DATA: 30/09/2015

Pesquisa estuda alternativas para produzir morango fora do solo

O trabalho desenvolvido na Embrapa Clima Temperado avalia diferentes sistemas de cultivo e a influência da luz na produtividade das plantas

O cultivo de morango fora do solo já é uma realidade no Rio Grande do Sul. Uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Clima Temperado está testando diferentes sistemas de cultivo para observar o desempenho da fruta. Uma das opções utilizadas são os slabs, sacos plásticos que envolvem o substrato e servem de base para as plantas. Os pesquisadores envolvidos no projeto também estão estudando a influência da luz na produtividade.

Os experimentos, que devem durar dois anos, são parte da tese de doutorado da bolsista Savana Irribarem, integrante da equipe que trabalha com pequenas frutas, liderada pelo pesquisador Luis Eduardo Antunes. Na estrutura montada há poucos meses, estão sendo testados quatro diferentes leitos de cultivo. Entre eles, os slabs – sacos plásticos que revestem o substrato e servem de base para as plantas. Chamado de sistema aberto, o cultivo em slabs é o mais comum em propriedades da região, já que tem um custo inicial mais baixo. Na contramão, a solução nutritiva usada na irrigação é escoada pela parte de baixo da estrutura e exige que o produtor adquira fertilizantes com frequência.

De acordo com Gerson Vignolo, aluno de pós-doutorado que pertence ao mesmo grupo de trabalho, este problema não é visto em sistemas fechados, em que a solução nutritiva é recirculante. Mas, para implantar um sistema que apresente maior economia a longo prazo, são necessários mais detalhes na hora de montar a estrutura, o que faz os gastos iniciais subirem.

“Se fala muito que o custo é maior no sistema fechado, mas não se sabe exatamente o que é gasto de água, nutrientes e fertilizantes, por exemplo, no sistema aberto. Então estamos testando diferentes sistemas e controlando tudo o que é gasto em cada um deles, incluindo o material usado para a montagem, justamente para ter ideia dos custos e avaliar o que vale mais a pena”, explica Gerson.

Entre os sistemas fechados que passam por testes estão aqueles que utilizam telhas de fibrocimento, isopor e canos de PVC. Este último é o único que não necessita de substrato e usa apenas água, por isso, também exige irrigação frequente para evitar que as plantas morram.

Além dos diferentes leitos de cultivo, o experimento também observa o comportamento de cinco diferentes cultivares na produção fora do solo. “Queremos poder mostrar para o produtor qual a cultivar mais adequada para o cultivo fora do solo e para a produção fora de época, quando a fruta vale mais no mercado”, afirma a doutoranda.

Longe do solo, próximo da luz

O morango é uma fruta muito apreciada pelos consumidores e, por isso, tem compradores o ano inteiro. Para buscar alternativas de produção que possam atender a esta demanda, na Embrapa, são realizadas várias outras pesquisas envolvendo o cultivo fora do solo. Uma delas avalia um importante fator que influencia a produtividade: o fotoperíodo – tempo diário em que a planta fica exposta ao sol.

O experimento está instalado na sede da Embrapa Clima Temperado desde agosto do ano passado e é uma adaptação, para as condições da região, da experiência que Gerson acompanhou quando esteve na Califórnia, nos Estados Unidos. No sistema, luzes artificiais de diferentes cores são usadas para estender o tempo diário de fotossíntese.

Os testes são feitos com luzes vermelhas, azuis e brancas. De acordo com Gerson, as pesquisas americanas comprovaram que diferentes cores de lâmpadas podem provocar reações distintas nas plantas. A luz vermelha, por exemplo, induz a floração, já a azul influencia o crescimento vegetativo.

As plantas que passam pelos testes em Pelotas, também demonstram algumas distinções quanto ao tipo de cor, mas apresentam maior diferença em produção quando comparadas às que não receberam o tratamento. Em um ano, as que ficaram sob a iluminação artificial produziram cerca de duzentos gramas a mais do que as que contaram apenas com a luz natural.

Para Gerson, mesmo que esse tipo de iluminação não seja usual no Brasil, pode ser uma alternativa futura para aumentar o rendimento. “Principalmente em regiões como a de Pelotas, onde, às vezes, o sol fica longos períodos sem aparecer, essas lâmpadas são muito importantes para que as plantas sigam fazendo fotossíntese mesmo em condições desfavoráveis”, ressalta.

 


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