoramento genético, pesquisadores da Embrapa estão desenvolvendo uma variedade de morango totalmente nacional. Com isso, será possível reduzir a dependência de variedades estrangeiras. Atualmente, os moranguicultores brasileiros adquirem mudas produzidas principalmente no Chile e na Argentina, o que encarece a produção. Outra vantagem é que a variedade genuinamente brasileira poderá gerar plantas mais resistentes a doenças e pragas.

 

Atualmente, os materiais utilizados são resultado do trabalho de melhoramento norte-americano, mais especificamente do estado da Califórnia. Desenvolver uma variedade brasileira de morango também pode gerar plantas resistentes a pragas e doenças, reduzindo a aplicação de defensivos químicos, por exemplo. Esse é o horizonte do projeto “Melhoramento genético do morangueiro visando adaptação, resistência a pragas e qualidade de fruta”, um dos principais programas de melhoramento em andamento no Brasil.

 

O trabalho exigiu a formação de uma ampla rede de pesquisa liderada pela Embrapa e composta pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Lajes (RS); Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), em Caxias do Sul (RS); Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba (PR) e Instituto Federal do Sul de Minas Gerais, em Inconfidentes (MG). A intenção é que cada um desses locais receba uma Unidade de Avaliação dos materiais desenvolvidos, tendo em vista a forte influência do ambiente na cultura do morangueiro.

 

 

A pesquisa busca materiais que sejam competitivos e sustentáveis do ponto de vista econômico, social e ambiental. Com a criação de variedades brasileiras, aliada a um adequado sistema de produção de mudas, haverá diminuição da dependência de plantas estrangeiras para o cultivo, o que dará maior independência de escolha para o produtor, além de garantir que as divisas geradas pelo setor – como os royalties das variedades e o lucro da produção de mudas – fiquem no País.

 

Além das características agronômicas, o trabalho de melhoramento busca desenvolver cultivares levando em consideração o sabor e a relação do açúcar com a acidez. Segundo explica o pesquisador da Embrapa Clima Temperado responsável pelo projeto, Sandro Bonow, a intenção é investir em características que atendam às necessidades de mercado, não só por parte dos produtores, como também dos consumidores, como sabor doce, tamanho médio e cor avermelhada. As variedades desenvolvidas na década de 1970 pela Embrapa, embora bem-sucedidas, tinham foco bastante voltado à indústria – um dos pontos fortes da produção em Pelotas – e, por isso, apresentavam acidez maior, o que não atrai tanto o consumidor quando o foco é o consumo da fruta fresca.

 

O trabalho de melhoramento é lento. Para se obter uma nova variedade de morango são necessários, no mínimo, sete anos entre o cruzamento e o lançamento. Na primeira fase do projeto, iniciada em 2009 e encerrada em 2013, os primeiros passos para a retomada do melhoramento foram dados com a estruturação do programa. Segundo Bonow, o primeiro passo foi a importação de germoplasma de outros países, principalmente dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Todas essas amostras estão centralizadas num repositório nacional, situado na Unidade de Pelotas, chamado Banco Ativo de Germoplasmas (BAG) de morangos.

 

Os materiais coletados possuem determinadas características desejadas e, por isso, estão sendo cruzados para obtenção da variedade nacional. Os pesquisadores chegam a testar mais de dez mil plantas para escolher uma que seja promissora. “A gente quer combinar características desejáveis num mesmo material. Só que é necessário ter a combinação certa. Esse é o grande desafio”, explica o pesquisador. Atualmente, material asiático, sul-coreano, americano e de países europeus já estão em estudo pela pesquisa em busca de uma nova variedade nacional.


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