Pesca

Pesquisa identifica espécies de peixe usadas como iscas vivas no Pantanal

A espécie Gymnotus sylvius nunca tinha sido registrada na região

O número de espécies de tuviras, tipo de peixe elétrico utilizado como isca viva para a pesca e vendido por comunidades ribeirinhas no Pantanal, está sendo revisto por pesquisas da Embrapa. Cientistas descobriram que são comercializadas na região três diferentes espécies desse peixe e o resultado foi publicado na revista norte-americana Zebrafish. Essas descobertas indicam que a legislação estadual, que disciplina a exploração dessas iscas, estaria desatualizada e podem subsidiar políticas públicas envolvendo a atividade econômica.

 

Os peixes conhecidos no Pantanal como tuviras correspondem a mais de 50% das iscas comercializadas todos os anos, e a legislação estadual que disciplina a captura, transporte, estocagem, comercialização e cultivo de iscas no Mato Grosso do Sul prevê a exploração de duas espécies: a Gymnotus inaequilabiatus e a Gymnotus paraguaensis.

 

Espécies

A Embrapa Pantanal, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), começou a estudar a genética dessas espécies e constatou que, na verdade, as iscas coletadas pertencem a três espécies diferentes: Gymnotus paranguaensis (prevista na legislação), a Gymnotus pantanal e a Gymnotus sylvius. Em três anos de coleta da pesquisa em comunidades ribeirinhas, a Gymnotus inaequilabiatus não apareceu nos estoques separados para venda pelos pescadores profissionais, o que não significa que ela não ocorra no Pantanal.

 

A pesquisadora Débora Karla Silvestre Marques conta que, a princípio, os pescadores acreditavam que estavam coletando sete espécies porque cores e tamanhos apresentavam variações. Foi por meio da análise genética que as espécies foram identificadas. “Não há apenas as duas descritas na legislação nem as sete que eles imaginavam. O estudo comprova que há três espécies sendo comercializadas”, afirma.

 

O artigo que caracteriza as três espécies, publicado pela revista Zebrafish, apresenta a descrição cariotípica de cada uma delas. Cariótipos são conjuntos de cromossomos organizados por pares de tamanhos e tipos iguais. Os cromossomos, por sua vez, são as estruturas das células onde se encontram os conjuntos de genes que acumulam as informações genéticas adquiridas durante os processos evolutivos de cada espécie.

 

Informações genéticas

O número de cromossomos, seus tamanhos e tipos são informações hereditárias inerentes a cada espécie e, por isso, a descrição dos cariótipos é o primeiro passo para a confirmação genética. Características cariotípicas podem indicar, por exemplo, se há possibilidade de acasalamentos entre espécies diferentes, gerando híbridos e permitindo aos pesquisadores discutir sobre as implicações dos manejos aplicados em comunidades de peixes.

 

A avaliação do cariótipo indica que cada uma delas tem diferentes tipos de cromossomos, tanto em quantidade como em tamanho e estrutura de diferenciação sexual. A variabilidade genética está sendo estudada pelo mestrado da UFMT.

 

Além da descrição genética, a pesquisa é relevante pelo impacto que pode causar na pesca no estado. A pesquisadora afirma que a continuidade dos estudos permitirá interpretar descrições dentro do contexto da pesca e avaliar se a exploração de certas quantidades de iscas por ano é viável ou não para cada comunidade. “A ferramenta transcende a análise genética. Além da informação sobre a qualidade genética daquela espécie, poderemos inferir sobre a sustentabilidade da atividade econômica ao longo do rio Paraguai, dentro do Mato Grosso do Sul.”

 

Mapeamento da produção

Conhecer as espécies de tuviras que de fato são vendidas pelas comunidades ribeirinhas trará um novo olhar para essa atividade. A legislação que determina o tamanho mínimo de captura é a resolução n. 3 de 28/02/2011 da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a qual cita as espécies: Gymnotus paraguaensis e a Gymnotus inaequilabiatus.

 

A espécie Gymnotus sylvius, encontrada na pesquisa, nunca tinha sido registrada no Pantanal. Segundo a pesquisadora da Embrapa, é possível que tenha sido introduzida através de estoques de iscas vivas compradas em outros estados e trazidos à região para pesca.

 

A partir das informações dessa pesquisa, será gerado um mapeamento da produção de iscas nas comunidades envolvidas, mostrando como elas exploram cada tipo de peixe. Débora conta que as três espécies identificadas ocorrem ao longo do rio. A Gymnotus paraguaensis apareceu em maior quantidade. Assim, já se sabe que não se trata de uma exploração homogênea, o que deve requerer políticas públicas igualmente adaptadas à ocorrência de cada espécie.

 

Choques

As tuviras são peixes elétricos, da família dos poraquês da Amazônia. Porém, as descargas elétricas que produzem são de pequena intensidade e imperceptíveis pelos humanos. Esses animais têm capacidade de gerar e receptar pulsos elétricos com frequências diferentes, porém específicas, uma vez que as frequências dos pulsos elétricos são diferentes para cada espécie. Esses pequenos choques, emitidos o tempo todo, servem para orientação espacial, para a caça e para o reconhecimento de parceiros na hora da reprodução, evitando a geração de híbridos e de acasalamentos não aproveitáveis.

 

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