Defensivo
DATA: 06/06/2016

Paraná suspende 64 produtos ineficientes para combater a ferrugem asiática

A medida foi determinada para preservar a eficiência dos produtos que ainda são capazes de controlar a doença

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) suspendeu a comercialização de 64 produtos agroquímicos que apresentaram eficiência abaixo da média, e que estão disponíveis no mercado para o combate da ferrugem asiática na soja. A medida foi determinada para preservar a eficiência dos produtos que ainda combatem a doença (ainda restam 26 produtos no mercado) e pela ausência de registro de moléculas novas para os próximos 10 anos.

 

Representantes de entidades do setor produtivo, das indústrias e do setor público participaram na última sexta-feira (03/05) de uma reunião na Adapar para discutir a questão da restrição de agroquímicos. A reunião foi coordenada pelo diretor presidente da Adapar, Inácio Afonso Kroetz.

 

No encontro, foi consenso que a Adapar adotou a medida correta, utilizando por fundamento os resultados de testes de eficiência agronômica apresentados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que é o órgão federal e oficial de pesquisa agronômica. “Com isso, avançamos nos entendimentos e balizamento das posições que para combater a ferrugem asiática não podemos nos restringir apenas à aplicação de produtos químicos, mas sim adotar um conjunto de medidas de manejo que requer mais uso de assistência técnica e mais conscientização dos agricultores”, disse Kroetz.

 

Segundo ele, essa preocupação é fundamental para o futuro da soja, visto que essa cultura é grande geradora de empregos e riqueza e vem sustentando a balança comercial do Estado e do País. Só no Paraná, a soja movimentou em torno de R$ 18 bilhões no ano passado, segundo estimativas da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. A posição é que se houver um fato novo por parte da pesquisa, ou do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a Adapar pode ser reavaliar sua posição. “Mas até agora fica tudo como está”, ressaltou Kroetz.

 

Eficiência do produto

Para se manter no mercado do Paraná e obter o cadastro no Sistema de Monitoramento de Comércio e Uso de Agrotóxicos no Estado do Paraná, a Adapar exige que o produto apresente pelo menos 80% de eficiência no controle de pragas e doenças ou eficiência acima da média dos demais produtos já cadastrados, segundo recomenda a Embrapa.

 

O representante do Ministério da Agricultura no Paraná, o fiscal agropecuário Marcelo Bressan, disse que o Estado sai na frente com essa decisão de eliminar os produtos ineficientes do mercado. “E o correto é que a Adapar foi buscar na Embrapa o embasamento para seu critério”, disse ele. Segundo Bressan, essa metodologia da empresa de pesquisa sobre a eficiência dos agrotóxicos está sendo adotada inicialmente para a soja e posteriormente será ampliada para outros produtos. Ele citou também o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) como órgão de pesquisa oficial indicado para ampliar os estudos de manejo para conter o avanço da ferrugem da soja sobre as lavouras.

 

 

Testes e restrições

Segundo a pesquisa, o ideal para um produto estar no mercado é que ele apresente 80% de eficiência. Na safra 2013/14, os testes realizados nos produtos recomendados para o controle da ferrugem asiática apresentaram eficiência de 40%, e na safra 2014/15, eficiência de 47%. Os produtos que ficaram no mercado serão reavaliados na safra 2016/17.

 

Ainda segundo a Adapar, 24 empresas tiveram produtos com restrição de venda no Paraná, mas ainda permaneceram 11 empresas com produtos liberados para o controle da doença. O gerente de Sanidade Vegetal da Adapar, Marcílio Martins Araújo, afirmou que a suspensão de produtos agrotóxicos para o combate da ferrugem asiática não representa ato isolado. Ela está embutida numa estratégia de manejo que inclui a adoção de calendário para a semeadura e prazo para colheita ou dessecação das lavouras, visando coibir o cultivo da soja safrinha a partir da safra 2016/2017. “Precisamos evitar a ocorrência de hospedeiros na safrinha para preservar a safra principal que é o principal patrimônio dos produtores e do Estado”, disse.

 

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