Grãos
DATA: 21/12/2015

Paraná colhe a maior safra de grãos de sua história

Apesar das chuvas excessivas que prejudicaram as safras de inverno, a safra 2014/2015 foi finalizada com uma produção recorde de 38 milhões de toneladas,

A colheita de grãos no Paraná está quase encerrada, com um volume de 38 milhões de toneladas referente ao período 2014/2015. O resultado indica aumento de 6% na colheita, em comparação à safra anterior (2013/14). Os números foram divulgados pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, na sexta-feira (18/12), no último relatório de safra de 2015 feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), confirmando a previsão de colheita recorde no Paraná.

 

Para o Deral, a safra é considerada boa. Contudo, a produção poderia ter sido maior não fosse o excesso de chuvas, que causou prejuízos aos cereais de inverno, como trigo e cevada.

 

Trigo e cevada

O Deral apontou prejuízos econômicos para as safras de trigo e cevada, em decorrência do excesso de chuvas no final de 2015. De acordo com o engenheiro agrônomo do Carlos Hugo Godinho, o trigo tinha um potencial produtivo inicial de 4 milhões de toneladas e a colheita resultou em volume de 3,3 milhões toneladas, uma redução de 17% em relação às estimativas iniciais.

 

Por outro lado, Carlos Hugo avalia que parte das perdas em volume e qualidade estão sendo compensadas, pois a comercialização do trigo neste ano está mais favorável aos produtores. Cerca de 67% da produção paranaense, que equivale a 2,2 milhões de toneladas, está com P.H. (índice de qualidade) 78, considerado bom. Isso pode render um preço melhor, em torno de R$ 38 a saca conforme as indústrias pagam para o trigo de qualidade.

 

Para 25% da produção de trigo estima-se um P.H. 76, mais baixo, e avaliado à medida que é comercializado com as indústrias de massas. E cerca de 8% da safra é classificada como triguilho, destinado à ração animal. Já a safra de cevada tinha um potencial de produção de 199 mil toneladas, mas resultou em volume colhido de 131 mil toneladas, 34% inferior à estimativa inicial.

 

As duas culturas de inverno foram afetadas por uma estiagem que ocorreu em meados de setembro. Na sequência pela incidência de ventos gelados. Na reta final do ciclo pelo excesso de chuvas na colheita.

 

Previsão para 2016

Para a safra de verão 2015/2016, que está em campo, a previsão do Deral é para uma produção de 22,2 milhões de toneladas de grãos, praticamente estabilizada em relação ao que foi colhido na safra anterior. A previsão não leva em consideração possíveis prejuízos decorrentes das chuvas e do excesso de umidade que estão predominando no campo. Prejuízos poderão ser melhor avaliados somente na colheita, a partir de janeiro de 2016.

 

 

Soja

A safra de soja 2015/16 está quase toda plantada, ocupa uma área de 5,3 milhões de hectares e a previsão de produção aponta pra um volume recorde de 18 milhões de toneladas. Segundo o economista Marcelo Garrido, do Deral, o excesso de chuvas pode afetar o potencial produtivo, mas ainda é muito cedo para fazer essa avaliação, porque poderá haver recuperação de lavouras. “Avaliação de prejuízos são confiáveis apenas do período de colheita”, explicou.

 

Cerca de 33% da safra está vendida e o preço da soja pago ao produtor está ainda melhor que no ano passado. Este ano está recebendo R$ 65,47 a saca, valor 12% acima ao praticado em dezembro do ano passado quando a saca de soja foi comercializada, em média, por R$ 58,27 a saca.

 

Milho

O milho da primeira safra ocupa uma área de 429 mil hectares, cerca de 21% a menos que no ano passado, quando foram ocupados 542 mil hectares com a cultura. A previsão de produção aponta para um volume de 3,7 milhões de toneladas, também 21% menor que no mesmo período do ano passado, quando rendeu 4,6 milhões de toneladas.

 

O desempenho da lavoura está semelhante ao da soja, vulnerável ao excesso de chuvas. Conforme acompanhamento do Deral, 89% das lavouras estão com bom desempenho, 10% com médio desempenho e 1%, ruim. Pode ser que esse quadro seja alterado se houver excesso de chuvas na colheita. Mas prejuízos são avalidados somente no período da colheita. “Isso porque muitas lavouras podem se recuperar se forem feitos os controles de doenças. Além disso, o milho é mais sensível a perdas quando há falta de chuvas e não quando há excesso”, explicou Garrido.

 

O Deral divulgou também a estimativa para a segunda safra de milho, que começa a ser plantada em meados de janeiro, quando a primeira safra de grãos entra em fase de colheita. A área ocupada cresce de 1,9 milhão de hectares, no ano passado, para 2,02 milhões de hectares, aumento de 5%. A produção cresce 3%, passando de 11,3 milhões de toneladas no ano passado para 11,7 milhões de toneladas que podem ser colhidas este ano.

 

Feijão

O feijão já apresenta problemas. As chuvas de novembro atrapalharam o final da colheita de cereais de inverno na região Centro-Sul, mas não impediram o plantio das culturas de verão dentro do zoneamento agrícola recomendado pela pesquisa.

 

O feijão é a cultura mais sensível ao excesso de chuvas. “Mas assim como o milho, o feijão sofre mais com a falta de água que com o excesso”, diz o engenheiro agronômo Carlos Alberto Salvador. Segundo ele, 67% da área plantada (180.474 hectares) está com bom desempenho, 24% em condições medianas e 9% com áreas ruins.

 

A primeira safra de feijão (feijão das águas) já está com 7% da área plantada, colhida e o Deral estima redução de 10 mil toneladas na colheita. O potencial de produção, que apontava para um volume de 335 mil toneladas, foi reduzido para 325 mil toneladas.

 

Como o Paraná é responsável pela produção de 40% da safra nacional, a redução no potencial de produção já impactou o mercado, proporcionado bons preços de comercialização ao produtor. “Quem planta com mais tecnologia será beneficiado com rendimento maior e preço melhor”, disse o técnico.

 

O feijão de cor teve valorização de 51%, passou de R$ 106,00 a saca em dezembro de 2014 para R$ 160,00 neste ano. O feijão preto teve valorização de 9%, passou de R$ 99,00 para R$ 108,00 a saca no mesmo período.

 

Também foi divulgada a primeira estimativa para o feijão de segunda safra, que começará a ser plantada em meados de janeiro de 2016. A área plantada estimada é de 200 mil hectares, com uma produção de 388 mil toneladas. A área é 4% inferior ao mesmo período do ano passado, mas a estimativa de produção é 2% maior.

 


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