DATA: 06/01/2016

Óleo de capim-limão elimina fungos de semente de cebola

A semente embebida em óleo de capim-limão foi a única que apresentou taxa de germinação superior à obtida pela semente não tratada

Pesquisadores da Embrapa descobriram que o óleo de capim-limão é capaz de desinfetar sementes de cebola contaminadas pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides f. sp. cepae que, nas épocas quentes e chuvosas, causa uma doença bastante destrutiva chamada de antracnose ou mal-de-sete-voltas.

 

Além de ocasionar lesões nas folhas da cebola, essa doença afeta os bulbos, que podem apresentar má-formação e, nos casos mais extremos, podridão. Mesmo quando a planta resiste ao microrganismo, os bulbos de cebola não atingem o padrão comercial do mercado.

 

Controle biológico

O óleo é um produto natural que pode ser uma boa alterativa para produtores de hortaliças orgânicas ou que tenham restrições de uso de fungicidas. “Além de não comprometer o potencial germinativo da semente de cebola, o óleo de capim-limão inibiu em 100% a germinação dos esporos do fungo”, quantifica a agroindustrial Maria Isabel Lozada, estudante de mestrado da Universidade de Brasília (UnB) e bolsista da Embrapa Hortaliças, para quem o óleo pode ser considerado uma alternativa promissora para o controle desse microrganismo nocivo à qualidade das sementes de cebola.

 

 

“Esse fungo pode deteriorar a semente no armazenamento, inviabilizando sua germinação ou a emergência da planta que, caso se desenvolva, pode manifestar a doença e comprometer a produção”, explica o pesquisador Warley Nascimento, da área de Tecnologia de Produção de Sementes, que lidera o projeto de pesquisa.

 

Estudo com óleos essenciais

Geralmente, para controlar esse microrganismo aplica-se nas sementes de cebola, antes de efetuar a semeadura direta no campo, um tratamento convencional à base de fungicidas de amplo espectro de ação. Contudo, na busca por métodos alternativos para o sistema orgânico, foram testados óleos essenciais de cinco espécies: manjericão, sálvia, tomilho, citronela e capim-limão.

 

“Os tratamentos alternativos com os óleos essenciais dispensam a utilização de fungicidas e propiciam melhor qualidade de vida para os produtores rurais”, diz Nascimento ao informar que esse método é indicado para a agricultura familiar, mas também pode ser utilizado no sistema convencional para minimizar a dependência de insumos químicos.

 

Foram analisadas diferentes concentrações dos óleos essenciais diluídos em água para identificar não somente o melhor óleo, mas a dose ideal para que o fungo seja eliminado sem prejuízo da germinação da semente de cebola.

 

Aplicação

As concentrações mais altas, de quatro mil a oito mil partes por milhão (ppm), foram descartadas porque inviabilizaram a perfeita germinação das sementes de cebola. Logo, as demais análises tiveram continuidade somente com as diluições de mil e dois mil ppm. “Após ajustar a dose, também estudamos os efeitos dos óleos essenciais em relação a vigor e resistência, além de outras características referentes à qualidade fisiológica da semente”, conta.

 

Considerando que o padrão para a comercialização de sementes de cebola no País estabelece um percentual mínimo de 80% de germinação, todos os óleos analisados ficaram acima desse valor. A semente embebida em óleo de capim-limão foi a única que apresentou taxa de germinação superior à obtida pela semente não tratada, alcançando 97% de germinação.

 

 


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