Vacinação

Pesquisa indica que 90% do setor quer o fim da vacinação contra aftosa

Pecuaristas querem expandir receitas ficando mais competitivos no mercado mundial de carne bovina

Uma pesquisa de iniciativa do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (GIEFA) aponta que mais de 90% das entidades e lideranças do setor agropecuário consultadas querem o fim progressivo da vacinação dos plantéis nacionais até 2020. Foram ouvidas 93 pessoas do Brasil, Paraguai e Bolívia. Eles acreditam que a doença está praticamente erradicada no Brasil e que, sem a vacinação, os pecuaristas poderão expandir as receitas com seus rebanhos e fazer com que se tornem mais competitivos no mercado mundial de carne bovina no chamado “segmento ou circuito  não-aftósico”.

 

Atualmente, o Brasil não participa desse mercado, hoje avaliado em U$ 12 bilhões, devido à insegurança dos países importadores – como Japão, Coréia do Sul, Singapura, México, Estados Unidos e Canadá entre outros – que não compram carne resfriada ou congelada de países que ainda usam a vacinação, pois têm dúvidas sobre a ocorrência  da aftosa no gado vacinado.

 

O presidente do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (GIEFA), Sebastião Guedes, viaja nesta semana para Punta del Este (Uruguai) para participar do encontro  da Comissão Sulamericana de Luta contra a Febre Aftosa. Entre os dias 7 e 8, os líderes dos criadores e autoridades sanitárias do continente vão avaliar os atuais índices de incidência da aftosa nos principais países detentores de rebanhos bovinos da América do Sul. Na oportunidade, Guedes, que também é o vice-presidente do Conselho Nacional da Pecuária de Corte (CNPC), vai apresentar a pesquisa, que foi iniciada em novembro último durante o fórum “2020 – O Futuro do Brasil sem Aftosa”, realizado em São Paulo com a presença de quase uma centena de representativas entidades da agropecuária brasileira e de lideranças do setor privado do Paraguai e Bolívia.

 

O Brasil pode seguramente ampliar a área livre de aftosa sem vacinação, pois 84% do nosso rebanho estão em Estados de 10 a 22 anos sem ocorrência de focos. A vacinação pode ser retirada principalmente por áreas dos circuitos pecuários ou por redução em faixas etárias dos rebanhos. A expansão da área sem vacinação deverá também ampliar as exportações de carne suína para atraentes mercados importadores, onde o Japão ocupa grande destaque.

 

Pesquisas conduzidas pelo Panaftosa demonstram ausência de circulação viral no nosso continente. Para Guedes, hoje, a maior preocupação do setor pecuário é com a brucelose, raiva bovina, clostridioses  e outras doenças infecto contagiosas, e bem menos com a aftosa.

 

 

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