DATA: 11/02/2016

Os estoques de milho e de soja dos EUA continuam crescendo

Os mercados reagiram negativamente, com queda dos preços do milho, soja e farelo de soja na bolsa de Chicago Mike McGinnis, editor de mercados da Successful Farming

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) divulgou na terça-feira (09/02) suas estimativas de oferta/demanda e safra mundial para fevereiro. Os estoques de milho e de soja dos Estados Unidos continuam crescendo, ao mesmo tempo que a safra mundial também cresce.

 

Como resultado, os mercados de milho e de soja do CME Group (grupo que controla a bolsa de Chicago e a bolsa de Nova York) reagiram negativamente. Na metade da sessão, os contratos futuros de milho com vencimento em março estavam sendo negociados com baixa de 1 1/2 centavo de dólar, a US$ 3,60.

 

Os contratos futuros de soja com vencimento em março estão 1/4 de centavo de dólar mais baixos, a US$ 8,62. Os contratos futuros de trigo com vencimento em março estão sendo negociados com baixa de 1 1/4 centavo de dólar, a US$ 4,57.

 

Os contratos futuros de farelo de soja com vencimento em março estão US$ 2,00 mais baixos por tonelada americana (short-ton), a US$ 252,50. Os contratos futuros de óleo de soja com vencimento em março estão sendo negociados com alta de US$ 0,11, a US$ 30,86. Nos mercados externos, o petróleo bruto Brent está US$ 0,22 mais baixo por barril, o dólar do EUA está mais baixo, e o Dow Jones Industrials está 91 pontos mais baixo.

 

Estoques finais dos EUA

Em seu relatório, o USDA fixou os estoques de milho para o final da safra de 2015/2016 em 1,837 bilhões de bushels, em comparação com a estimativa média dos analistas, de 1,809 bilhões de bushels, e a estimativa do USDA em janeiro, de 1,802 bilhões.

 

Para os estoques finais de soja para 2015/2016, o USDA estima um total de 450 milhões de bushels, em comparação com a estimativa média do mercado, de 445 milhões, e a estimativa do USDA em janeiro, de 440 milhões.

 

O USDA fixou os estoques de trigo para 2015/2016 em 966 milhões de bushels, em comparação com a estimativa média do mercado, de 947 milhões de bushels, e a estimativa do USDA em janeiro, de 941 milhões.

 

Matt Pierce, o gerente da Plataforma internacional de contratos futuros no CME Group disse que o relatório, com certeza, traz pessimismo aos mercados. “Os dados são pessimistas para os grãos, com estoques globais mais elevados.  Porém, o mercado não deve cair, pois isso já era esperado. Os grandes estoques domésticos de trigo devem pesar sobre a parte inicial da curva, mas quanto já foi precificado? Pessimista em relação a milho, em função de estoques domésticos mais elevados.  A grande questão continua sendo a viabilidade dos estoques chineses”, disse Pierce.

 

Estoques finais globais

Em seu relatório, o USDA estima que os estoques finais globais de trigo para 2015/2016 estão em 238,87 milhões de toneladas, em comparação com a estimativa média do mercado, de 231,48 milhões de toneladas, e a estimativa do USDA em janeiro, de 232,04 milhões de toneladas métricas.

 

Quanto aos estoques finais globais de milho para 2015/2016, o USDA os fixou em 208,81 milhões de toneladas, em comparação com a estimativa média do mercado, de 208,25 milhões de toneladas, e a estimativa anterior do USDA, de 208,94.

 

Os estoques finais globais de soja, para a safra de 2015/2016, estão fixados em 80,42 milhões de toneladas, em comparação com a estimativa média do mercado, de 78,97 milhões de toneladas, e a estimativa do USDA em janeiro, de 79,28 milhões de toneladas.

 

Produção mundial

A produção de soja do Brasil para 2015/2016 está fixada em 100,00 milhões de toneladas, em comparação com a estimativa do USDA em janeiro, de 100,00 milhões de toneladas. A produção de milho do Brasil para 2015/2016 está estimada em 84,00 milhões de toneladas, em comparação com a estimativa média do mercado, de 81,50 milhões de toneladas.

 

A estimativa da produção de soja da Argentina está fixada em 58,50 milhões de toneladas métricas, em comparação com a estimativa anterior do USDA, de 57,00 milhões de toneladas métricas.

 

Para a produção de milho da Argentina em 2015/2016, o USDA prevê 27,00 milhões de toneladas, em comparação com a estimativa anterior do USDA, de 25,60 milhões de toneladas.

 

Reação do mercado

Jack Scoville, o Analista sênior de mercado do The PRICE Futures Group, diz que os mercados perceberão os dados como sendo negativos. “O mercado de trigo estava especialmente pessimista, em função dos dados mundiais. Os relatórios restantes não foram otimistas, mas estavam dentro do possível. Alguns aceitam, eu imagino, que os dados de produção da América do Sul não tenham sido mais altos, mas que o USDA esteja sendo razoável nesse sentido.”

 

Scoville acrescentou, “Os estoques finais dos EUA e da maior parte do mundo ficaram no topo das estimativas do mercado. Acredito que as pessoas se preocuparam em receber um relatório pessimista, mas de certa forma isso não ocorreu.”

 

Pete Meyer, analista de grãos da PIRA Energy, disse que, com os estoques subindo em todos os lugares, um evento climático é infelizmente a única coisa que pode salvar esses mercados agora. “Globalmente, os atualmente esperados 111,0 milhões de toneladas métricas de produção combinada de milho da Argentina e do Brasil são desanimadores para as exportações. Com as moedas locais continuando a cair, e as exportações norte-americanas bastante fracas, uma análise mais aprofundada dos dados de exportação do World Board é necessária,” disse Meyer.

 

Meyer acrescentou, “Vamos ser honestos, a demanda por grãos e sementes oleaginosas dos EUA está no limite. Se não fosse pelo aumento bastante questionável de 25 milhões de bushels na demanda por etanol, os estoques finais teriam sido próximos de 1,9 bilhões. Com o Outlook Forum anual do USDA perto de ocorrer, não sei como eles mantêm os estoques finais abaixo de 2 bilhões em sua previsão para o próximo ano.”

 

Steve Kahler, CEO da Teucrium Trading, disse que o WASDE de fevereiro não é conhecido como um relatório que contém grandes mudanças, e a publicação de hoje não foi diferente.

 

“Os estoques finais de milho, trigo e soja subiram devido à redução das exportações ou do processamento doméstico. A produção de milho e soja da América do Sul teve pequenos aumentos, com as duas estimativas em linha com as projeções do mercado ou acima delas,” disse Kahler.

 

Kahler acrescentou, “A produção de milho da África do Sul foi reduzida e é um lembrete de que o El Nino tem tido um impacto em várias partes do mundo.”

 

Olhando para o futuro, o mercado continuará a focar no clima e na safra da América do Sul, disse Kahler. “Além disso, ficaremos atentos ao relatório Planting Intentions e ao relatório trimestral dos estoques, que devem sair em 31 de março.”

 

* Tradução: Andrew Davis


Comente essa notícia.

Faça seu cadastro ou login gratuito para enviar comentários.

Leia mais