DATA: 22/02/2016

Pecuaristas tiveram margem de lucro menor em 2015

Somente em Tocantins a receita do pecuarista cresceu mais do que os custos de produção

Os pecuaristas de corte tiveram redução da margem de lucro em 2015. O preço da arroba do boi gordo não acompanhou a elevação dos custos de produção, que subiram acima da inflação no ano passado, fazendo com que os criadores trabalhassem com uma diferença mais apertada entre receita e despesa. O Custo Operacional Total (COT), que engloba os gastos do dia a dia da atividade mais reposição de patrimônio e pró-labore, subiu 11%.

 

A análise está no boletim Ativos da Pecuária de Corte, feito pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A publicação traça um cenário da atividade a partir do levantamento de dados sobre custos de produção no ano passado em cinco estados: Acre, Maranhão,  Mato Grosso, Rondônia, e Tocantins.

 

De acordo com o estudo, das regiões pesquisadas, somente em Tocantins a receita do pecuarista cresceu mais do que os custos de produção. Um dos fatores que mais influenciou a alta do COT foi a reposição do rebanho, pois o preço do bezerro subiu quase 10% em 2015, em razão da baixa oferta de animais e do abate de fêmeas em anos anteriores. Houve, também, a seca prolongada no Centro-Sul brasileiro, que influenciou na pastagem utilizada na alimentação dos animais.

 

Os animais de reposição respondem por quase 50% do COT dos pecuaristas, mas não foi o grupo que teve a maior alta dentro dos custos de produção. A alta do dólar impactou diretamente outros itens da atividade. As maiores elevações foram de fertilizantes e corretivos (20,3%), suplementação mineral (17,76%), medicamentos (11,91%), e defensivos aplicados às pastagens. Todos esses itens possuem produtos importados e atrelados à moeda norte-americana.

 

O dólar elevado também influenciou as cotações de soja e milho, principais componentes das rações animais. Este impacto foi sentido principalmente no Nordeste, onde a forte estiagem prejudicou o manejo da pastagem e obrigou muitos produtores a gastar mais com este insumo. Outro ponto que pesou no preço das rações foi o reajuste dos combustíveis, que subiram, em média, 5%, influenciando no custo do frete.

 


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